Prof. Carlos Márcio - Roteiro das Aulas - Direito Penal II - 2013-2
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retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; ou 
VII \u2013 pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei. 
Art. 108. A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo ou circunstância 
agravante de outro não se estende a este. Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não 
impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante da conexão. 
 
Prescrição antes de transitar em julgado a sentença 
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no parágrafo único do art. 
110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena de prisão cominada ao crime, verificando-se: 
I \u2013 em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; 
II \u2013 em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze; 
III \u2013 em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito; 
IV \u2013 em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro; 
V \u2013 em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois; 
VI - em três anos, se o máximo da pena é inferior a um ano. 
Prescrição das penas restritivas de direito 
Parágrafo único. Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as de prisão. 
 
Prescrição depois de transitar em julgado sentença final condenatória 
Art. 110. A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e 
verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o condenado é 
reincidente. 
Parágrafo único. A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação, ou 
depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por 
termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. 
 
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final 
Art. 111. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr: 
I \u2013 do dia em que o crime se consumou; 
II \u2013 no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; 
III \u2013 nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; 
IV \u2013 no crime de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que o fato se tornou 
conhecido; 
V \u2013 nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste Código ou em legislação 
especial, da data em que a vítima completar dezoito anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação 
penal; 
VI \u2013 nos crimes falimentares, do dia da decretação da falência, da concessão da recuperação judicial ou da 
homologação do plano de recuperação extrajudicial. 
 
 
18 STJ. 5a Turma. Relator Ministro JORGE MUSSI. HC 127266/SP. DJ de 26/10/2010 
 
 
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Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível 
Art. 112. No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr: 
I \u2013 do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação; ou 
II \u2013 do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção deva computar-se na pena. 
 
Prescrição no caso de evasão do condenado 
Art. 113. No caso de evadir-se o condenado, a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena. 
 
Prescrição da multa 
Art. 114. A prescrição da pena de multa ocorrerá: 
I \u2013 em dois anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada; 
II \u2013 no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena de prisão, quando a multa for alternativa ou 
cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada. 
 
Redução dos prazos de prescrição 
Art. 115. São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor 
de vinte e um anos, ou, na data da sentença, maior de setenta anos. 
 
Causas impeditivas da prescrição 
Art. 116. Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: 
I \u2013 enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência do 
crime; 
II \u2013 enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro. 
Parágrafo único. Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre durante o tempo 
em que o condenado está preso por outro motivo. 
 
Causas interruptivas da prescrição 
Art. 117. O curso da prescrição interrompe-se: 
I \u2013 pelo recebimento da denúncia ou da queixa; 
II \u2013 pela pronúncia; 
III \u2013 pela decisão confirmatória da pronúncia; 
IV \u2013 pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; 
V \u2013 pelo início ou continuação do cumprimento da pena; 
VI \u2013 pela reincidência. 
§ 1º Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos 
relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo processo, estende-
se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles. 
§ 2º Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o prazo começa a correr, 
novamente, do dia da interrupção. 
Art. 118. As penas mais leves prescrevem com as mais graves. 
Art. 119. No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, 
isoladamente. 
Perdão judicial 
Art. 120. A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência 
 
 
 
UNIDADE 04 - DOS CRIMES CONTRA A PESSOA 
 
Art. 121 -Homicídio 
 
 
1- Conceito 
 
 É a morte de uma pessoa provocada por outra. O bem juridicamente 
tutelado é a vida humana extrauterina (a vida intrauterina é tutelada nos tipos penais atinentes ao 
aborto - art. 124/126). 
 
 O consentimento da vítima é irrelevante, mesmo nos casos de doença fatal, 
pois que o a lei tutela não é a vitalidade ou capacidade de sobrevivência, mas a vida humana. 
 
 
 
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2- Núcleo do tipo 
 
 É o verbo \u201cmatar\u201d que é significa qualquer forma de eliminação da pessoa humana, 
utilizando-se de qualquer meio. A ação nuclear poderá ser praticada por ação ou por omissão, desde que haja 
dever de agir (art. 13, § 2º, do CP). 
 
 
3- Constatação da materialidade 
 
 Constata-se a materialidade do homicídio pela realização do exame cadavérico. 
Entretanto, não sendo possível sua realização, admite-se a comprovação da morte por qualquer outro meio 
de prova admissível. 
 
4- Elemento subjetivo 
 
 É o dolo, tanto na forma direta quanto indireta. Admite-se também a forma 
culposa nos termos do § 3º do art. 121. 
 
5- Sujeito ativo 
 
 Qualquer pessoa modalidade comissiva e na omissiva, qualquer um que tenha 
dever de agir. 
 
 A Lei nº 8.930/94 que alterou o art. 1º da Lei dos Crimes Hediondos, determinou 
que a prática de homicídio como atividade típica da ação de grupos de extermínio configura-se como crime 
hediondo. 
 
6- Sujeito passivo 
 
i) Em princípio, qualquer pessoa. Todavia, matar o Presidente da República, do Senado, da Câmara dos 
Deputados ou do STF pode configurar crime contra a segurança nacional: 
 
LEI Nº 7.170, DE 14 DE DEZEMBRO DE 1983 -.Art. 26 - Caluniar ou difamar o Presidente da 
República, o do Senado Federal, o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal 
Federal, imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação.Pena: 
reclusão, de 1 a 4 anos.Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, conhecendo o 
caráter ilícito da imputação, a propala ou divulgar. Art. 29 - Matar qualquer das autoridades 
referidas no art. 26.Pena: reclusão, de 15 a 30 anos. 
 
ii) Matar com intenção de destruir, em todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso pode 
configurar crime de genocídio: 
 
LEI Nº 2.889, DE 1 DE OUTUBRO DE 1956. - Art. 1º Quem, com a intenção de destruir,