fisiopatologia e farmacoterapia
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fisiopatologia e farmacoterapia


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de euros para os seus alunos e tem feito dúzias de telefonemas 
interurbanos. Faltou às reuniões escolares de preparação do novo ano lectivo e iria começar as 
aulas durante a semana seguinte. Contudo, na altura em que se realizou o exame inicial, tinha 
reservado um bilhete de avião para o Brasil, com partida marcada para algumas horas mais 
tarde. 
Diagnóstico: Doença bipolar, episódio de mania. 
 
 
 
 
 
 
 
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3.3. Tratamento 
 3.3.1. Lítio 
O tratamento da mania é realizado através da administração oral de um ião inorgânico na 
forma de carbonato de lítio. O mecanismo de acção não é totalmente compreendido, 
suspeitando-se que este possa interferir com a formação de inosiltrifosfato e AMPc. 
Trata-se de um fármaco importante, não só no tratamento mas também na profilaxia, 
apresentando uma taxa de eficácia de 70 a 80% em 1 a 2 semanas. Os efeitos terapêuticos 
podem ser observados ao fim de 7-10 dias de tratamento. Durante este período, poderá ser 
administrado Lorazepam (1 a 2mg a cada 4 horas) ou Clonazepam (0,5 a 1mg a cada 4 horas) 
para controlar a agitação. 
Esta terapêutica apresenta bastantes inconvenientes, obrigando à monitorização 
sanguínea semanal do fármaco, devido à estreita janela terapêutica, especialmente quando os 
doentes apresentam concomitantemente doença renal. 
As reacções adversas graves são raras. Como principais reacções adversas citam-se: 
náuseas, sede, poliúria, hipotiroidismo, hipercalcémia, tremor, fraqueza, confusão mental, 
dificuldades de concentração, incoordenação, ataxia e teratogénese. A dose excessiva aguda 
causa confusão, convulsões e disritmias cardíacas. Estão ainda descritas interacções com IECAS, 
analgésicos, anti-hipertensores, cisapride, diuréticos, agonistas 5-HT1, metoclopramida, 
domperidona, relaxantes musculares, parassimpático-miméticos e teofilina. 
 
3.3.2. Outros fármacos 
Estas terapêuticas possuem bastantes efeitos adversos, como apatia excessiva, entre 
outros, pelo que os doentes tendem a rejeitar estes medicamentos. 
 
A - Carbamazepina 
A carbamazepina é um anticonvulsivante que apresenta um espectro de reacções adversas 
descritas relacionadas essencialmente com o tubo digestivo, a pele e o sistema nervoso central. 
Deve-se realizar controlo hematológico antes e durante o tratamento, uma vez que existe risco 
de estabelecimento de anemia aplástica e agranulocitose. A carbamazepina possui ainda acção 
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anticolinérgica, podendo desencadear ou agravar situações de glaucoma e sindromas 
confusionais em doentes idosos. 
 
B \u2013 Valproato 
Fármaco utilizado em pacientes que não respondem, respondem pouco ou não toleram a 
terapêutica com lítio. Verificou-se que a sua administração é vantajosa em pacientes que 
experimentam ciclos rápidos (ex.: mais de 4 episódios por ano) ou em pacientes que apresentam 
mania disfórica. 
É hepatotóxico e como tal, a função hepática deve ser avaliada antes e depois do início da 
medicação, a intervalos curtos, durante os primeiros seis meses. 
Como reacções adversas comuns citam-se: náuseas, vómitos, tremor aumento do peso e 
trombocitopenia. 
Encontram-se descritas interacções com o álcool e outros depressores do SNC, que levam 
à potenciação do efeito depressor. Anticonvulsivantes e barbitúricos aumentam os seus níveis 
plasmáticos quando co-administrados com valproato. A co-administração com ácido 
acetilsalicílico, dipiridamol e varfarina pode elevar o risco de hemorragia. A associação com 
clonazepam pode precipitar-se crises de ausências. Os salicilatos e a cimetidina podem aumentar 
os níveis do valproato e a colestiramina reduz a sua absorção. 
 
C \u2013 Antipsicóticos típicos 
Os antipsicóticos atípicos podem ser importantes no tratamento da mania aguda (para 
mais informações consultar pág.73), para controlar a agitação em doentes refractários às 
benzodiazepinas. 
Como efeitos adversos indesejáveis citam-se: reacções extrapiramidais, Parkinsonismo 
induzido, distonia, acatísia e discinésias. Como tal, a utilização destes fármacos encontra-se 
limitada. 
 
 
 
 
 
 
Cloropromazina, Haloperidol 
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D \u2013 Antipsicóticos atípicos 
Os antipsicóticos atípicos podem ser importantes no tratamento da mania aguda (para 
mais informações consultar pág. 73), para controlar a agitação em doentes refractários às 
benzodiazepinas. Parece existir maior tolerância, relativamente aos sintomas extrapiramidais, 
registando-se melhorias na qualidade de vida destes doentes. 
São eficazes em doses baixas, não induzindo efeitos adversos neurotóxicos. 
Podem ser utilizados em monoterapia ou em combinação com estabilizadores do humor 
tradicionais (lítio, valproato de sódio) ou carbamazepina, registando-se um aumento da adesão à 
terapêutica por parte dos doentes bipolares. 
 
 
 
3.3.3. Terapêuticas experimentais 
\u2022 Outros anticonvulsivantes: levetiracetam, fenitoína; 
\u2022 Tamoxifeno; 
\u2022 Mexiletine (antiarrítmico, anticonvulsivante, analgésico); 
\u2022 Ácidos gordos W3 - constituintes naturais das gorduras animais e vegetais. 
\u2022 Calcitonina; 
 
Nota: 
Na mania podem ainda ser utilizados: a Lamotrigina, Gabapentina, Topiramato, 
Benzodiazepinas como adjuvante (causando sedação), antidepressivos nas fases de depressão 
severa, devendo ser evitados no tratamento de manutenção uma vez que existe risco de 
precipitarem mania ou acelerarem a frequência dos ciclos. A perda da eficácia com o tempo 
obriga a adopção de uma terapêutica combinada. 
 
 
 
 
Clozapina, Olanzapina, Quetiapina, Risperidona e Ziprazidona 
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\u201cThe Scream\u201d - Edvard Munch 
 
4 - PERTURBAÇÕES DA ANSIEDADE 
 
4.1. Ansiedade 
Trata-se de uma sensação benéfica e 
fundamental para a competência social e 
profissional. No entanto, quando esta sensação é 
constante e exagerada, podem-se gerar conflitos 
que perturbam gravemente o indivíduo, 
evoluindo para uma situação patológica. 
A ansiedade, enquanto estado patológico, 
corresponde a 15-20% das diferentes situações 
clínicas apresentadas em psiquiatria. É uma 
desordem com mais semelhanças às neuroses 
que às psicoses, uma vez que o indivíduo é 
capaz de identificar a causa. 
A ansiedade reactiva é uma ansiedade 
que se inicia devido a um acontecimento/situação perturbadora. Por exemplo, quando é 
diagnosticada uma doença os pacientes geram apreensão em relação ao prognóstico da mesma. 
Por outro lado, existem fármacos, como os antidepressivos (ex.: fluoxetina) que são altamente 
ansiogénicos durante as primeiras semanas de administração. É por este motivo que muitos 
clínicos optam por fazer uma associação entre ansiolíticos e antidepressivos. 
Caso a ansiedade seja focalizada em algo, pode evoluir para uma fobia. A fobia é algo 
muito subjectivo que se caracteriza por um medo intenso focalizado num 
objecto/situação/espaço. 
 
4.2. Ataques de pânico 
 Por definição, são imprevisíveis e recorrentes. Surgem instantaneamente e caracterizam-
se por um aumento progressivo e abrupto dos sintomas durante 10 minutos. Passado cerca de 60 
minutos estes sintomas desaparecem. Podem ser facilmente confundidos com problemas 
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cardiovasculares, respiratórios, neurológicos e endócrinos sendo fundamental a realização de 
diagnóstico diferencial. 
Parece existir prevalência de ataques de pânico em determinados períodos da vida, 
nomeadamente após a adolescência