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de correlação entre 
determinados significantes e determinados significados. E, no caso de existirem códigos de base aceites 
por todos, há diferenças nos subcódigos (Eco - Fabbri, 1978, 561).
Contrariamente ao modelo psicológico-experimental, que evidenciava todos os «obstáculos» que se 
opunham a uma comunicação linear, capaz de obter os efeitos pretendidos pelo emissor, o modelo 
semiótico-informacional coloca, como elemento constitutivo da cornunicação, o seu carácter intrínseco de 
processo negocial para cuja determinação concorrem, simultaneamente, diversas ordens de factores. 
Esse carácter negocial está associado a um duplo vínculo: por um lado, a articulação dos códigos, por 
outro, a situação comunicativa específica dos mass media. Isto é, por um lado, entre os sujeitos ernissores 
e os sujeitos receptores pode haver, por exemplo, ausência total de código, disparidade de código, 
hipercodificação ou hipocodificação, interferências circunstanciais, ilegitimação do emissor, etc. (Eco -
Fabbri, 1978). Por outro, a assimetria dos papéis comunicativos, na comunicação de massa, e o conjunto 
complexo de factores sociais em que essa comunicação se efectua, configuram uma situação em que a 
compreensão é, estruturalmente, «problemática», ou seja, não identificável a priori com as intenções 
comunicativas do emissor. Ao contrário da teoria crítica, confirma-se a impossibilidade de «inferir, de uma 
forma directa e linear, regras de reconhecimento ("efeitos de sentido"), a partir da gramática de produção. 
Esta define um campo de possíveis efeitos de sentido, mas o problema de se saber qual é, concretamente, 
a gramática de reconhecimento aplicada, num momento específico, a um texto, permanece irresolúvel à luz 
das regras de produção» (Veron, 1978, 11).
O valor heurístico do modelo serniótico-informacional é muito relevante, pois revela à pesquisa sobre os 
mass media que é indispensável englobar, na estratégia de análise, a intervenção dos mecanismos 
comunicativos na determinação dos efeitos macrossociais. A intervenção simbólica dos mass media não 
resulta apenas de operações automáticas de difusão, em larga escala, de conteúdos análogos; resulta 
igualmente, de vários dispositivos que operam no núcleo fundamental constituído pela relação comunicativa 
e que dão formas, conteúdos e soluções diversas a essa relação. É necessário, porém, notar que a 
influência do modelo sobre o andamento efectivo da communication research foi inferior ao seu relevo 
teórico, o que deu lugar a uma interessante corrente de estudos sobre a compreensão e a clareza das 
mensagens13. Faltou, no entanto, a ligação com a questão dos efeitos (parâmetro de verificação do 
sucesso para qualquer teoria, na communication research); a passagem do estudo da compreensão e da 
descodificação de mensagens, em condições experimentais, para a elaboração de consequentes hipóteses 
extensivas sobre os efeitos sociais dos mass media, revelou-se árdua, impraticável.
O modelo semiótico-informacional achou-se, assim, «confinado» ao âmbito da análise das mensagens, dos 
seus códigos, da estrutura comunicativa. Afirmava-se um momento fundamental na revisão da teoria 
comunicativa, sem que a sua importância para a pesquisa fosse plenamente explicitada ou a sua influência 
explicada de uma forma adequada. Em certa medida, também o modelo posterior apresenta a 
______
13 De entre a vasta bibliografia italiana sobre a matéria, limito-me a citar dois exemplos significativos que, 
com todas as eventuais diferenças, voltam, todavia, a seguir a estratégia de pesquisa a seu tempo seguida 
por Hovland. Trata-se de análises efectuadas por conta do Servizio Opinioni da Rai, respectivamente, sobre 
a eficácia dos diferentes modos de construir um programa em relação à facilidade de descodificação, e de 
uma síntese dos principais resultados no domínio da compreensão (ver Rai, 1970; Rai, 1977).
mesma «marginalidade», embora algumas convergências comecem a manifestar-se de um modo mais 
claro.
1.9.3. O modelo semiótico-textual
O modelo semiótico-textual representa, em relação ao precedente, um instrumento mais adequado para a 
interpretação de problemas específicos da comunicação de massa. Ao contrário do que se fazia 
anteriormente, agora, salienta-se, nomeadamente, que
falar de uma mensagem que chega, formulada com base num determinado código e descodificada a partir 
dos códigos dos destinatários, constitui uma simplificação terminológica que pode induzir em erro. Na 
realidade, a situação é a seguinte:
a. os destinatários não recebem simples mensagens reconhecíveis mas conjuntos textuais;
b. os destinatários não confrontam as mensagens com códigos reconhecíveis como tal, mas com conjuntos 
de práticas textuais, nos quais, ou a partir dos quais, é possível reconhecer sistemas gramaticais de regras 
a um nível posterior de abstracção metalinguística;
c. os destinatários não recebem uma só mensagem; recebem muitas, quer em sentido sincrónico, quer em 
sentido diacrónico (Eco - Fabbri, 1978, 570).
A mudança é relevante: o paradigma semiótico-informacional - colocando em primeiro plano a relação entre 
codificação e descodificação, embora em termos mais complexos do que um simples reflexo entre as duas 
actividades - explicitava um mecanismo comum quer à comunicação interpessoal, quer à comunicação de 
massa. O modelo semiótico-textual, pelo contrário, descreve, em termos semióticos, algumas 
características estruturais específicas da comunicação de massa.
Do processo comunicativo, o modelo serniótico-informacional salientava, sobretudo, o elemento da acção 
interpretativa operada sobre as mensagens, através dos códigos: assim, a dissimetria dos papéis de 
emissor e de receptor não era tida suficientemente em consideração (a não ser na forma de feed-back, que 
é, contudo, um aspecto referente à direcção da transmissibilidade das mensagens). No modelo semiótico-
textual, esse limite é superado: na troca comunicativa, não são já as «mensagens» que são veiculadas, o 
que pressuporia uma posição paritária entre emissor e receptores; é a relação comunicativa que se constrói 
em torno de «conjuntos de práticas textuais».
Não se trata apenas de uma diferença terminológica; trata-se também de uma mudança conceptual que 
permite considerar - em termos comunicativos - as consequencias de um dado estrutural dos mass media, 
ou seja, a assimetria dos papéis de emissor e de receptor. Dessa assimetria, que caracteriza 
historicamente a organização das comunicações de massa, deriva a diferente qualidade das competências 
comunicativas de emissores e receptores (saber-fazer versus saber-reconhecer) e a articulação 
diferenciada (entre emissores e receptores) dos critérios de pertinência e de significação dos textos dos 
mass media.
É necessário precisar melhor a observação de que, na comunicação de massa, os destinatários não 
recebem simples mensagens reconhecíveis como tal a partir de códigos conhecidos, mas conjuntos de 
práticas textuais.
A distinção pressupõe os conceitos de cultura gramaticalizada e de cultura textualizada.
A cultura em geral pode ser representada como um conjunto de textos, todavia, do ponto de vista do 
investigador, é mais exacto falar-se de cultura enquanto mecanismo que cria um conjunto de textos efalar-
se de textos enquanto realização da cultura. Um traço essencial da caracterização tipológica da cultura 
pode considerar-se o modo como ela se define por si. Se é próprio de certas culturas representarem -se 
como um conjunto de textos ordenados [...], outras delineiam-se a si próprias como um sistema de regras 
que determinam a criação dos textos. Poder-se-ia dizer, por outras palavras, que, no primeiro caso, as 
regras se definem como uma soma de precedentes [...]; em casos de orientação para as regras, o manual 
assemelha-se a um mecanismo gerador; quando se verifica uma orientação para o texto [...], nasce a 
crestomatia