ines da silva moreira
167 pág.

ines da silva moreira


DisciplinaServiço Social e Terceiro Setor55 materiais1.277 seguidores
Pré-visualização44 páginas
entendimento do sujeito 2 o benefício é mais social que econômico. 
Ao citar como exemplo as obras de esgotamento na área CURA8, que antes contava 
com fossas para o destino de esgotos, observa o grande ganho que a população 
local teve. A percepção é mais local, pois se trata de obra que não é visível, pois 
estão no subsolo. \u201c[...] você tinha que ficar ligando para o pessoal ir limpar a fossa. 
Hoje tem rede de esgotos lá...\u201d A intervenção social, principalmente junto aos jovens, 
permitiu arborização da área, que estava contaminada por vazamento frequente de 
esgoto, tornando passado as dificuldades e contribuindo para a melhora da saúde 
da população do entorno. 
Também no entendimento do sujeito 3 houve sensível benefício à 
população de Sumaré em função dos projetos. A inclusão do Projeto Semear9, que 
já existia na cidade, permitiu ampliar positivamente o horizonte das pessoas, 
principalmente as mais afetadas pela carência no abastecimento de água e 
esgotamento sanitário. Com a inclusão do Projeto do Trabalho Técnico Social 
 
8
 Área Cura é uma das cinco regiões administrativas de Sumaré. No governo de Franco Montoro, 
Sumaré passou por um grande processo de reurbanização para reparar seu grande crescimento 
desgovernado devido à industrialização local. Franco Montoro então criou o Distrito da Área Cura 
(CURA = Comunidade Urbana de Reurbanização Acelerada) dando novas condições de vida à 
milhares de pessoas. (WIKIMAPIA, 2013). 
9
 O Projeto Semear, existente há vários anos no município, foi ampliado em 2008 com objetivo de 
vincular-se como projeto social do PAC no município (Programa de Aceleração do Crescimento - 
Esgotamento Sanitário e Abastecimento de Água). Realizado pela Secretaria Municipal de Inclusão, 
Assistência e Desenvolvimento Social, tem como objetivo esclarecer a população acerca da 
importância das obras e mobilizá-la para processos mais amplos e participativos de Educação 
Ambiental. (PREFEITURA MUNICIPAL DE SUMARÉ, 2012). 
98 
 
houve aumento dos recursos disponíveis e maior amplitude do projeto. Atuando 
junto a crianças e jovens da comunidade, foi possível demonstrar a possibilidade de 
melhora de condições de vida. 
A ação desenvolveu-se junto a todos os Centro Regional de Assistência 
Social (CRAS) de Sumaré e levou as crianças, através do incentivo à criação e 
manutenção de hortas comunitárias, a envolver-se com práticas mais naturais. Ao 
mesmo tempo, estimulando e incentivando o reflorestamento e a manutenção do 
que já existia. Passaram a ser mais críticos na alimentação que recebiam em casa 
ou na escola. \u201c[...] se a verdura ou legume é mais saudável, porque é que a gente 
come, às vezes, salsicha? Eles começaram a questionar alguma coisa sobre a 
alimentação que recebiam na escola, no dia a dia deles...\u201d 
O sujeito 4 também enfatiza a importância do trabalho desenvolvido com 
as crianças dos CRAS e com os jovens bolsistas. 
 
Sem dúvida, mesmo pelo trabalho que é feito nos CRAS, que é um trabalho 
contínuo, junto com todas as assistentes sociais que estão envolvidas e 
sem dúvida tem um benefício social, tem retorno claro. Quanto aos meninos 
bolsistas, os sonhos deles é aprender uma profissão e conseguir um 
emprego para conseguir um mínimo que nunca tiveram, comprar aquilo que 
veem na televisão. 
 
O trabalho envolve todas as equipes de cada Centro e permite 
principalmente ganho social importante. Também demonstra a importância do 
trabalho desenvolvido com os bolsistas. Apesar de haver preocupação com a 
formação em paisagismo e jardinagem, o conjunto de informações visava 
transformação de cada indivíduo. Mais do que ensinar aquelas técnicas, havia 
preocupação ainda maior de suscitar nas pessoas o interesse em buscar colocação 
no mercado, de acreditar em sua capacidade individual. \u201c[...] de ela enxergar de uma 
outra forma, de uma outra maneira, ter uma visão diferente daquela que ela entrou 
ali, acho que isto satisfaz também...\u201d 
No entendimento do sujeito 5 há ganho, mais social que econômico. 
 
O grupo de catadores permanece unido mesmo sem eles terem um local 
para trabalhar. Poderiam ter dispersado, ter desanimado, pois já faz muito 
tempo que o projeto começou e eles não tem um espaço para armazenar o 
que cataram. Estão trabalhando individual ainda, cada um vende o que cata 
individual. Estão esperando a Prefeitura conseguir um galpão, a gente vai 
trabalhando na organização e mobilização deles. Semanalmente faço 
reuniões e visitas domiciliares, procuramos saber o que eles precisam, 
encaixando eles em algum projeto. 
99 
 
Cita como exemplo a questão da formalização da Cooperativa dos 
Catadores, incluída no projeto e destinada a agregar catadores da cidade, como 
forma de melhor destinação dos resíduos sólidos. Foi formada e continua ativa, mas 
como ainda não houve a criação de um local para a centralização dos serviços, um 
galpão, continuam a atuar individualmente. A equipe continua a acompanhá-los e 
mantendo reuniões semanais, como forma de mantê-los unidos em torno da 
cooperativa, até que haja a definição do local. 
O entendimento do sujeito 6 também reforça os benefícios que o projeto 
traz à comunidade. 
O ganho até poderia ser melhor, se as pessoas tivessem maior 
consciência de que o coletivo pode mais, tem mais força. Há inclusive dificuldade 
para que as pessoas compareçam a reuniões para as quais são convidadas, 
justamente por não terem consciência de sua força, de seu poder. 
 
Penso que elas poderiam até se beneficiar bem mais, partindo do principio 
do coletivo educador, por exemplo, se as pessoas se juntassem pra trocar 
ideias e propor soluções para os problemas que elas tem, poderiam se 
beneficiar muito mais. Hoje eu vejo aqui em nossa cidade se as pessoas se 
juntam se beneficiam muito mais. Elas enxergam o problema com clareza 
ajuda na solução e podem fazer um trabalho integrado. O coletivo ajuda a 
ver solução e ajuda o poder público. 
 
Certamente se tivessem mais consciência, poderiam no coletivo 
apresentar eventuais carências e sugerir mais soluções. No entanto, o que ocorre é 
certa transferência de responsabilidade, pois \u201c[...] a gente costuma nomear uma 
centena, algumas centenas de representantes nossos, vereadores, deputados, e 
acha que vão resolver tudo...\u201d. Apenas quando entenderem que são responsáveis 
por sugerir e cobrar melhorias haverá evolução. Em outras palavras, haverá 
benefícios quando \u201c[...] aquela pessoa falar assim, essa é minha rua, eu vou ajudar a 
cuidar dela...\u201d 
O sujeito 7 também entende que há grande benefício, a partir do princípio 
de que o projeto social remete à inclusão socioeconômica. Quem executa a obra 
física tem preocupação voltada unicamente para o cronograma. A inclusão do 
projeto social determinada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 
permite torna-lo infinitamente mais amplo. Diz o sujeito: 
 
 
100 
 
Os engenheiros, quem toca a obra, quem faz a coisa acontecer, estão 
preocupados com a estrutura física. Ninguém está preocupado com as 
pessoas, assim. Foi uma luta muito grande, para ter a equipe social, para 
justamente pegar a parte educativa, a parte de mobilização, a parte de 
geração de renda quando necessária. 
 
Houve o envolvimento de grande parte do município, e as razões para a 
continuidade do processo são infinitas. A formação de educadores ambientais 
envolveu a diretoria estadual de ensino, o que levou as escolas públicas a se 
tornarem agentes multiplicadores. Isto faz com que a cada momento as ideias 
possam se multiplicar. 
 
A gente tem um projeto de formação de educadores ambientais que atingiu 
praticamente o município inteiro. O representante da diretoria estadual