Melhoramento genético aplicado a produção animal - Jonas Carlos Campos Pereiro
298 pág.

Melhoramento genético aplicado a produção animal - Jonas Carlos Campos Pereiro


DisciplinaMelhoramento Animal347 materiais2.676 seguidores
Pré-visualização50 páginas
a correlação entre o valor gênico de duas características. A
pleiotropia tem sido a causa desta correlação. A pleiotropia define o processo
em que um mesmo gene pode afetar duas ou mais características.
Embora a pleiotropia seja a causa principal da correlação genética, é
possível que, na complexidade genética que é o genótipo do animal, existam
genes agindo favoravelmente (sinergisticamente) e outros antagonicamente
sobre duas características. Se isto ocorre, mesmo havendo pleiotropia, não
haverá correlação genética, se os dois efeitos se anularem.
Outra possível causa da correlação genética é a ligação de genes
("linkage") que influenciam duas características. A contribuição da ligação de
genes tende a decrescer em cada geração, à medida que estas ligações são
quebradas pelo "crossing-over". Esta taxa de quebra de ligação entre os genes
está relacionada com a distância entre estes.
A conseqüência da correlação genética, do ponto de vista de
melhoramento genético, é que se duas características economicamente
importantes mostram uma correlação altamente positiva, a ênfase na seleção
deverá ser apenas numa, para o melhoramento em ambas, reduzindo, desse
modo, o número de características a serem selecionadas. Se as características
não mostram nenhuma correlação, a seleção de uma não afetará a outra; e se
estão negativamente correlacionadas, a seleção para a melhoria de uma poderá
não ser vantajosa, em virtude da redução na segunda. Como exemplos temos a
seleção visando aumento da produção de leite, que, em geral, causa redução no
teor de gordura; ou seleção visando aumento da produção de ovos que resulta
em decréscimo do seu peso. Portanto, o progresso simultâneo dessas
características é difícil de ser atingido.
será igual a:
No entanto, se aentão
Reprodutor
Vaca/reprodutor
Progênie
Total
96
Por outro lado, a correlação observada entre duas características pode
ocorrer por causa do meio comum entre elas, causando a correlação de meio
entre ambas.
Em conseqüência, a correlação observada na população, denominada
correlação fenotípica, não dá idéia de magnitude de suas componentes genética
e ambiente.
As análises de variância e covariância permitem estimar as correlações
onde
correlação genética entre as características 1 e 2
fórmula:
O erro-padrão da correlação genética, comumente, é dado pela seguinte
Geralmente, as estimativas de correlações genéticas estão associadas a
elevados erros-padrão, possivelmente por envolver características diferentes e
medidas em diferentes animais.
A correlação fenotípica é dada pela expressão:
onde
Esta fórmula pode ser desdobrada, segundo seus componentes, em:
97
genéticas fenotípicas (rp) e ambientes Tab. 7.1), conforme mostram as
fórmulas seguintes:
variâncias genéticas aditivas das características 1 e 2
covariância genética aditiva entre as características 1 e 2
desde que
correlação fenotipica entre as características 1 e 2
= covariâncias fenotípicas entre as características 1 e 2
variâncias fenotípicas entre as características 1 e 2
Vê-se que a relação entre não é tão fácil de ser visualizada.
A correlação ambiente é uma medida da relação entre a covariância
e as variâncias ambientes e genéticas não aditivas de ambas as características.
Quando alta e positiva significa que as condições ambientes e os efeitos dos
fatores genéticos não aditivos, quando as características foram observadas,
foram semelhantes na sua influência sob ambas as características.
A sua expressão é dada pela seguinte fórmula:
covariância de meio ambiente entre as características X e Y
covariância entre reprodutores para as características X e Y
variâncias de meio ambiente, respectivamente, das característica;
X e Y .
98 T
X e Y.
Para exemplificar o processo estatístico de avaliação da correlação
genética podem ser citadas as análises de variância e covariância dos pesos
aos 180 e aos 270 dias de idade de animais da raça Nelore (Tab. 7.1).
Tabela 7.1 - Análises de variância e covariância de pesos ajustados aos 180
(P180) e aos 270 (P270) dias de idade de animais da raça Nelore.
Fonte: Bergmann (1982)
1. Determinação da herdabilidade (h2) do peso aos 180 dias de idade
2. Determinação da herdabilidade (h2) do peso aos 270 dias de idade
99
3. Determinação da correlação genética
270 dias de idade.
A correlação genética
Com o conhecimento anterior das covariâncias e variâncias, a correlação
fenotípica entre os pesos aos 180 e 270 dias de idade será:
5. Determinação da correlação ambiente
dias de idade.
261,94
= 261,69
= 478,40
variâncias entre reprodutores, respectivamente, das características
= 19,03
= 9,12
entre os pesos aos 180 e aos 270
4. Determinação da correlação fenotípica
270 dias de idade.
entre os pesos aos 180 dias e aos
entre os pesos aos 180 dias e aos
entre os pesos será :
= 7,88
100
logo
Análises de variância e de covariância dos pesos de leitegada ao nascer (PN)
aos 21 dias de idade (P21), de suínos da raça Duroc.
1. Cálculo de herdabilidade do peso da leitegada ao nascer
2. Cálculo da herdabilidade do peso da leitegada aos 21 dias de idade
3 Cálculo da correlação genética entre pesos da leitegada ao nascer e aos
21 dias de idade
entre pesos da leitegada ao nascer e
aos 21 dias de idade
4. Cálculo da correlação fenotípica
102
103
5. Cálculo da correlação ambiente (rE) entre pesos da leitegada ao nascer e aos
21 dias de idade.
Na Tabela 7.2 são apresentadas as correlações genéticas de
características econômicas dos bovinos de corte e leite, suínos e aves. Os
valores devem ser estimados em cada população, visando assegurar maior
eficiência na escolha dos processos seletivos.
Tabela 7.2 - Correlações genéticas entre características econômicas em bovinos
de corte, leite, suínos e aves
Características
Bovinos de Corte
Peso ao nascer / peso à desmama
Peso ao nascer / ganho em confinamento
Peso à desmama / ganho em confinamento
Peso aos 12 meses / peso aos 18 meses
Peso aos 12 meses / peso aos 24 meses
Peso aos 18 meses / peso aos 24 meses
Ganho de 12 a 18 meses / ganho dos 18 a 25 meses
Correlações genéticas
0,58
0,56
0,58
0,79
0,59
0,93
0,30
Bovinos de leite
Produção de leite / % de gordura
Produção de leite / % de sólidos não gordurosos
Produção de leite / produção de gordura
Produção de gordura / produção de sólidos não
gordurosos
Produção de gordura / proteína total
-0,07 a -0,67
-0,02 a -0,20
0,70 a 0,80
0,30 a 0,70
0,40 a 0,70
Suínos
Ganho / eficiência alimentar
Ganho / espessura do toucinho
Conversão alimentar / comprimento da carcaça
-0,70 a-1,00
-0,25 a+0,13
-0,10 a-0,20
Aves
Número de ovos /peso dos ovos
Número de ovos / peso corporal
Número de ovos / maturidade sexual
Peso do ovo / peso corporal
Fonte: Dalton (1980)
-0,25 a -0,50
-0,20 a -0,60
-0,15 a-0,50
0,20 a 0,50
As contribuições relativas das correlações genética e ambiente no valor
final da correlação fenotípica podem ser vistas na Tabela 7.3.
Tabela 7.3 - Correlação fenotípica: contribuições das correlações genética e
ambiente na sua determinação.
"Tõnte: Cardellino & Rovira (1987)
As seguintes conclusões podem ser extraídas da Tabela 7.3:
Quando ambas as características têm herdabilidades baixas, a correlação
ambiente é a principal fonte de contribuição para a fenotípica.
Quando as herdabilidades das duas características têm valores
intermediários, próximos de 0,5, a contribuição das correlações genética e
ambiente é a mesma para a fenotípica.
Quando as herdabilidades das duas características têm valores altos, a
correlação genética é a principal fonte da correlação fenotípica.
Quando uma característica tem herdabilidade alta e a outra baixa a
contribuição da correlação genética na determinação da fenotípica é de valor
intermediário.
Exercícios de Reforço