ines da silva moreira
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ines da silva moreira


DisciplinaServiço Social e Terceiro Setor75 materiais1.327 seguidores
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faz, comprova que fez pra poder receber. Então 
eu tenho a impressão que hoje é muito mais claro. Se as pessoas quiserem 
comprovar elas podem ir ver, ela tem documentado isso hoje. Nossa, a 
gente tem que apresentar nota fiscal de tudo. E depois você tem que 
apresentar recibo, porque a nota fiscal não é recibo. Você tem que pegar o 
recibo lá com o dono do mercado, mostrar que ele recebeu aquilo. Da obra 
tem tudo a mesma coisa. Se sai uma vírgula fora eles pedem a correção da 
nota... então é desde um recurso de R$ 1,00 ou de 2 milhões! Tudo; desta 
maneira. 
 
Também o sujeito 7 confirma a transparência com que os recursos são 
aplicados. Da mesma forma dos demais, reforça que a Caixa é bem transparente, 
copiando a equipe nas mensagens que encaminha à Prefeitura, para que saibam de 
eventuais pendências. 
Em sua opinião, as propostas do projeto social estão estimulando a 
população a aderir práticas de sustentabilidade através da educação 
socioambiental? 
De acordo com o sujeito 1 sim, pois houve uma preocupação do 
envolvimento da população. No caso da revitalização das praças, houve o convite 
para que a comunidade pensasse junto com a equipe, discutindo e auxiliando a 
definir o que fazer, dentre as que estavam na região do entorno. Isto, 
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[...] prá entender que não é uma questão política, assim, que era só uma 
propaganda da ação do governo, mas era muito mais que isto. A 
necessidade de entender a importância daquilo que estava sendo feito, do 
preservar o que estava sendo feito em termos de ação. Então, na medida 
em que o trabalho foi sendo desenvolvido, elas tiveram que repensar se 
aquelas eram as ações que iriam ser desenvolvidas, os próximos passos a 
serem executados, desenvolvidos. Por causa das dificuldades, por causa do 
nível de participação, envolvimento deles. Então o projeto teve início, ele 
sofreu alterações, reprogramação, para que pudesse ser executado. Essa 
foi a dinâmica dentro do projeto mesmo. Foi intensa a participação deles 
durante todo o período. A Caixa foi muito exigente na questão de 
documentação, de registro. Então, assim, eu vejo que tem qualidade, aquilo 
que eles fizeram em termos de documentar o projeto, de registrar o projeto. 
Tem muito papel, muita coisa. 
 
No entendimento do sujeito 2 também houve estímulo à participação da 
comunidade. Com o coletivo educador e a formação de educadores ambientais, a 
mobilização ocorreu positivamente, transformando-se numa ação multiplicadora. Diz: 
 
[...] a gente ia naquela região, fazia a divulgação da obra, conversava com 
aquelas pessoas, da importância daquilo pra qualidade de vida, só que você 
atingia só aquele número de pessoas! A partir do momento que a gente 
pensa no coletivo algo maior, e que a gente convida essas pessoas para 
participar seja a população de baixa renda, seja aquele acadêmico, ou 
empresário, ou aquele trabalhador, então, a hora que a gente estende a 
demanda para vários tipos de pessoas dentro da população, acho que a 
gente conseguiu atingir mais com o educador. Eu acho que hoje a gente 
tem uma função mais como educador do que antigamente. 
 
A ideia de formar o coletivo educador na cidade aconteceu em 2009. Um 
grupo de educadores voltado para a formação de educadores ambientais, e que, ao 
juntar-se às ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) fortaleceram 
todo o processo. Envolve as ONGs, associações de moradores, além das estruturas 
do governo municipal. 
Indica dificuldade com a aplicação do processo com a área da educação. 
Em sua visão, as ações nas escolas são muito pontuais e não tem continuidade. 
Fazem o dia da árvore, plantam árvores, e somente voltam ao assunto no ano 
seguinte. Claro que pontualmente alguns professores, em algumas escolas, têm um 
interesse maior e tornam perenes as ações. 
Também critica o sistema de separação de recicláveis por cores. Aos 
catadores e à cooperativa podem estar juntos, desde que recicláveis, e a separação 
ocorre no final do processo. Quando da liberação do barracão, a separação deve ser 
realizada por todos, em bancada preparada para tal. Termina o assunto de modo 
interessante: 
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[...] eu acho que o problema ambiental só vai ser solucionado quando 
solucionar os problemas sociais. Essa é a minha visão. Porque se a gente 
pegar os grandes problemas ambientais hoje, estão mais vinculados à 
questão social do que ao meio ambiente. Problema de questão de 
qualidade de água, a gente sabe que é um problema enorme com esgoto. 
Quem mora na beira do rio, que joga esgoto direto no rio? Pessoal das 
áreas de invasão de baixa renda. Então a partir do momento que você tira 
essa população dessa área, e acaba reflorestando essa área, cuida do 
entorno dos rios, já melhora a qualidade de água. 
 
O sujeito 3 também reforça a participação do coletivo educador, como 
estímulo à participação da população quanto a práticas de sustentabilidade. Ao 
estimular a participação também das empresas as ações se multiplicam, pois é 
comum que lancem dejetos, sobras, nos rios e beira das estradas. 
Cita ações pontuais que são realizadas por empresas e escolas. Embora 
também veja que pecam pela falta de continuidade, entende que são importantes. 
Remete à ação dos catadores, de grande importância, mas dependente 
da definição de local para que possam atuar regularmente. Informa que houve uma 
busca por constituir um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de resíduos 
sólidos, especificamente para atender às necessidades da cidade, mas que não 
evoluiu. Por esta razão, o Projeto Semear manteve a continuidade do apoio à 
cooperativa, para que houvesse a definição de local para o tratamento dos resíduos 
e a venda dos produtos, diretamente pela Cooperativa. 
O entendimento do sujeito 4 também é de que houve estímulo à 
população. Diz: 
 
Mesmo nos projetos com os jovens, os projetos nos CRAS, sem dúvida. E 
nos projetos do coletivo educador, eu acho que o coletivo a maior 
contribuição que ele tem é dar muita força e muita esperança e muito gás 
para os projetos que estão em andamento. E daí começam a surgir outros, 
mas grupos locais que estão muito enfraquecidos, quando se juntaram ao 
coletivo, falaram, nossa, existe gente se mobilizando, existe gente se 
integrando, existem outras pessoas fazendo a mesma coisa. 
 
O sujeito 5 entende que as ações dos catadores demonstram muito 
claramente a adesão às práticas de sustentabilidade. Apenas enfatiza que: 
 
É uma prática, mas é individual ainda, eles não são organizados ainda para 
trabalhar em grupo. Eles já estão sendo capacitados. Foi contratado o 
trabalho do Movimento Nacional dos Catadores, que vem de São Paulo. 
Eles estão sendo capacitados, mas não estão trabalhando esta prática 
ainda. Eles continuam trabalhando de modo individual como antes. Eles 
estão adquirindo mais teoria, por enquanto, mais conhecimento do que 
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prática. Prática mesmo só vai começar, do trabalho em grupo, quando eles 
tiverem um espaço. 
 
Continua informando entender que embora atuando individualmente os 
catadores já demonstrem o estímulo, mas: 
 
Eles não têm vínculo ainda com a cooperativa. O vínculo é até onde nós 
fizemos até hoje, que foi mobilizar, organizar, formar a cooperativa. Eu 
acredito que sim, pois a Caixa Federal; eles mesmos cobram uma resposta 
da Prefeitura. A Prefeitura se sente no dever, pressionada para cumprir sim. 
Nem que não saia, por exemplo, o projeto, que está previsto, o galpão, 
máquinas, tudo. A Prefeitura acho que ela está se responsabilizando em 
achar uma saída, nem se for alugar um galpão para eles, provisório. 
 
O sujeito 6 também entende que o estímulo é visível e coerente. Percebe-
se o crescimento na medida em que os contatos evoluem: 
 
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