ines da silva moreira
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ines da silva moreira


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para o da diversificação de produtos com

mais elevado grau de valor agregado.

Foram mais de cinquenta anos para redesenhar-se o novo modelo de

crescimento do Brasil, fundamentando-se, até os anos de 1990, na diversificação e

ampliação das cadeias de transformação industrial.

Dessa forma, foi preciso reestruturar o Estado, remontar padrões de

financiamento, acumular força política para conter conflitos de interesses e criar

alianças para viabilizar pactos setoriais, visando a garantir a retomada de

crescimento.

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Sobre tais movimentos é importante recorrer-se à Escola Cepalina ou

Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), que tem como

objetivo contribuir para o desenvolvimento da América Latina, mediante a

coordenação de ações econômicas para o crescimento e promoção do

desenvolvimento, além de reforçar as relações dos países da região entre si e com

os demais países do mundo.

Na visão de João Manuel Cardoso de Mello, a Escola Cepalina advoga

para demonstrar que o melhor caminho a ser trilhado pela América Latina é o da

industrialização. Sem essa alteração de importância, o desenvolvimento da Região

não aconteceria no ritmo necessário. Para um país industrializar-se, há

necessidade de uma ruptura com a estagnação, provocada pela política voltada

para a produção e exportação de bens primários, ou da monocultura que marcou o

Brasil no final do século XIX e até meados do século XX.

Ao buscar a industrialização, além da necessária melhora da qualidade

da mão de obra, há aumento considerável do valor agregado do bem final, e o

desenvolvimento poderá vir a ocorrer. A industrialização provoca certo grau de

independência, na medida em que provoca ruptura com os laços de dependência.

Fatores regionais contribuíram para tornar o movimento voltado para a

industrialização um fator de quase insucesso, por não levarem em conta a

regionalidade. Daí a necessidade de repensá-la, continua João Manuel C. de Mello.

Ter-se-ia inaugurado, de acordo com o paradigma cepalino, nas duas
últimas décadas do século XIX, uma nova etapa do processo de
desenvolvimento latino-americano com a constituição das economias
primário-exportadoras. (MELLO, 1982, p. 29).

O melhor caminho foi buscar industrialização que permitisse exportação

do excedente, mas a valores interessantes, bem como aceleração da substituição

das importações.

Furtado anuncia nos seus comentários sobre a dominação da América

Latina pelos Estados Unidos:

[...] el éxito de una política de desarrolo en América latina dependerá
fundamentalmente de la capacidad de quienes la dirijan para movilizar la
participación, en diversos grados, de gran parte de la problación, y esa tarea
solamente podrá ser realizada a partir de los centros políticos nacionales y
sobre la base de los valores e ideales de cada nacionalidad. (FURTADO,
1968, p. 53)

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Afirma também que a integração econômica latino-americana só se

justifica concebida como definição de políticas comuns entre Estados nacionais, e

não como um conjunto entre grandes empresas estrangeiras que operam na região

com justaposição de interesses. Toda autêntica política de desenvolvimento tira sua

força a partir de um conjunto de valores que estão nos ideais da coletividade e nos

objetivos que podem servir para o desenvolvimento regional.

Assim, o desenvolvimento econômico alia o crescimento à distribuição

mais justa de bens e serviços à população. Através do desenvolvimento Econômico

é possível esperar por melhora no terreno social, com distribuição mais igualitária

de recursos e investimentos, que atingem as classes menos favorecidas.

Vivem-se tempos de transformações e aceleradas mudanças, não só em

relação à ordem econômica, como na esfera cultural, na sociabilidade e na

comunicação, construindo um lado que se denomina \u201cidentidade global\u201d.

Assim, \u201d[...] o capital financeiro assumiu o comando do processo de

acumulação envolvendo a economia e a sociedade, a política e a cultura, marcando

profundamente as formas de sociabilidade e o jogo das forças sociais.\u201d

(IAMAMOTO, 2007, p.107).

Somente a sociedade com expressivo grau de homogeneidade social,

poderá orientar seus investimentos de forma racional. Sabe-se que numa economia

globalizada essa discrepância entre mercado e interesse social tende a agravar-se.

O Brasil é marcado por desigualdade social elevada.

Como dizia Karl Marx (1968, p. 71): \u201c[...] na lógica do capital, não há

crescimento sem a exploração da natureza, do trabalhador e também não há

aumento do capital sem aumento da pobreza e da vulnerabilidade social.\u201d

A natureza fornece os meios de produção, mas o produto não pertence

ao trabalhador e sim à propriedade privada, resultado do trabalho exteriorizado da

relação externa do trabalhador com a natureza.

Já Maria da Conceição Tavares, em uma série de ensaios lançados em

1993, tratava da resistência da economia brasileira, a despeito das inúmeras

alterações de planos econômicos e das taxas inflacionárias. Em parte, creditava a

capacidade do país em permanecer ativo ao fato de ter dinamizado seu

desenvolvimento industrial desde os idos de 1950, o que ajudou a distanciar-se de

uma economia dependente com uma só vertente. O processo contínuo de

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industrialização passou a dividir a dependência brasileira de exportação, antes

centrada em minérios e alimentos.

Diz Maria da Conceição Tavares e Fiori (1993, p. 107) que:

[...] as políticas públicas deveriam visar um aumento da competitividade
global da economia que, nas atuais circunstâncias e diante do
desenvolvimento da economia mundial, teriam de adaptar-se a um novo
paradigma industrial e tecnológico que está baseado cada vez mais na
melhora apreciável dos recursos humanos, tanto em termos educacionais
como de qualidade de vida.

As alterações devem ser cada vez mais profundas, de modo a provocar

melhora considerável da qualidade de vida da população, em conjunto com maior

compromisso dos empresários, em geral.

Nos anos de 1990, voltam a prevalecer as ideias Neoliberais, que

privilegiam decisões privadas, reduzindo o papel do Estado. Foi uma década de

endividamento externo, voltado para pagamento de dívidas contraídas por

imposições de política econômica, que privilegiavam os interesses dos agentes

externos, desconsiderando potenciais condições internas do país.

Ao longo da primeira década do século XXI, ações visando ao

desenvolvimento foram retomadas, bem como dado continuidade ao combate da

inflação. Dentre os principais programas merecem destaque o Avança Brasil, na

gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e um exemplo atual que

confirma a proposição de Tavares é o Programa de Aceleração do Crescimento

(PAC), que teve início, em 2007. Instituído pelo Presidente da República à época,

Luiz Inácio Lula da Silva, determinou que o modelo de desenvolvimento do Brasil

se realizasse de forma integrada, passando pelo conceito de sustentabilidade

social e ambiental, de acordo com as potencialidades e vulnerabilidade dos

recursos disponíveis.

É um programa do governo federal, visando a estimular o crescimento da

economia brasileira, através de investimento em obras de infraestrutura (portos,

rodovias, aeroportos, redes de esgoto, geração de energia, hidrovias, ferrovias,

abastecimento de água e obras sociais, tais como escolas, moradias, hospitais,

creches e conjunto de ações em projetos ambientais).

O capital utilizado no PAC vem do orçamento do governo federal. Há

ainda capitais de investimentos de empresas estatais (exemplo: PETROBRÁS) e

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investimentos privados com estímulos para parcerias com o governo - Parceria