Gestacao_alto_risco
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Gestacao_alto_risco


DisciplinaEnfermagem na Saúde Reprodutiva e Perinatal22 materiais206 seguidores
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caracterizada por di-
minuição de lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e proliferação de 
anaeróbios facultativos. Destes, os mais comuns são Gardnerella vaginalis, Myco-
plasma hominis e espécies de Bacteroides e Mobiluncus. São organismos que fazem 
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parte da flora normal da vagina, por isso sua presença em culturas (principalmente da 
Gardnerella vaginalis) não indica necessariamente a doença. Ocorre em mais de 20% 
das gestações, mas a maioria é assintomática. Está associada à rotura prematura de 
membranas, baixo peso ao nascimento e prematuridade. 
Diagnóstico
O diagnóstico da vaginose é clínico. A gestante se queixa de corrimento 
acinzentado com odor de peixe, que é facilmente confirmado no exame especular. O 
pH vaginal está acima de 4,5 e o teste das aminas é positivo. No exame microscópico, 
observa-se a presença de clue cells (células \u201cpista\u201d) tanto no exame a fresco quanto em 
coloração de Gram.
No entanto, esses são critérios de execução difícil e demorada. O uso de 
coloração de Gram com semi-quantificação da flora vaginal tem alta sensibilidade e 
especificidade para vaginose bacteriana, avaliando pequenas quantidades ou ausên-
cia de lactobacilos com grande presença de bacilos Gram negativos/Gram variáveis.
Não há benefício claro para preconizar a pesquisa de vaginose bacteriana em 
gestantes assintomáticas em gestações de baixo risco. Porém, em gestações de alto 
risco, principalmente nas mulheres que apresentaram prematuridade em gestações 
anteriores, parece haver benefício em fazer a pesquisa de vaginose e tratar as positivas 
com metronidazol oral. Observou-se redução da incidência da prematuridade e de 
rotura prematura de membranas em alguns estudos, mas não em todos. Assim, reco-
menda-se considerar a pesquisa de vaginose bacteriana em gestantes de alto risco 
para prematuridade.
Tratamento
Há esquemas terapêuticos eficazes na gestação, sem risco de teratogenicidade.
Esquema 1: Metronidazol 250 mg via oral, três vezes por dia, 7 dias OU
Esquema 2: Metronidazol 500 mg via oral, duas vezes por dia, 7 dias OU
Esquema 3: Clindamicina 300 mg via oral, duas vezes por dia, 5 dias.
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Fluxograma de conduta na vaginose bacteriana
Queixas: 
\u2022 corrimento vaginal acinzentado; 
\u2022 odor amínico (peixe). 
Testes diagnósticos: 
\u2022 pH maior que 4,5: papel de nitrazida; 
\u2022
\u2022
 teste das aminas positivo: duas gotas de KOH a 
10% no conteúdo vaginal, odor de peixe; 
 Microscopia: células pista em exame a fresco; flora 
mista sem lactobacilos no Gram. 
VAGINOSE BACTERIANA 
Tratamento imediato (Independentemente da idade gestacional): 
\u2022 Esquema 1: Metronidazol 250 mg via oral, três vezes por dia, 7 dias; ou 
\u2022 Esquema 2: Metronidazol 500 mg via oral, duas vezes por dia, 7 dias; ou 
\u2022 Esquema 3: Clindamicina 300 mg via oral, duas vezes por dia, 5 dias. 
Três destes critérios positivos 
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ANEMIAS NA GESTAÇÃO
Durante a gestação, há aumento do volume plasmático em até 50% (1.000ml) 
e do número total de hemácias circulantes em cerca 25% (300ml), para suprir as neces-
sidades do crescimento uterino e fetal. Por esse motivo, frequentemente há a queda 
fisio lógica dos níveis de hematócrito e hemoglobina. A hemodiluição alcança o seu 
nadir no final do segundo trimestre e início do terceiro. Esse processo aumenta a per-
fusão placentária, facilitando assim as trocas gasosas e de nutrientes. Cerca de seis se-
manas após o parto, na ausência de perda sanguínea excessiva durante o parto, esses 
níveis retornam ao normal. 
A anemia pode ocorrer por perda sanguínea, destruição excessiva dos 
eritrócitos ou deficiência de sua produção. Anemia na gestação, de acordo com a 
Organização Mundial da Saúde (OMS), é definida como nível de hemoglobina abaixo 
de 11g/dL. Ela pode ser classificada como leve (Hb 10 \u2013 10,9g/dL), moderada (Hb 8 \u2013 
9,9g/dL) e grave (Hb \u2264 8g/dL). Adotando esse critério, até 50% das mulheres grávidas 
são conside radas anêmicas. É interessante adotar outros critérios para a conceituação 
e para o diagnóstico de anemia. Os índices corpusculares, principalmente o Volume 
Corpuscular Médio (VCM = 81-95dL) não sofrem variações e podem, então, ser tomados 
com tal finalidade. Para fins práticos, tomando-se o VCM como indicador, identificam-
se três tipos de anemia: microcíticas (VCM = <85dL), normocíticas (VCM entre 85 e 
95dL) e macrocíticas (VCM >95dL). 
A incidência de anemia varia de acordo com a população estudada. Em países 
em desenvolvimento, a anemia é bem mais frequente, e está associada a problemas 
nutricionais e outras doenças que a potencializam, como infecções e parasitoses gas-
troinstestinais. Nesses mesmos países, aonde uma das principais causas de morbimor-
talidade materna é a hemorragia pós-parto, a presença de anemia pode potencializar 
esse problema.
As principais causas de anemia na gestação são:
 \u2022 Deficiência de ferro;
 \u2022 Deficiência de ácido fólico;
 \u2022 Deficiência de vitamina B12;
 \u2022 Hemoglobinopatias (anemia falciforme, talassemias);
 \u2022 Perda sanguínea crônica (sangramentos gastroinstestinais ocultos).
Anemia ferropriva
A deficiência de ferro é a principal causa de anemia na gestação. Os depósitos 
de ferro são reduzidos durante a gravidez em decorrência de uma maior demanda 
para suprir o aumento da hemoglobina circulante e o desenvolvimento fetal. Assim, há 
uma redução da porcentagem de saturação de transferrina e hemácias hipocrômicas e 
microcíticas começam a ser liberadas pela medula óssea na circulação. Se a ingesta de 
ferro for insuficiente, se o intervalo interpartal for curto ou se o parto for complicado 
por hemorragia, a anemia por deficiência de ferro rapidamente se instalará.
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As consequências da anemia ferropriva são sérias, principalmente durante 
a gestação. Níveis baixos de hemoglobina que correspondem à anemia moderada 
e grave são associados com índices aumentados de mortalidade materno-fetal e 
doenças infecciosas. Níveis de hemoglobina abaixo de 9,5g/dL e até mesmo 11g/dL 
próximo ao termo podem estar relacionados a RN de baixo peso e prematuridade. 
Por outro lado, níveis elevados de hemoglobina (\u226513g/dL) também estão relacionados 
com mau prognóstico gestacional (prematuridade e baixo peso). 
Apesar da suplementação rotineira de ferro ou ferro com ácido fólico durante 
o pré-natal resultar em uma substancial diminuição na prevalência de níveis de he-
moglobina abaixo de 10 ou 10,5g/dL no terceiro trimestre, não foi ainda demonstrada 
melhora nos resultados maternos e perinatais.
Diagnóstico
Hemograma: redução de hematócrito e hemoglobina, com presença de hemá-
cias hipocrômicas e microcíticas.
Em pessoas não gestantes, a deficiência de ferro pode ser medida por meio 
da dosagem de ferritina sérica, ferro sérico, transferrina e saturação de transferrina. 
A concentração de ferritina sérica é um marcador do depósito de ferro. Na gestação 
ocorre queda fisiológica dos níveis de séricos de ferritina, assim como dos níveis de 
ferro na medula óssea, inclusive em gestantes que ingerem diariamente suplementos 
com altas doses de ferro. Mesmo assim, a dosagem sérica de ferritina é o melhor fator 
a ser analisado para avaliar as reservas.
Conduta
O conduta face à anemia por deficiência de ferro deve consistir em várias ações, 
entre elas devem ser destacadas as mudanças de hábitos alimentares, diagnóstico e 
tratamento das causas de perda sanguínea, controle de infecções que contribuam 
para anemia, fortificação de alimentos e suplementação medicamentosa com ferro.
Hemoglobina >11g/dL. Ausência de anemia. Manter suplementação de 40mg/
dia de ferro elementar e 400µg de ácido fólico, a partir da 20ª semana, devido à maior in-
tolerância no início da gravidez. Recomenda-se a ingestão uma hora antes das refeições.
Hemoglobina <11g/dL e >8g/dL: diagnóstico de anemia leve a moderada. So-
licitar exame protoparasitológico