ines da silva moreira
167 pág.

ines da silva moreira


DisciplinaServiço Social e Terceiro Setor76 materiais1.327 seguidores
Pré-visualização44 páginas
para o da diversificação de produtos com 
mais elevado grau de valor agregado. 
Foram mais de cinquenta anos para redesenhar-se o novo modelo de 
crescimento do Brasil, fundamentando-se, até os anos de 1990, na diversificação e 
ampliação das cadeias de transformação industrial. 
Dessa forma, foi preciso reestruturar o Estado, remontar padrões de 
financiamento, acumular força política para conter conflitos de interesses e criar 
alianças para viabilizar pactos setoriais, visando a garantir a retomada de 
crescimento. 
19 
 
Sobre tais movimentos é importante recorrer-se à Escola Cepalina ou 
Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), que tem como 
objetivo contribuir para o desenvolvimento da América Latina, mediante a 
coordenação de ações econômicas para o crescimento e promoção do 
desenvolvimento, além de reforçar as relações dos países da região entre si e com 
os demais países do mundo. 
Na visão de João Manuel Cardoso de Mello, a Escola Cepalina advoga 
para demonstrar que o melhor caminho a ser trilhado pela América Latina é o da 
industrialização. Sem essa alteração de importância, o desenvolvimento da Região 
não aconteceria no ritmo necessário. Para um país industrializar-se, há 
necessidade de uma ruptura com a estagnação, provocada pela política voltada 
para a produção e exportação de bens primários, ou da monocultura que marcou o 
Brasil no final do século XIX e até meados do século XX. 
Ao buscar a industrialização, além da necessária melhora da qualidade 
da mão de obra, há aumento considerável do valor agregado do bem final, e o 
desenvolvimento poderá vir a ocorrer. A industrialização provoca certo grau de 
independência, na medida em que provoca ruptura com os laços de dependência. 
Fatores regionais contribuíram para tornar o movimento voltado para a 
industrialização um fator de quase insucesso, por não levarem em conta a 
regionalidade. Daí a necessidade de repensá-la, continua João Manuel C. de Mello. 
 
Ter-se-ia inaugurado, de acordo com o paradigma cepalino, nas duas 
últimas décadas do século XIX, uma nova etapa do processo de 
desenvolvimento latino-americano com a constituição das economias 
primário-exportadoras. (MELLO, 1982, p. 29). 
 
O melhor caminho foi buscar industrialização que permitisse exportação 
do excedente, mas a valores interessantes, bem como aceleração da substituição 
das importações. 
Furtado anuncia nos seus comentários sobre a dominação da América 
Latina pelos Estados Unidos: 
 
[...] el éxito de una política de desarrolo en América latina dependerá 
fundamentalmente de la capacidad de quienes la dirijan para movilizar la 
participación, en diversos grados, de gran parte de la problación, y esa tarea 
solamente podrá ser realizada a partir de los centros políticos nacionales y 
sobre la base de los valores e ideales de cada nacionalidad. (FURTADO, 
1968, p. 53) 
20 
 
Afirma também que a integração econômica latino-americana só se 
justifica concebida como definição de políticas comuns entre Estados nacionais, e 
não como um conjunto entre grandes empresas estrangeiras que operam na região 
com justaposição de interesses. Toda autêntica política de desenvolvimento tira sua 
força a partir de um conjunto de valores que estão nos ideais da coletividade e nos 
objetivos que podem servir para o desenvolvimento regional. 
Assim, o desenvolvimento econômico alia o crescimento à distribuição 
mais justa de bens e serviços à população. Através do desenvolvimento Econômico 
é possível esperar por melhora no terreno social, com distribuição mais igualitária 
de recursos e investimentos, que atingem as classes menos favorecidas. 
Vivem-se tempos de transformações e aceleradas mudanças, não só em 
relação à ordem econômica, como na esfera cultural, na sociabilidade e na 
comunicação, construindo um lado que se denomina \u201cidentidade global\u201d. 
Assim, \u201d[...] o capital financeiro assumiu o comando do processo de 
acumulação envolvendo a economia e a sociedade, a política e a cultura, marcando 
profundamente as formas de sociabilidade e o jogo das forças sociais.\u201d 
(IAMAMOTO, 2007, p.107). 
Somente a sociedade com expressivo grau de homogeneidade social, 
poderá orientar seus investimentos de forma racional. Sabe-se que numa economia 
globalizada essa discrepância entre mercado e interesse social tende a agravar-se. 
O Brasil é marcado por desigualdade social elevada. 
Como dizia Karl Marx (1968, p. 71): \u201c[...] na lógica do capital, não há 
crescimento sem a exploração da natureza, do trabalhador e também não há 
aumento do capital sem aumento da pobreza e da vulnerabilidade social.\u201d 
A natureza fornece os meios de produção, mas o produto não pertence 
ao trabalhador e sim à propriedade privada, resultado do trabalho exteriorizado da 
relação externa do trabalhador com a natureza. 
Já Maria da Conceição Tavares, em uma série de ensaios lançados em 
1993, tratava da resistência da economia brasileira, a despeito das inúmeras 
alterações de planos econômicos e das taxas inflacionárias. Em parte, creditava a 
capacidade do país em permanecer ativo ao fato de ter dinamizado seu 
desenvolvimento industrial desde os idos de 1950, o que ajudou a distanciar-se de 
uma economia dependente com uma só vertente. O processo contínuo de 
21 
 
industrialização passou a dividir a dependência brasileira de exportação, antes 
centrada em minérios e alimentos. 
Diz Maria da Conceição Tavares e Fiori (1993, p. 107) que: 
 
[...] as políticas públicas deveriam visar um aumento da competitividade 
global da economia que, nas atuais circunstâncias e diante do 
desenvolvimento da economia mundial, teriam de adaptar-se a um novo 
paradigma industrial e tecnológico que está baseado cada vez mais na 
melhora apreciável dos recursos humanos, tanto em termos educacionais 
como de qualidade de vida. 
 
As alterações devem ser cada vez mais profundas, de modo a provocar 
melhora considerável da qualidade de vida da população, em conjunto com maior 
compromisso dos empresários, em geral. 
Nos anos de 1990, voltam a prevalecer as ideias Neoliberais, que 
privilegiam decisões privadas, reduzindo o papel do Estado. Foi uma década de 
endividamento externo, voltado para pagamento de dívidas contraídas por 
imposições de política econômica, que privilegiavam os interesses dos agentes 
externos, desconsiderando potenciais condições internas do país. 
Ao longo da primeira década do século XXI, ações visando ao 
desenvolvimento foram retomadas, bem como dado continuidade ao combate da 
inflação. Dentre os principais programas merecem destaque o Avança Brasil, na 
gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e um exemplo atual que 
confirma a proposição de Tavares é o Programa de Aceleração do Crescimento 
(PAC), que teve início, em 2007. Instituído pelo Presidente da República à época, 
Luiz Inácio Lula da Silva, determinou que o modelo de desenvolvimento do Brasil 
se realizasse de forma integrada, passando pelo conceito de sustentabilidade 
social e ambiental, de acordo com as potencialidades e vulnerabilidade dos 
recursos disponíveis. 
É um programa do governo federal, visando a estimular o crescimento da 
economia brasileira, através de investimento em obras de infraestrutura (portos, 
rodovias, aeroportos, redes de esgoto, geração de energia, hidrovias, ferrovias, 
abastecimento de água e obras sociais, tais como escolas, moradias, hospitais, 
creches e conjunto de ações em projetos ambientais). 
O capital utilizado no PAC vem do orçamento do governo federal. Há 
ainda capitais de investimentos de empresas estatais (exemplo: PETROBRÁS) e 
22 
 
investimentos privados com estímulos para parcerias com o governo - Parceria