mauro_wolf_teorias_da_comunicacao
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informacional era suficiente: «o modelo emissor/receptor presta-se muito 
bem às análises experimentais, a quantificações em grande escala, em suma, a métodos de controlo e de 
descrição mais análogos aos das ciências físicas» (Sari, 1980, 443).
A terceira explicação do sucesso e da duração da teoria inforniacional, reside, na minha opinião, na 
orientação sociológica geral da communication research e no papel desempenhado pela teoria crítica e 
pelas outras correntes dela resultantes.
A orientação sociológica fez com que a problemática mais especificamente comunicativa passasse para 
segundo plano no que respeita às questões de fundo (essencialmente, a relação mass media/sociedade); 
por outro lado, na teoria crítica, há um modelo comunicativo já totalmente inserido na análise do 
funcionamento social, numa época de capitalismo avançado. A indústria cultural esgota em si e 
predetermina, a nível estrutural, qualquer dinâmica comunicativa, completamente submergida pela lógica 
da reprodução social.
Estes três motivos, em conjunto, fizeram com que o abandono da teoria informacional se tornasse um 
processo penoso, lento, em parte ainda por completar e, posteriormente, complicado por outros dois 
factores de impedimento.
O primeiro consiste no facto de, em tomo de uma teoria tão centrada sobre o processo comunicativo, ter 
sido possível - e não por acaso - construir uma metodologia, cada vez mais aperfeiçoada e elaborada, de 
análise do conteúdo das mensagens, naturalmente muito adequada à necessidade operativa de trabalhar 
sobre hipóteses que exigem a análise de amostras de mensagens, por vezes, quantitativamente, bastante 
vastas12. O mesmo não se pode dizer dos modelos comunicativos elaborados posteriormente, e esse é o 
segundo factor.
Esses modelos colocam teoricamente o problema fundamental da significação e da relação dinâmica que, 
em torno desse «nó», se instaura entre destinador e desinatário. Na mudança radical de perspectiva, a 
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12 A análise de conteúdo é uma técnica de pesquisa pela descrição objectiva, sistemática e quantitativa do 
conteúdo manifesto da comunicação (Berelson, 1972). O método de análise do conteúdo consiste, 
sobretudo, na decomposição da mensagem em elementos mais simples e em seguir um conjunto de 
operacionalidade metodológica sobre vastas amostras a examinar, mostra-se insuficiente e, do ponto de 
vista da funcionalidade da pesquisa, isso constitui um grande handicap.
A troca de modelo comunicativo está hoje, parcialmente, presente de facto nos problemas para os quais se 
está orientando a communication research, quase mais do que parece explicitamente adquirido no seu 
conhecimento teórico. A via para se atingir a situação actual passou por duas fases, que podem ser 
individualizadas no modelo semiótico-informacional e, posteriormente, no modelo semiótico-textual.
1.9.2. O modelo comunicativo semiótico-informacional
O poder transmissivo próprio da teoria informacional centrava a atenção mais na eficiência do processo 
comunicativo do que na sua dinâmica. O interesse cognoscitivo pelas diversas componentes da relação 
comunicativa, nos mass media, estava subordinada à atenção à capacidade difusora da comunicação de 
massa para transmitir os «mesmos» conteúdos a um vasto público. Com estas premissas, não é por acaso 
que a questão dos efeitos, entendida como modalidade de descodificação e de interpretação das 
mensagens, tenha surgido recentemente e, sobretudo, à margem da tradição dos estudos sobre os mass 
media.
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regras explícitas de procedimento no exame das mensagens. Há dois momentos fundamentais da análise 
do conteúdo, que dizem respeito à escolha e à definição das categorias de conteúdo a utilizar, para além da 
especificação dos termos que pertencem a cada uma das categorias individualizadas. As categorias de 
conteúdo são escolhidas em relação com as hipóteses de pesquisa, de modo a serem relevantes e 
pertinentes não apenas em relação a essas hipóteses, mas também em relação a conceitos teóricos de 
referência mais gerais. Isto é, a análise de conteúdo é utilizada corno instrumento de diagnóstico para fazer 
inferências e interpretações sobre a orientação de quem produziu os textos submetidos a investigação. É 
clássico o caso de análises efectuadas, predominantemente, sobre ternas políticos (especialmente por volta 
dos anos 30 e 40) para identificar as ideologias transmitidas pelas mensagens, através da individualização 
de símbolos-chave existentes nessas mensagens.
Com o decorrer do tempo, a discussão acerca da análise do conteúdo Manteve-se muito viva e produtiva, 
quer quanto aos seus fundamentos teóricos quer quanto às inovações processuais que a articulação do 
método ia apresentando. De entre a vastíssima bibliografia sobre o assunto e a título indicativo, ver, ern 
italiano: Rositi, 1970; De Lillo, 1971; Losito, 1975; Statera, 1980; Krippendorf, 1980.
A influência que outras disciplinas exerceram sobre essa tradição, provocou a mudança substancial do 
paradigma comunicativo: verificou-se uma espécie de enxerto do problema da significação - ou melhor, a 
reivindicação, como princípio, da sua pertinência nos processos comunicativos de massa - no esquema 
informacional anterior. Daí resultou aquilo que Eco e Fabbri (1978) definem como modelo semiótico-
informacional. Relativamente ao esquema anterior, a diferença mais importante é que, agora, a linearidade 
da transmissão se encontra vinculada ao funcionamento dos factores semânticos, introduzidos mediante o 
conceito de código. Isto é, passa-se da acepção de comunicação como transferência de informação para a 
de transformação de um sistema por outro. O código garante a possibilidade dessa transformação.
Por conseguinte, em relação à teoria da informação, a noção de código - entendida, neste modelo, como a 
correlação entre os elementos de sistemas diversos, muda profundamente. Consequentemente, a questão 
da descodificação, isto é, do processo como os elementos do público constroem um sentido, a partir 
daquilo que recebem através da comunicação de massa, adquire relevo teórico e como objecto de pesquisa 
empírica.
A teoria da informação elaborava empiricamente a análise das condições óptimas de transmissibilidade das 
mensagens; agora, pelo contrário, salienta-se que os efeitos e as funções sociais dos mass media não 
podem prescindir do modo como se articula, dentro da relação comunicativa, o mecanismo de 
reconhecimento e de atribuição de sentido, que é parte essencial dessa relação.
O modelo semiótico-informacional representa a relação comunicativa da seguinte forma:
(Eco - Fabbri e outros, 1965)
Entre a mensagem entendida como forma significante que veicula um determinado significado e a 
mensagem recebida como significado, abre-se um espaço extremamente complexo e articulado. Nesse 
espaço, entra em jogo - do ponto de vista semiótico - o grau em que o destinador e o destinatário partilham 
as competências relativas aos vários níveis, que criam a significação da mensagem; do ponto de vista 
sociológico, é nesse espaço que ganham forma as variáveis ligadas aos factores de mediação entre 
indivíduo e comunicação de massa (rede de pequenos grupos, fluxo a dois níveis, funções de liderança de 
opinião, hábitos e modelos de consumo dos mass media, etc.). As correlações existentes entre as duas 
ordens de motivos delimitam as possibilidades da chamada «descodificação aberrante» (Eco - Fabbri e 
outros, 1965), que se verifica quando os destinatários fazem uma interpretação das mensagens diferente 
das intenções do emissor e do modo como ele previa que a descodificação seria executada.
De acordo com as diversas situações socioculturais, existe uma diversidade de códigos, ou de regras de 
competência e de interpretação. E a mensagem tem uma forma significante que pode ser preenchida com 
vários significados, contanto que existam vários códigos que estabeleçam várias regras