Imunologia resumo
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Imunologia resumo


DisciplinaProcessos Gerais de Agressao e Defesa22 materiais168 seguidores
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convertase da via clássica é a combinação de fragmentos C4b2a, e na via alternativa a convertase é a 
combinação de C3 com o fator B (C3bBb). O C3b gerado a partir de C3bBb liga-se à membrana do patógeno, promovendo a 
produção contínua de C3b num processo denominado alça de amplificação. 
Ambos os tipos de C3-convertase (C4b2a e C3bBb) podem se combinar com outra molécula de C3b e se transformar 
em C5-convertase (C4b2a3b) \u2013 um convertase que catalisa o primeiro passo para um cascata que leva a produção de 
complexos de ataque à membrana. 
- ATIVAÇÃO DA VIA CLÁSSICA: esta via é ativada a partir da ligação de C1q a anticorpos presentes na superfície do 
patógeno. O C1 é um complexo pentamolecular que consiste de uma única molécula de C1q, duas de C1r e duas de C1. O 
anticorpo liga-se a dois ou mais domínios globulares de C1q e este se liga ao domínio Ch2 da porção Fc do anticorpo IgG e, num 
anticorpo IgM, pode-se ligar ao domínio Ch3 deste. Essa ligação provoca a auto-ativação das moléculas C1r que clivam as 
outras duas moléculas C1s, originando as serinas-esterases C1s. A C1s ativada cliva C4 gerando os fragmentos C4a (com 
atividade de anafilatoxina) e C4b (um intermediário propício a ataque nucleofílico) que pode se ligar à superfície do patógeno. 
Uma vez ligado, C4b age como sítio de ligação para o zimogênio C2. O C2 também é clivado por C1s para liberar C2b, enquanto 
que C2a permanece ligado a C4b, originando C4bC2a (a enzima C3-convertase da via clássica). A C3-convertase cliva a C3 
liberando o fragmento C3a e C3b, este último fica suscetível a interação nucleofílica e, quando ligado, esse fragmento atua 
como focalização para ativação do complemento através da alça de amplificação da via alternativa. A partir daí a reação em 
cadeia segue-se de igual modo em ambas as vias: a C3-convertase pode se ligar a C3b para gerar enzimas convertases de C5 
que ativam o C5 do sistema complemento. Na via clássica a C5-convertase é o complexo C4b2a3b. 
Regulação da via clássica: a via clássica é regulada por dois mecanismos \u2013 o primeiro inativa C1r e C1s através de 
uma serina proteinase inibidora; e a segunda bloqueia a formação de C3-convertase através da presença do Fator I e da 
proteína ligante de C4 (a C4-bp) que juntos catabolizam C4. A C4-bp também promove a dissociação de C2a do complexo 
C4b2a. A ativação da via clássica também é regulada pela inibição da ligação do complemento à superfície do patógeno através 
das proteínas de controle do complemento (CCP), do fato de aceleração do decaimento (DAF), os receptores do complemento 
(CR1) e a proteína co-fator de membrana (MCP) que cliva C3b. Essas moléculas atuam da seguinte maneira: promovem a 
dissociação e inibem a ligação de C2 a C4b, promovendo a \u201caceleração do decaimento\u201d (DAF ou CR1); e atuam como co-fatores 
para promover o catabolismo de C4b pelo Fator I (MCP ou CR1). 
- ATIVAÇÃO DA VIA ALTERNATIVA: esta via pode ser ativada espontaneamente a partir da ligação de C3b à superfície 
do patógeno. A C3 possui uma ligação tioéster interna nativa suscetível à hidrólise espontânea, gerando uma forma ativa de C3 
conhecida como C3i. Essa ativação contínua no plasma é conhecida como ativação tick-over. C3i atua como um sítio de ligação 
para o Fator B para produzir C3iB (semelhante à ligação de C2 a C4b). O complexo C3iB é clivado pelo Fator D, liberando Ba e 
formando C3iBb (uma C3 convertase de fase fluida). Como a convertase atua em fase fluida, grande parte do C3b gerado pela 
C3-convertase é hidrolisado e inativado por água. Esse fragmento também é regulado pelas proteínas de controle que 
impedem a iniciação da alça de amplificação pelo C3b que possivelmente se ligue a superfícies autólogas (próprias do 
indivíduo). Entretanto, esse fragmento pode entrar em contato com uma superfície não-própria e iniciar a alça de amplificação. 
Esse processo se inicia devido os microorganismos possuírem superfícies que \u201cprotegem\u201d o C3b da degradação proteolítica, 
sendo assim capazes de realizar uma boa ativação do complemento. Isso ocorre porque as proteínas reguladoras não estão 
presentes nas superfícies estranhas, logo, estas \u201cprotegem\u201d o C3b da inativação pelas proteínas, e ele fica mais propício para 
se ligar ao Fator B do que ao Fator H (uma proteína de controle). A ligação de C3b a uma superfície não-própria permite a 
iniciação da amplificação que resulta na ligação de outras moléculas de C3b na mesma superfície (esse é um processo de 
retroalimentação positiva que recicla até que todo C3 seja clivado, a menos que seja controlado). Desta forma, a C3 convertase 
é constantemente formada até que seja regulada. Assim, o C3b na superfície fixa o fator B, originando B3bB, que é clivado pelo 
Fator D que libera o fragmento Ba e deixa C3bBb ligado à superfície. Este complexo pode se dissociar com alta rapidez, a 
menos que seja estabilizado pela properdina, formando o complexo C3bBbP (a enzima C3-convertase da via alternativa). A 
localização dessa convertase indica que o C3b gerado nesta reação tende a se ligar às superfícies próximas. Como visto, a C3-
convertase pode se ligar a outra C3b para formar a C5-convertase que ativam a C5. Na via alternativa a C5-convertase é o 
complexo C3bBb3b. 
Regulação da via alternativa: esta via é regulada eficientemente na fase fluida, na qual o C3b não se liga a superfícies 
devido ao impedimento provocado por proteínas semelhantes às do controle do complemento que inibem a ativação da via 
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clássica: o Fator H (homólogo do C4-bp) promove a dissociação de Bb de C3i e C3b; o DAF e o CR1 aceleram a dissociação de 
C3bBb, promovendo a liberação de C3b do complexo; CR1 e MCP atuam como co-fatores para a clivagem de C3b pelo Fator I. 
Desta forma, o controle de C3b é importante para a distinção do próprio e não-próprio pelo sistema complemento. Uma vez 
ligado, o C3b possui dois destinos: a amplificação (onde o C3b forma a enzima convertase juntamente com o fator B, 
focalizando a deposição de moléculas adicionais de C3b à mesma superfície); e a inibição (onde C3b é catabolizado pelo fator I 
que utiliza os co-fatores CR1, MCP e Fator H). 
A fase final da ativação do complemento é a formação do complexo de ataque à membrana (MAC) a partir da 
clivagem enzimática de C5 pela C5-convertase (C4b2a3b na via clássica, e C3bBb3b na via alternativa) que libera os fragmentos 
C5a e C5b. A formação subseqüente do MAC é não-enzimática e se dá pela sucessiva ligação de C5b com C6, formando C5b6 
que se liga a C7, originando o complexo C5b67. A ligação de C7 marca a transição do complexo de um estado hidrofílico para 
um estado hidrofóbico que se insere na camada bilipídica do patógeno. C8 então se liga ao complexo C5b67 e em seguida 
ocorre a adição ordenada de aproximadamente 14 monômeros de C9, levando à formação de um \u201cbotão lítico\u201d ou complexo 
formador de poros. Ainda que uma pequena lise ocorra quando C8 se une ao complexo C5b67, é o C9 polimerizado que causa 
a maior lise. 
 
 
IMUNIDADE ADQUIRIDA / ADAPTATIVA 
 
As células do sistema imune adquirido estão presentes, no sangue, na linfa, em órgão linfóides e em quase todos os 
tecidos. Esse sistema possui alguns desafios: 
\uf0e0 Deve ser capaz de responder a pequenos números de microorganismos que entrem no organismo por qualquer 
lugar do corpo; 
\uf0e0 Poucos linfócitos naïves reconhecem e respondem especificamente a qualquer antígeno. 
\uf0e0 Os mecanismos efetores desse sistema devem ser capaz de localizar e destruir microorganismos em locais 
distantes do local da infecção viral. 
O primeiro passo para a resposta imunológica adquirida é a captura de antígenos e seu transporte para os órgãos 
linfóides, onde as células apresentadoras de antígenos (APC) exibem esses antígenos reconhecimento do linfócito específico. 
Em seguida os linfócitos naïves migram desses órgãos linfóides, onde reconhecem o antígeno, e iniciam a resposta 
imunológica. Simultaneamente,