Políticas Públicas Ambientais no Estado do Amazonas
39 pág.

Políticas Públicas Ambientais no Estado do Amazonas


DisciplinaPolíticas Públicas e Planejamento Governamental6 materiais93 seguidores
Pré-visualização11 páginas
o entendimento de Gormley, um assunto é saliente quando \u201cafeta um 
grande número de pessoas de modo significativo\u201d e é complexo quando \u201clevanta 
questões fatuais que não podem ser respondidas por generalistas ou amadores\u201d. 
 
Tipologia de Gustafsson 
Outra tipologia é aquela proposta por Gustafsson, que tem como critério de 
distinção o conhecimento e a intenção do policymaker. 
Quadro 3 \u2013 tipologia de políticas públicas de Gustafsson 
 Intenção de implementar a política 
pública 
Sim Não 
Conhecimento para a 
elaboração e 
implementação 
Disponível Política real Política simbólica 
Indisponível 
Pseudopolítica Política sem sentidos 
As políticas públicas reais são aquelas que incorporam a intenção de resolver 
um problema público com o conhecimento para resolvê-lo. Essas são as políticas 
públicas ideais, e os policymakers geralmente clamam que suas políticas 
públicas pertencem a essa categoria. 
As políticas simbólicas são aquelas em que os policymakers até possuem 
condições de elaborá-la, mas intimamente não demonstram grande interesse em 
colocá-las em prática. 
Da mesma forma que tipologia Lowi, Gustafsson admite que sua tipologia seja 
um ideal-tipo, bastante útil para análise, mas com limitações práticas. 
Frequentemente as políticas públicas acumulam aspectos de realidade, 
efetividade, simbolismo e incompetência. 
 
Tipologia de Bozeman e Pandey 
Outra forma de distinguir as políticas públicas de acordo com seus conteúdos é 
a distinção entre conteúdo técnico e conteúdo político. 
Políticas públicas de conteúdo essencialmente político são aquelas que 
apresentam conflitos relevantes no estabelecimento de objetivos e no 
ordenamento de objetivos e, de alguma forma, ganhadores e perdedores da 
política pública são identificáveis antes da implementação. 
Políticas públicas de conteúdo técnico apresentam poucos conflitos com relação 
aos objetivos e ao ordenamento dos objetivos, embora possam aparecer 
conflitos com relação aos métodos. 
 
Modelos de formulação e análise de tomada de decisão das políticas 
públicas 
Segunda Secchi, o primeiro entendimento, que problemas nascem primeiro e 
depois são tomadas as decisões, está presente nos modelos de racionalidade, 
que são dois: modelo de racionalidade absoluta onde a decisão é considerada 
como uma atividade puramente racional, em que custos e benefícios das 
alternativas são calculados pelos atores políticos para encontrar a melhor opção 
possível e, o modelo de racionalidade limitada, o qual reconhece que os 
tomadores de decisão sofrem limitações cognitivas e informativas, e que os 
atores não conseguem entender a complexidade com que estão lidando, 
portanto, a tomada de decisão é interpretada como um esforço para escolher 
opções satisfatórias, mas não necessariamente ótimas. 
Em contraste aos modelos de racionalidade, o modelo incremental comporta três 
características principais: problemas e soluções são definidos, revisados e 
redefinidos simultaneamente e em vários momentos da tomada de decisão; as 
decisões presentes são consideradas dependentes das decisões tomadas no 
passado e os limites impostos por instituições formais e informais são barreiras 
à tomada de decisão livre por parte do policymaker; as decisões são 
consideradas dependentes dos interesses dos atores envolvidos no processo de 
elaboração a política pública e, por muitas vezes a solução escolhida não é a 
primeira opção, mas sim aquela que foi politicamente lapidada em um processo 
de consensos e de ajuste mútuo de interesses. 
O modelo dos fluxos múltiplos é aquele em que os policymakers criam soluções 
para depois correr atrás dos problemas para solucionar. Esse modelo é 
interpretativo de adaptado do modelo da lata do lixo no qual as decisões são 
meros encontros casuais dos problemas, das soluções e das oportunidades de 
tomada de decisão. 
 
Políticas públicas ambientais 
Entende-se por política pública ambiental o conjunto de objetivos, diretrizes e 
instrumentos de ação que o poder público dispõe para produzir efeitos 
desejáveis sobre o meio ambiente. A participação cada vez mais intensa dos 
Estados nacionais em questões ambientais e a diversidade dessas questões 
fizeram surgir uma variedade de instrumentos de políticas públicas ambientais 
de que o poder público pode se valer para evitar novos problemas ambientais, 
bem como eliminar ou minimizar os existentes. Esses instrumentos podem ser 
explícitos ou implícitos. 
Os primeiros são criados para alcançar efeitos ambientais benéficos específicos, 
enquanto os segundos alcançam tais efeitos pera via indireta, pois não foram 
criados para isso. 
Por exemplo uma lei para ordenar o trânsito de veículos numa grande cidade e 
evitar congestionamentos, acabará indiretamente melhorando a qualidade do ar, 
reduzindo o nível de ruído e a utilização de recursos, pois os veículos podem 
trafegar com marchas mais leves. Investimentos em educação tornam a 
população mais consciente dos problemas ambientais, aumentando assim o 
contingente de pessoas que estarão cobrando melhor desempenho das 
empresas e dos órgãos ambientais governamentais. Os exemplos envolvem as 
mais variadas situações e não poderia ser diferente, pois qualquer ação humana 
afeta o meio ambiente. Por isso, quando se fala em instrumentos de política 
pública ambiental, geralmente se quer indicar aquele que visa diretamente às 
questões ambientais, ou seja, os instrumentos explícitos, que por sua vez podem 
ser classificados em três grandes grupos. 
Quadro 4 \u2013 Instrumentos de política pública ambiental \u2013 classificação e exemplos 
Gênero Espécie 
Comando e controle 
\uf0b7 Padrão de emissão 
\uf0b7 Padrão de qualidade 
\uf0b7 Padrão de desempenho 
\uf0b7 Padrões tecnológicos 
\uf0b7 Proibições e restrições sobre produção, 
comercialização e uso de serviços e processos 
\uf0b7 Licenciamento ambiental 
\uf0b7 Zoneamento ambiental 
\uf0b7 Estudo prévio de impacto ambiental 
Econômico 
\uf0b7 Tributação sobre poluição 
\uf0b7 Tributação sobre uso de recursos naturais 
\uf0b7 Incentivos fiscais para reduzir emissões e 
conservar recursos 
\uf0b7 Remuneração pela conservação de serviços 
ambientais 
\uf0b7 Financiamentos em condições especiais 
\uf0b7 Criação e sustentação de mercados de produtos 
ambientalmente saudáveis 
\uf0b7 Permissões negociáveis 
\uf0b7 Sistema de depósito-retorno 
\uf0b7 Poder de compra do Estado 
Outros 
\uf0b7 Apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico 
\uf0b7 Educação ambiental 
\uf0b7 Unidades de conservação 
\uf0b7 Informações ao público 
 
Breve desenvolvimento histórico da política ambiental brasileira 
No Brasil, a política ambiental é produto de vários processos políticos nacionais 
e internacionais. É opinião unânime dos estudiosos do assunto que o país não é 
penalizado pela falta de instrumentos ou de legislação adequada em matéria de 
política ambiental, mas, sim, pelos entraves políticos e institucionais para sua 
implementação. A história da política ambiental é caracterizada pela evolução 
gradativa do quadro institucional e legislativo nas três esferas do poder público 
\u2013 federal, estadual e municipal. Até 1972, ano da Conferência de Estocolmo, não 
havia propriamente uma política ambiental. Existiam leis que tratavam de 
questões específicas, como o código de águas (1934), o código florestal (1965) 
e o código de caça e pesca (1967). Não havia uma ação coordenada de governo 
ou uma entidade gestora específica. Em 1973 foi criada a Secretaria Especial de 
Meio Ambiente (SEMA), no nível federal, sob a coordenação do Ministério do 
Interior, responsável então pelas grandes obras públicas de infraestrutura. O 
trabalho da SEMA se concentrava no problema da poluição industrial e rural e 
as