ines da silva moreira
44 pág.

ines da silva moreira


DisciplinaServiço Social e Terceiro Setor51 materiais1.277 seguidores
Pré-visualização44 páginas
ecologicamente frágeis (conservação da biodiversidade pelo ecodesenvolvimento).

Na Agenda 212, o documento não deixa dúvidas de que os governos têm

a responsabilidade de facilitar processos de construção das agendas 21 nacionais

e locais. Essa agenda dependerá da mobilização de todos os segmentos da

sociedade, sendo a democracia participativa a via política para a mudança

esperada.

E, a Agenda 21 brasileira teve como eixo central a sustentabilidade

compatibilizando com a conservação ambiental, o crescimento econômico e a

2
 A agenda 21 pode ser definida como um instrumento de planejamento para a construção de
sociedades sustentáveis, em diferentes regiões do planeta, conciliando métodos de proteção
ambiental, justiça social e eficiência econômica (BRASIL, 2013).

44

justiça social, instrumento fundamental para se construir a cidadania e a

democracia participativa no país.

A educação da sustentabilidade ocorre no cuidado com o próximo, no

respeito ao vizinho, até chegar à relação com a natureza. O estudo de educação

ambiental olha as relações existentes, devendo transformá-las para que sejam

atitudes sustentáveis.

As alternativas do Desenvolvimento Sustentável almejadas envolvem

necessariamente práticas sustentáveis, as quais, por sua vez, encontram inúmeras

dificuldades para se desenvolver. Não se concretizam sem a adoção e o

investimento de políticas públicas que possam gerar Emprego, Segurança,

Educação e Saúde; além de políticas ambientais, voltadas para o desenvolvimento

social sustentável.

O crescimento em todos os níveis carece que o seja de modo

corretamente sustentável, perfeitamente adequado a permitir o acesso da

população, mas reduzindo ao máximo o impacto no meio.

A sustentabilidade tem papel significativo em torno das alternativas do

desenvolvimento nos últimos tempos, devido ao impacto do homem sobre o meio

ambiente.

Para que se possa entender os problemas das questões ambientais e o

contexto em que surgiram e o que vem acontecendo, faz-se necessário relembrar

alguns dos fatos ocorridos na preservação ambiental.

Das primeiras manifestações ambientalistas dos anos 1960 até os dias

atuais, a questão ambiental ganhou espaço na agenda de discussão das políticas

públicas em muitos países, bem como no Brasil.

A partir da década de 1970 o tema da questão ambiental tornou-se

marcante no mundo. Muitos movimentos passaram a discutir a degradação

ambiental, e consequentemente a saúde do Planeta e do próprio homem.

Na Conferência de Founex, em 1971, na Suíça, que preparou a

Conferência de Estocolmo, em 1972, foi lançada a proposta do ecodesenvolvimento,

adotando o princípio do desenvolvimento equilibrado, baseado nas potencialidades

de cada ecossistema como posições equidistantes das intransigências, tanto do

ecologismo, como do economicismo.

45

O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu pela primeira vez, com o
nome de ecodesenvolvimento, no início da década de 1970. Foi uma
resposta à polarização, exacerbada pela publicação do relatório do Clube
de Roma, que opunha partidário de duas visões sobre as relações entre
crescimento econômico e meio ambiente: de um lado, aqueles,
genericamente classificados de possibilistas culturais (ou \u2018tecno-centricos\u2019
radicais), para os quais os limites ambientais ao crescimento econômico são
mais que relativos diante da capacidade inventiva da humanidade,
considerando o processo de crescimento econômico como uma força
positiva capaz de eliminar por si só as disparidades sociais, com um custo
ecológico tão inevitável quão irrelevante diante dos benefícios obtidos; de
outro lado, aqueles outros, deterministas geográficos (ou \u2018tecno-centricos\u2019
radicais), para os quais o meio ambiente apresenta limites absolutos ao
crescimento econômico, sendo que a humanidade estaria próxima da
catástrofe. Mantidas as taxas observadas de expansão de recursos naturais
(esgotamento) e de utilização da capacidade de assimilação do meio
(poluição). (LEAL, 1998, p. 78).

A Conferência de Estocolmo reuniu 113 países e mais de 400

organizações não governamentais, para discutir a questão ambiental.

Duas posições opostas marcaram esta Conferência: de um lado aqueles
que previam abundância e acreditavam que a preocupação com o meio
ambiente era exagerada, inibindo os esforços dos países em
desenvolvimento rumo à industrialização; de outro lado, os \u2018catastrofistas\u2019,
pessimistas que anunciavam o apocalipse, caso o crescimento demográfico
e econômico não fossem estagnados. Ambas as posições extremadas
foram rejeitadas. O paradigma do meio emergiu como alternativa,
defendendo um crescimento econômico ainda necessário, mas não a
qualquer custo. (SABBAGH, 2011, p. 16).

Essa Conferência foi importante e representativa para a discussão do

desenvolvimento dos problemas ambientais existentes no planeta.

Surgiu, após esse encontro, o Relatório Brundtlant publicado em 1987

pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, e a partir desse

relatório passou-se a utilizar a expressão desenvolvimento sustentável (NOSSO

FUTURO COMUM, 2012).

Ainda na década de 1980, os setores produtivo e empresarial

começaram perceber a escassez dos recursos naturais, e sentiram necessidade de

quebrar os paradigmas de então, para adotar um desenvolvimento econômico

sustentado e equilibrado. Em todo o planeta ampliou-se a discussão sobre o

conceito de desenvolvimento sustentável, sendo o mesmo utilizado pelos mais

diferentes atores.

O termo Desenvolvimento Sustentável foi mencionado pela primeira vez,

em 1987, no Relatório elaborado durante a Comissão Mundial de Meio Ambiente e

46

Desenvolvimento, liderada então pela primeira ministra da Noruega, Gro-Brundtland:

\u201cÉ aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a capacidade

das gerações futuras de atenderem às suas necessidades\u201d.

Percebe-se que há conscientização de que não é possível discutir os

problemas ambientais em separado do contexto de exclusão, subdesenvolvimento,

pobreza e abandono em que vive grande parte da população mundial.

Nos anos de 1990, a partir da Eco 92 (Conferência das Nações Unidas

sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento), ocorrida no Rio de Janeiro, difundiu-se a

discussão a respeito do enfrentamento dessa problemática em nível local,

estabelecendo acordo em torno do desenvolvimento sustentável, via intensa

mobilização da sociedade civil e do engajamento dos Estados.

É necessário garantir a todos o acesso às benesses do planeta, para

que haja um mínimo de sustentabilidade social. Para colocar em prática as

estratégias de sustentabilidade social é preciso, segundo Alirol (2001, p. 24):

[...] manter o espírito nos seus princípios gerais: os seres humanos são o
centro das preocupações do desenvolvimento social; o desenvolvimento
social só pode ser sustentável se a sociedade escolher, ela mesma, seu
modelo e estratégia, levando em conta a dinâmica da mudança social que
lhe é própria; o desenvolvimento social só pode se manter sustentável se os
efeitos de ruptura e desequilíbrio induzidos pela mudança social forem
minimizados.

É necessário, igualmente, que as condições de sustentabilidade sejam

satisfeitas. Ou seja, responder às aspirações e necessidades essenciais tais como

percebidas pelos atores sociais, levando em conta a diversidade social; promover

equidade e justiça social; favorecer o processo participativo na tomada de decisão;

levar em conta e se apoiar nos recursos humanos individuais e coletivos disponíveis;

capacitar os atores sociais de modo a ampliar suas possibilidades de escolha e

adaptação ao dinamismo