ines da silva moreira
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ines da silva moreira


DisciplinaServiço Social e Terceiro Setor76 materiais1.327 seguidores
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ecologicamente frágeis (conservação da biodiversidade pelo ecodesenvolvimento). 
Na Agenda 212, o documento não deixa dúvidas de que os governos têm 
a responsabilidade de facilitar processos de construção das agendas 21 nacionais 
e locais. Essa agenda dependerá da mobilização de todos os segmentos da 
sociedade, sendo a democracia participativa a via política para a mudança 
esperada. 
E, a Agenda 21 brasileira teve como eixo central a sustentabilidade 
compatibilizando com a conservação ambiental, o crescimento econômico e a 
 
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 A agenda 21 pode ser definida como um instrumento de planejamento para a construção de 
sociedades sustentáveis, em diferentes regiões do planeta, conciliando métodos de proteção 
ambiental, justiça social e eficiência econômica (BRASIL, 2013). 
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justiça social, instrumento fundamental para se construir a cidadania e a 
democracia participativa no país. 
A educação da sustentabilidade ocorre no cuidado com o próximo, no 
respeito ao vizinho, até chegar à relação com a natureza. O estudo de educação 
ambiental olha as relações existentes, devendo transformá-las para que sejam 
atitudes sustentáveis. 
As alternativas do Desenvolvimento Sustentável almejadas envolvem 
necessariamente práticas sustentáveis, as quais, por sua vez, encontram inúmeras 
dificuldades para se desenvolver. Não se concretizam sem a adoção e o 
investimento de políticas públicas que possam gerar Emprego, Segurança, 
Educação e Saúde; além de políticas ambientais, voltadas para o desenvolvimento 
social sustentável. 
O crescimento em todos os níveis carece que o seja de modo 
corretamente sustentável, perfeitamente adequado a permitir o acesso da 
população, mas reduzindo ao máximo o impacto no meio. 
A sustentabilidade tem papel significativo em torno das alternativas do 
desenvolvimento nos últimos tempos, devido ao impacto do homem sobre o meio 
ambiente. 
Para que se possa entender os problemas das questões ambientais e o 
contexto em que surgiram e o que vem acontecendo, faz-se necessário relembrar 
alguns dos fatos ocorridos na preservação ambiental. 
Das primeiras manifestações ambientalistas dos anos 1960 até os dias 
atuais, a questão ambiental ganhou espaço na agenda de discussão das políticas 
públicas em muitos países, bem como no Brasil. 
A partir da década de 1970 o tema da questão ambiental tornou-se 
marcante no mundo. Muitos movimentos passaram a discutir a degradação 
ambiental, e consequentemente a saúde do Planeta e do próprio homem. 
Na Conferência de Founex, em 1971, na Suíça, que preparou a 
Conferência de Estocolmo, em 1972, foi lançada a proposta do ecodesenvolvimento, 
adotando o princípio do desenvolvimento equilibrado, baseado nas potencialidades 
de cada ecossistema como posições equidistantes das intransigências, tanto do 
ecologismo, como do economicismo. 
 
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O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu pela primeira vez, com o 
nome de ecodesenvolvimento, no início da década de 1970. Foi uma 
resposta à polarização, exacerbada pela publicação do relatório do Clube 
de Roma, que opunha partidário de duas visões sobre as relações entre 
crescimento econômico e meio ambiente: de um lado, aqueles, 
genericamente classificados de possibilistas culturais (ou \u2018tecno-centricos\u2019 
radicais), para os quais os limites ambientais ao crescimento econômico são 
mais que relativos diante da capacidade inventiva da humanidade, 
considerando o processo de crescimento econômico como uma força 
positiva capaz de eliminar por si só as disparidades sociais, com um custo 
ecológico tão inevitável quão irrelevante diante dos benefícios obtidos; de 
outro lado, aqueles outros, deterministas geográficos (ou \u2018tecno-centricos\u2019 
radicais), para os quais o meio ambiente apresenta limites absolutos ao 
crescimento econômico, sendo que a humanidade estaria próxima da 
catástrofe. Mantidas as taxas observadas de expansão de recursos naturais 
(esgotamento) e de utilização da capacidade de assimilação do meio 
(poluição). (LEAL, 1998, p. 78). 
 
A Conferência de Estocolmo reuniu 113 países e mais de 400 
organizações não governamentais, para discutir a questão ambiental. 
 
Duas posições opostas marcaram esta Conferência: de um lado aqueles 
que previam abundância e acreditavam que a preocupação com o meio 
ambiente era exagerada, inibindo os esforços dos países em 
desenvolvimento rumo à industrialização; de outro lado, os \u2018catastrofistas\u2019, 
pessimistas que anunciavam o apocalipse, caso o crescimento demográfico 
e econômico não fossem estagnados. Ambas as posições extremadas 
foram rejeitadas. O paradigma do meio emergiu como alternativa, 
defendendo um crescimento econômico ainda necessário, mas não a 
qualquer custo. (SABBAGH, 2011, p. 16). 
 
Essa Conferência foi importante e representativa para a discussão do 
desenvolvimento dos problemas ambientais existentes no planeta. 
Surgiu, após esse encontro, o Relatório Brundtlant publicado em 1987 
pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, e a partir desse 
relatório passou-se a utilizar a expressão desenvolvimento sustentável (NOSSO 
FUTURO COMUM, 2012). 
Ainda na década de 1980, os setores produtivo e empresarial 
começaram perceber a escassez dos recursos naturais, e sentiram necessidade de 
quebrar os paradigmas de então, para adotar um desenvolvimento econômico 
sustentado e equilibrado. Em todo o planeta ampliou-se a discussão sobre o 
conceito de desenvolvimento sustentável, sendo o mesmo utilizado pelos mais 
diferentes atores. 
O termo Desenvolvimento Sustentável foi mencionado pela primeira vez, 
em 1987, no Relatório elaborado durante a Comissão Mundial de Meio Ambiente e 
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Desenvolvimento, liderada então pela primeira ministra da Noruega, Gro-Brundtland: 
\u201cÉ aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a capacidade 
das gerações futuras de atenderem às suas necessidades\u201d. 
Percebe-se que há conscientização de que não é possível discutir os 
problemas ambientais em separado do contexto de exclusão, subdesenvolvimento, 
pobreza e abandono em que vive grande parte da população mundial. 
Nos anos de 1990, a partir da Eco 92 (Conferência das Nações Unidas 
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento), ocorrida no Rio de Janeiro, difundiu-se a 
discussão a respeito do enfrentamento dessa problemática em nível local, 
estabelecendo acordo em torno do desenvolvimento sustentável, via intensa 
mobilização da sociedade civil e do engajamento dos Estados. 
É necessário garantir a todos o acesso às benesses do planeta, para 
que haja um mínimo de sustentabilidade social. Para colocar em prática as 
estratégias de sustentabilidade social é preciso, segundo Alirol (2001, p. 24): 
 
[...] manter o espírito nos seus princípios gerais: os seres humanos são o 
centro das preocupações do desenvolvimento social; o desenvolvimento 
social só pode ser sustentável se a sociedade escolher, ela mesma, seu 
modelo e estratégia, levando em conta a dinâmica da mudança social que 
lhe é própria; o desenvolvimento social só pode se manter sustentável se os 
efeitos de ruptura e desequilíbrio induzidos pela mudança social forem 
minimizados. 
 
É necessário, igualmente, que as condições de sustentabilidade sejam 
satisfeitas. Ou seja, responder às aspirações e necessidades essenciais tais como 
percebidas pelos atores sociais, levando em conta a diversidade social; promover 
equidade e justiça social; favorecer o processo participativo na tomada de decisão; 
levar em conta e se apoiar nos recursos humanos individuais e coletivos disponíveis; 
capacitar os atores sociais de modo a ampliar suas possibilidades de escolha e 
adaptação ao dinamismo