ines da silva moreira
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ines da silva moreira


DisciplinaServiço Social e Terceiro Setor76 materiais1.327 seguidores
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pela humanidade, como também de 
demonstrar a força política dos povos organizados. 
As ações da Cúpula foram norteadas por três eixos: o primeiro, reforçar 
os compromissos políticos em favor do desenvolvimento sustentável; o segundo, 
expor um resumo dos avanços e dificuldades associados à sua implementação; e o 
terceiro, analisar as respostas aos novos desafios emergentes das sociedades. 
Duas questões, estreitamente ligadas, colocam-se no alvo da cúpula: a 
primeira é de uma economia verde em prol da sustentabilidade e da erradicação da 
pobreza; a segunda é a criação de um marco institucional para o desenvolvimento 
sustentável. 
Com a vertente de discussão das causas estruturais das crises e de 
falsas soluções, o evento tratou os problemas sociais e ambientais chamando 
atenção para o poder de interferência das corporações e da iniciativa privada nas 
negociações da Rio+20. 
Povos do mundo inteiro constataram que a política de mercado proposta 
como caminho para solucionar os problemas econômicos e sociais acarretou o que 
está acontecendo atualmente, crises com graves consequências: recessão 
econômica, desemprego, fome, agravamento da crise ambiental com a 
mercantilização dos recursos naturais. 
Os países desenvolvidos não cumpriram os acordos de redução das 
emissões de gases de efeito estufa, além de não asseguraram os recursos 
financeiros e tecnológicos necessários, para que países em desenvolvimento 
pudessem ter melhores condições de cumprir seu papel em relação às mudanças 
climáticas. 
 
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 Cúpula dos Povos \u2013 Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20 que chama as 
organizações da sociedade civil e movimentos sociais e populares de todo o Brasil e do mundo para 
participar do processo que culminará na realização, em junho de 2012, do evento autônomo e 
plural, provisoriamente denominado Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, 
paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD). 
(CÚPULA DOS POVOS, 2013). 
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O que houve foi o contrário, ao imporem o cumprimento da lei de 
patentes em nível internacional, limitaram a capacidade dos países do mundo de 
desenvolver novas tecnologias ambientalmente sustentáveis. Isto demonstra que um 
modelo de desenvolvimento apoiado no mercado, tendo o lucro como princípio 
fundamental, é incapaz de organizar a vida social em todas as suas dimensões. Ao 
final do evento resultou no documento da Declaração Final da Cúpula dos Povos na 
Rio+20, que se encontra nos anexos. 
No item a seguir, tratar-se-á o modo como essas ações educativas 
poderão contribuir para a sustentabilidade, para as causas primárias de problemas 
como a degradação humana, ambiental e da pobreza, de forma a favorecer vida 
digna a todas as pessoas do mundo. Consideramos de antemão que a educação 
ambiental pode gerar mudanças na qualidade de vida, além de melhor conduta 
pessoal, harmonia entre seres humanos e destes para com outros seres vivos. 
 
1.3 Ações Educativas e Serviço Social 
 
A educação ambiental sugere mudança de hábitos e atitudes de forma 
espontânea, para que esta mudança possa vir de dentro e ocorrer de fato. Ouvem-
se muitos discursos ambientalistas que acabam por chocar as pessoas, com 
palavras duras e autoritárias, ao invés de as sensibilizarem. 
Educação ambiental vai muito além do que conscientizar sobre o lixo, 
reciclagem e datas comemorativas, atingindo a valorização da vida, estimulando o 
respeito ao meio em que se vive. 
Sabe-se da importância das politicas públicas na educação ambiental, 
exigindo esforços tanto do Estado como da sociedade civil, para compreensão e 
transformação da realidade. O Estado cumprindo o papel de estabelecer estratégias 
e formalizar políticas específicas para integrar todos os setores da sociedade em 
torno do bem estar comum. 
A questão ambiental ganha destaque na agenda política atual, 
sensibilizando particularmente as camadas sociais. A crise ambiental tem acarretado 
perdas, sobretudo à economia e às condições de vida das pessoas, e a saúde do 
povo em países mais pobres, como o Brasil. 
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Com isso faz-se necessário remeter à Constituição Brasileira de 1988, em 
que a educação ambiental é incumbência do poder público, que deve promover a 
conscientização social para defender o meio ambiente. 
Na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em seus 
primeiros cinco artigos trazem em seu bojo diversos princípios garantidos em 
direitos fundamentais do ser humano, como segue: 
 
O art. 1º A República Federativa do Brasil, é formado pela união indissolúvel 
dos Estados e Municípios e Distrito Federal, constitui-se em Estado 
Democrático de Direito e tem como fundamentos: a soberania; a cidadania; 
a dignidade da pessoa humana; os valores sociais do trabalho e da livre 
iniciativa; o pluralismo político. (BRASIL, 2002, p. 3). 
 
Parágrafo Único: \u201cTodo o poder emana do povo, que o exerce por meio 
de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição\u201d. 
 
Artigo. 2º, são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o 
Legislativo, o Executivo e o Judiciário, construir uma sociedade livre, justa e 
solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a 
marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o 
bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e 
qualquer outras formas de discriminação. 
Art. 3°, Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do 
Brasil: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o 
desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir 
as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos, sem 
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de 
discriminação. 
Artigo 4° a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações 
internacionais pelos seguintes princípios: independência nacional; 
prevalência dos direitos humanos; autodeterminação dos povos; não 
intervenção ; igualdade entre os Estados; defesa da paz, solução pacífica 
dos conflitos; repúdio ao terrorismo e ao racismo, cooperação entre povos 
para o progresso da humanidade e concessão de asilo politico. (BRASIL, 
2002, p. 3). 
 
Parágrafo Único, \u201cA República Federativa do Brasil buscará a integração 
econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à 
formação de uma comunidade latino-americana de nações\u201d. 
E, em se tratando do meio ambiente: 
 
Capítulo VI artigo 225 da Constituição está escrito que: \u2018Todos tem direito 
ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo 
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e á 
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras 
gerações.\u2019 (BRASIL, 2002, p. 136). 
 
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No inciso V da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, 
diz que, \u201c[...] deve controlar a produção, a comercialização o emprego de técnicas, 
métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o 
meio ambiente.\u201d (BRASIL, 2002, p. 137). 
Porém, a efetividade e o cumprimento desses dispositivos esbarram na 
carência de profissionais capacitados, inclusive a do Serviço Social, para 
desenvolver projetos de pesquisa na intervenção, bem como para preparar a 
sociedade para a construção de políticas públicas voltadas para a defesa do meio 
ambiente, além de programas voltados para uma verdadeira educação 
socioambiental. 
Assim, tanto a sociedade civil quanto os órgãos públicos devem ser 
fortalecidos e incentivados, de forma a legitimar esse processo de