Gestacao_alto_risco
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DisciplinaEnfermagem na Saúde Reprodutiva e Perinatal22 materiais206 seguidores
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que o prontuário não pertence ao serviço e deve estar disponível para qualquer tipo 
de esclarecimento solicitado pela gestante ou por uma autoridade judiciária.
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A ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE PARA A 
ASSISTÊNCIA AO PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
A redução da morbimortalidade materna e perinatal está diretamente relaciona-
da com o acesso das gestantes ao atendimento pré-natal de qualidade e em tempo 
oportuno, no nível de complexidade necessário. Por isso, é necessário que estados e mu-
nicípios organizem a rede de atenção obstétrica, que contemple todos os níveis de com-
plexidade, com definição dos pontos de atenção e responsabilidades correspondentes. 
O atendimento pré-natal deve ser organizado para atender às reais necessidades 
de toda a população de gestantes de sua área de atuação por meio da utilização de co-
nhecimentos técnico-científicos e dos meios e recursos adequados e disponíveis. Além 
disso, deve-se proporcionar facilidade de acesso e continuidade do acompanhamento. 
Por isso, é de extrema relevância o trabalho das equipes de Saúde da Família (SF) (ou das 
equipes das UBS tradicionais), com o mapeamento da população da sua área de abran-
gência, respectiva classificação de risco das gestantes e a identificação dos equipamen-
tos de saúde responsabilizados para atendimento em cada caso específico.
A estruturação da rede implica na disponibilidade de serviços de pré-natal para 
o baixo e alto risco, planejamento familiar, serviços especializados para atendimento das 
emergências obstétricas e partos incluindo os de alto risco, leitos de UTI neonatal e para 
adultos, leitos de berçário para cuidados intermediários, assim como, eventualmente, a 
constituição de casas de apoio a gestantes de risco com dificuldades de acesso geográ-
fico ou a puérperas que sejam mães de bebês que necessitam permanecer internados. 
Também implica na humanização do atendimento por meio da sensibilização e da atua-
lização profissional das equipes do sistema como um todo. Esses serviços podem coexis-
tir num mesmo município ou estar organizados em uma região de saúde. Os parâmetros 
de assistência pré-natal e ao parto já são estabelecidos, porquanto os gestores têm como 
saber qual é a demanda e qualificar a rede, com adequação da cobertura, capacitação de 
recursos humanos e elaboração de protocolos.
Embora essas ações já venham sendo preconizadas pelo Ministério da Saúde 
desde 2000 no Programa Nacional de Humanização do Pré-Natal e Nascimento (PHPN) 
\u2013 Portarias nº 569, nº 570, nº 571 e nº 572 \u2013, ainda encontram-se deficiências e estran-
gulamentos, principalmente para partos de alto risco. Por isso, as centrais de regu-
lação têm papel fundamental na rede e devem ser implantadas ou modernizadas 
de modo a permitir uma melhor distribuição e atendimento de toda a demanda de 
modo eficiente, eficaz e efetivo. Contudo, essas centrais de regulação só conseguem 
gerenciar o fluxo adequado quando o mapeamento da rede e sua estruturação estão 
devidamente pactuados com os gestores locais (estaduais, municipais, regionais e dos 
serviços).
Nesse sentido, é preciso definir as responsabilidades de cada unidade de saúde 
na linha de produção do cuidado à gestante com sua devida estratificação de risco, 
incluindo a especificidade da gestação de alto risco, as competências da unidade 
de saúde e as competências da maternidade na assistência à gestante de alto risco. 
Os municípios devem estabelecer o seu próprio fluxo, incluindo a remoção, quando 
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é necessário o encaminhamento para outros municípios, garantindo o atendimento 
continuado da gestante e transporte adequado para assisti-la no trabalho de parto e 
em outras intercorrências. 
O ponto de interlocução da rede assistencial é a atenção básica de saúde, que é 
responsável pela captação precoce das gestantes, atendimento ao pré-natal de risco ha-
bitual, identificação de gestantes de alto risco e encaminhamento para os serviços de 
referência. Para que isso ocorra com eficiência, os serviços de atenção básica devem estar 
equipados adequadamente e possuir a capacidade instalada de fornecer o apoio diagnós-
tico necessário, com disponibilidade de exames e medicamentos básicos, assim como ofe-
recer atendimento periódico e contínuo extensivo à população sob sua responsabilidade.
A captação precoce das gestantes e o início imediato da assistência pré-natal 
com avaliação de riscos pode ser facilitada pela utilização dos meios de comunicação, 
visitas domiciliares e atividades educativas coletivas, porém o serviço deve proporcio-
nar rapidez e eficiência no atendimento, pois para se vincular ao serviço a gestante 
precisa perceber uma qualidade que corresponda à sua expectativa. A qualidade da 
assistência pré-natal prestada também é fundamental para um melhor resultado, ou 
seja, redução de mortalidade e morbidade materna e perinatal evitáveis. Assim, a as-
sistência deve ser resolutiva e capaz de detectar e atuar sobre as situações de risco real. 
A linha de cuidado das gestantes pressupõe o acompanhamento por parte das 
equipes da estratégia da Saúde da Família ou da atenção básica tradicional, mesmo 
quando são de alto risco, em conjunto com o atendimento dos serviços de referên-
cia/especializados. Para isso um sistema de referência e contrarreferência eficiente é 
fundamental. A gestação de risco que demandar referência poderá ser encaminhada 
primeiramente aos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf ) ou ambulatórios de 
referência que, havendo necessidade de atendimento mais especializado, poderão en-
caminhar aos ambulatórios de nível terciário, com especialistas.
Cabe ainda destacar a importância da abordagem integral às mulheres, con-
siderando-se as especificidades relacionadas às questões de gênero, raça, etnia, classe 
social, escolaridade, situação conjugal e familiar, trabalho, renda e atividades laborais, 
possibilidade de situação de violência doméstica e sexual, uso abusivo de álcool e ou-
tras drogas, entre outras. Essa atenção implica na valorização de práticas que privile-
giem a escuta e a compreensão sobre os diversos fenômenos que determinam maior 
ou menor condição de risco à gestação. 
O acolhimento da gestante pela equipe de saúde, independentemente dos fa-
tores acima relacionados e despido de julgamentos, além de qualificar a assistência, 
possibilitará o estabelecimento de vínculos, maior responsabilização pelo processo 
de cuidado, e o manejo sobre situações de vulnerabilidade relacionadas ao processo 
saúde-doença, sejam elas individuais, sociais e até mesmo programáticas. 
Entende-se que tal abordagem seja de fundamental importância na organização 
dos serviços para a assistência ao pré-natal de alto risco, permitindo que as gestantes 
possam ocupar o espaço de protagonistas no processo de cuidado de sua saúde, estabe-
lecendo parceria com os profissionais para a obtenção de melhores resultados. 
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CUIDADOS COM A SAÚDE BUCAL EM
GESTANTES DE ALTO RISCO
A boca é um órgão de vascularização intensa e por isso todas as mudanças fi-
siológicas e imunológicas influenciam nas estruturas da cavidade bucal, levando a um 
maior ou menor grau de gravidade, sendo que na gestação ocorrem alterações diversas, 
desde hormonais e biológicas até comportamentais. Como já mencionado, durante o 
pré-natal é necessário que o acompanhamento da gestante seja multiprofissional, in-
cluindo o odontólogo, e o prontuário deve ser único, para que todos profissionais pos-
sam acompanhá-la integralmente, conhecendo a problemática já identificada.
Assim que a gestante iniciar o seu pré-natal é importante que o seu médico (a), 
enfermeiro(a) ou agente comunitário de saúde faça o encaminhamento para o profis-
sional da área de saúde bucal, para que busquem integrar o atendimento/acompan-
hamento. A integração da equipe com este profissional é de suma importância para 
o diagnóstico precoce das condições