Gestacao_alto_risco
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DisciplinaEnfermagem na Saúde Reprodutiva e Perinatal22 materiais206 seguidores
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com que os dados registrados ou informatizados estejam de fato disponíveis para o 
acesso dos usuários que os necessitam. A verdade é que muitas vezes esses registros 
ou não estão disponíveis, ou não existem, deixando a maioria da população desinfor-
mada, e assim violando seus direitos.
Observa-se uma verdadeira desvalorização cultural dos registros nas institui-
ções públicas e privadas, que se evidencia no preenchimento deficiente das fontes 
primárias, sejam elas prontuários, cartão de acompanhamento, ficha de evolução, par-
tograma, fichas de notificação etc.
Os serviços de saúde têm atribuições, objetivos e funções sociais distintas, e 
suas atividades envolvem diferentes níveis de complexidade, exigindo um conheci-
mento técnico-científico por parte dos profissionais. Na prática percebe-se que as 
unidades de saúde são estruturas burocratizadas, envolvidas em rotinas autoritárias, 
onde a tarefa de informar não é importante, mesmo quando existem princípios éticos 
e legais que asseguram esta prática, como o da integralidade na assistência.
Com o avanço técnico e científico e a ampliação da complexidade dos serviços 
de saúde surge a imperativa necessidade de adoção de normas, procedimentos, fluxos 
e registros como instrumentos de avaliação de qualidade do atendimento, demons-
trando suas falhas e apontando soluções prioritárias.
A ausência de dados necessários para o esclarecimento das condutas adotadas 
pode ser observada rotineiramente nos formulários oficiais existentes nas unidades e 
tem sido apontada com frequência nos relatórios de investigação epidemiológica ou 
mesmo nas solicitações legais, quando necessárias para auxílio da Justiça.
A inexistência dessas informações também tem contribuído para um aumento 
dos erros terapêuticos, ao dificultar uma melhor avaliação dos casos e uma adequada 
intervenção, além de favorecer a impunidade.
Nos casos de óbito, a insuficiência de informações registradas se reflete na di-
ficuldade da definição da causa básica do óbito. Considerando que a mortalidade ma-
terna tem alta magnitude e transcendência, o Ministério da Saúde estabeleceu com-
promisso de reduzir esta mortalidade. Reconhece que a identificação dos principais 
fatores de risco associados à morte possibilita a definição de estratégias de prevenção 
de novas ocorrências. Nesse sentido, regulamenta a investigação de todos os óbitos 
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maternos como disposto na portaria MS/GM n° 1.119, de 5 de junho de 2008. O instru-
mento base para o desencadeamento do processo de investigação é a declaração de 
óbito (DO), adequadamente preenchida em todos os campos.
O art. 8° dessa mesma portaria define que todos os consultórios médicos, uni-
dades de saúde ou qualquer outro serviço assistencial deverão, no prazo de 48 horas 
da solicitação da equipe de vigilância de óbitos maternos, franquear o acesso aos pron-
tuários das mulheres sob os seus cuidados que faleceram, nas condições e no período 
previstos no parágrafo 1º do art. 2º ou durante o período denominado idade fértil (10 a 
49 anos), para viabilizar o início oportuno da investigação da ocorrência. (BRASIL, 2008).
Diante de todos os avanços técnicos-científicos, a complexidade dos serviços 
de saúde regulada pelas normas, procedimentos e leis existentes recomenda que 
todos os profissionais de saúde mantenham os instrumentos de registro adequada-
mente preenchidos em todas as etapas do atendimento: anamnese, exame físico, 
dia gnóstico, tratamento, acompanhamento e encaminhamentos. Segundo recomen-
da o Manual Técnico do Ministério da Saúde, a anamnese deve ser feita de forma com-
pleta, registrando antecedentes pessoais e familiares, as características individuais, 
condições socioeconômicas, história reprodutiva pregressa, doença obstétrica atual 
e intercorrências clínicas. As orientações de um exame completo e adequado registro 
devem ser seguidas em todas as etapas do atendimento, visando a uma assistência 
integral e de qualidade às gestantes.
Nos procedimentos relativos ao pré-natal de alto risco, esses cuidados devem 
ser redobrados, uma vez que essa gestante poderá precisar ser avaliada por vários 
profissionais. Ressalte-se que nos serviços públicos de saúde as gestantes, na sua 
grande maioria, mesmo as de alto risco, não têm garantia de serem acompanhadas no 
parto pelo profissional que realizou o seu pré-natal.
O Ministério da Saúde, conselhos profissionais federais e estaduais, cumprindo 
suas atribuições, estabelecem normas e procedimentos para o acompanhamento do 
pré-natal e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Nessas resoluções é 
assinalado como dever do médico fazer constar no prontuário das gestantes as infor-
mações de que os exames anti-HIV, hepatite B e para a sífilis foram solicitados, bem 
como o consentimento ou negativa da mulher em realizar os exames.
Outro precioso instrumento que deve ser valorizado e devidamente preenchido 
é o cartão da gestante, que deve estar sempre à mão da mesma para qualquer eventua-
lidade e, quando bem preenchido, pode ajudar muito os profissionais que atenderão as 
possíveis intercorrências, pois não estarão de posse do prontuário da unidade de saúde.
Considerando que a gravidez e o parto são eventos sociais que integram a 
vivência reprodutiva de homens e mulheres e que os agravos à saúde da mulher e do 
recém-nascido podem ser decorrentes de uma assistência obstétrica de baixa quali-
dade, a Organização Mundial da Saúde, reforçada pelo projeto de maternidade segura 
do MS, determina como norma orientadora a utilização do Partograma em todas as 
maternidades públicas e privadas do País. Este documento deve, portanto, fazer parte 
do prontuário médico das parturientes. Saliente-se que o partograma é considerado 
instrumento legal importante de proteção à atividade profissional.
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Partograma é a representação gráfica do trabalho de parto que permite acom-
panhar, documentar, diagnosticar distocias e indicar a tomada de condutas apropria-
das para a correção destes desvios, e ainda evitar intervenções desnecessárias, me-
lhorando a qualidade da atenção ao nascimento. No partograma o tempo de trabalho 
de parto é registrado em horas, a partir da hora zero, momento em que se deve abrir, 
rigorosamente, o horário de hora em hora, para a contagem do tempo de trabalho de 
parto; a hora real é aquela em que se inicia o registro.
Os profissionais de saúde convivem hoje com uma nova realidade nos serviços 
de assistência, surge a cada dia um processo contra um médico ou um serviço, no 
que é denominado medicina defensiva. Nesse enfrentamento o profissional precisa 
ter os seus direitos também assegurados, e para tanto é necessário o cumprimento 
das normas e procedimentos estabelecidos na legislação vigente. É preciso que to-
dos se cons cientizem da importância do registro médico, principalmente naqueles 
casos onde acontece alguma intercorrência, onde as anotações serão consideradas 
fer ramentas fundamentais na elucidação dos casos nos fóruns, tanto administrativos 
como legais, podendo representar importante ferramenta na defesa do profissional. O 
regis tro realizado nos serviços de saúde é um direito que deve ser assegurado a todos 
e, mais que isso, é uma atitude de cidadania.
O profissional de saúde deve estar em completa sintonia com os direitos as-
segurados à gestante; eles devem ser respeitados para que se garanta uma gravidez 
saudável e um parto seguro. É importante que os direitos trabalhistas também sejam 
respeitados e é direito da gestante a declaração de comparecimento quando for às 
consultas do pré-natal ou fizer algum exame necessário ao acompanhamento de sua 
gravidez.
Finalmente, é importante reiterar a necessidade do adequado preenchimento 
de todos os instrumentos de registro disponíveis, para que a assistência prestada à 
gestação seja de qualidade; com isso se asseguram os direitos da gestante, lembrando