Prof. Carlos Márcio - Roteiro das Aulas - Direito Penal II - 2013-2
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no 
todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal:a) matar membros do 
grupo;Será punido:Com as penas do art. 121, § 2º, do Código Penal, no caso da letra a; 
 
7- Momento da consumação 
 
Com a morte da vítima, que ocorre com a cessão da atividade encefálica da vítima (Lei nº 
9.434/97 e Resolução nº 1.480/97 do Conselho Federal de Medicina). 
 
Art. 3º, Lei n° 9.434/97- A retirada post mortem de tecidos, órgãos ou partes do 
corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser precedida de 
diagnóstico de morte encefálica, constatada e registrada por dois médicos não 
participantes das equipes de remoção e transplante, mediante a utilização de 
critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de 
Medicina. 
 
 RESOLUÇÃO CFM n° 1.480/97 
 
 
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Art. 1°. A morte encefálica será caracterizada através da realização de exames 
clínicos e complementares durante intervalos de tempo variáveis, próprios para 
determinadas faixas etárias. 
Art. 3°. A morte encefálica deverá ser conseqüência de processo irreversível e de 
causa conhecida. 
Art. 4°. Os parâmetros clínicos a serem observados para constatação de morte 
encefálica são: coma aperceptivo com ausência de atividade motora supra- espinal 
e apnéia. 
Art. 6°. Os exames complementares a serem observados para constatação de 
morte encefálica deverão demonstrar de forma inequívoca: a) ausência de 
atividade elétrica cerebral ou, b) ausência de atividade metabólica cerebral ou, 
c) ausência de perfusão sangüínea cerebral. 
 
8- Homicídio simples: 
 
Caput 
 
9- Homicídio privilegiado: 
 
9.1- Causa de redução: (redução de 1/6 a 1/3) 
 
9.2- Hipóteses: 
 
a) motivo de relevante valor moral: 
 
 O agente age no interesse particular, mas tais interesses estão fortemente 
ligados aos sentimentos de piedade, compaixão e misericórdia. Por exemplo, a eutanásia. Note que a 
exposição de motivos do CP, no item 39, dá o homicídio eutanásico19 como exemplo de homicídio 
privilegiado. 
 
\u201cAo lado do homicídio com pena especialmente agravada, cuida o projeto do 
homicídio com pena especialmente atenuada, isto é, o homicídio praticado "por 
motivo de relevante valor social, ou moral", ou "sob o domínio de emoção 
violenta, logo em seguida a injusta provocação da vítima". Por "motivo de 
relevante valor social ou moral", o projeto entende significar o motivo que, em si 
mesmo, é aprovado pela moral prática, como, por exemplo, a compaixão ante o 
irremediável sofrimento da vítima (caso do homicídio eutanásico), a indignação 
contra um traidor da pátria, etc.\u201d 
 
 A respeito da Eutanásia/Ortotanásia, veja-se as Resoluções do Conselho Federal 
de Medicina. 
 
 Resolução nº 1.802/2006 do Conselho Federal de Medicina. 
 
Art. 1º É permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e 
tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de 
enfermidade grave e incurável, respeitada a vontade da pessoa ou de seu 
representante legal. 
 
19 
Eutanásia: 
é o ato de provocar a morte de um paciente que sofre de doença grave, terminal ou incurável, aplicando-lhe, por exemplo, 
altas doses de sedativos; 
Distanásia: 
prolongar a vida de modo artificial, sem perspectiva de cura ou melhora. É o chamado "excesso terapêutico", ou seja, certas 
intervenções médicas já inadequadas à situação real do doente; 
Ortotanásia: 
é a retirada de aparelhos ou de medicações que servem para prolongar a vida de um paciente terminal. A retirada ocorre sem 
causar sofrimento. A ortotanásia permite que aconteça a morte "no tempo certo", sem cortes bruscos (eutanásia) nem 
prolongamentos desproporcionais do processo de morte (distanásia). 
 
 
 
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§ 1º O médico tem a obrigação de esclarecer ao doente ou a seu 
representante legal as modalidades terapêuticas adequadas para cada 
situação. 
§ 2º A decisão referida no caput deve ser fundamentada e registrada no 
prontuário. 
§ 3º É assegurado ao doente ou a seu representante legal o direito de 
solicitar uma segunda opinião médica. 
Art. 2º O doente continuará a receber todos os cuidados necessários para 
aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, assegurada a assistência 
integral, o conforto físico, psíquico, social e espiritual, inclusive 
assegurando-lhe o direito da alta hospitalar. 
 Art. 3º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, 
revogando-se as disposições em contrário. 
 
 
Resolução nº 1.931/2009 do Conselho Federal de Medicina \u2013 Código de Ética Médica 
Art. 41. Abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu 
representante legal. 
Parágrafo único. Nos casos de doença incurável e terminal, deve o médico 
oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem empreender ações 
diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas, levando sempre em 
consideração a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu 
representante legal.20 
 
b) Motivo de relevante valor social: 
 
 É aquele que mata no interesse da coletividade. Por exemplo, a doutrina 
considera com tais: matar o traidor da pátria, matar para resguardar a pátria, ou mesmo matar o perigoso 
bandido que assusta toda uma coletividade. 
 
c) domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima: 
 
 
10- Homicídio qualificado 
 
 Observados os: 
 
i) motivos	
  do	
  crime;	
  	
  	
  
ii) meios;	
  	
  
iii) modos	
  de	
  execução;	
  e	
  
iv) objetivos	
  do	
  crime	
  	
  
 Certas situações podem ser incorporadas na constituição das elementares do 
crime, modificando os limites entre a pena mínima e máxima. 
 
10.1) Mediante paga ou promessa de recompensa, ou outro motivo torpe. 
 
a) mediante paga: É o caso do pistoleiro que é contratado para executar um homicídio. Aplica-se 
somente ao executor. 
 
b) mediante recompensa: É a hipótese do indivíduo que institui prêmio para quem realizar um 
homicídio. Aplica-se somente ao executor. 
 
20 Este artigo da Resolução 1931/2009 teve sua eficácia suspensa por decisão liminar tomada em Ação Civil Pública em trâmite 
na Justiça Federal do Distrito Federal. No entanto, em dezembro de 2010, no julgamento de mérito o pedido de suspensão do 
dispositivo foi julgado improcedente. 
 
 
 
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c) Motivo torpe: é aquele que é moralmente reprovável, abjeto, desprezível, vil, que suscita repugnância 
geral. Em geral, tem relação com questões financeiras. A respeito do conceito de torpeza já se manifestou o 
Superior Tribunal de Justiça: 
 
A qualificadora do motivo torpe para restar configurada, até pela própria 
redação do Código Penal, deve assemelhar-se ao crime de homicídio 
cometido "mediante paga ou promessa de recompensa", porquanto tem-
se aí típica hipótese de interpretação analógica. Isso significa que o "outro 
motivo torpe" a que faz alusão a lei no final do dispositivo deve ter 
intensidade equiparada às hipóteses constantes no tipo.21 
 
10.2) Motivo fútil: é aquele insignificante, havendo desproporção entre o crime praticado e sua causa 
moral, incapaz de dar ao ato uma explicação razoável. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de 
Justiça a ausência de motivo não caracteriza motivo fútil: 
 
Como é sabido, fútil é o motivo insignificante, apresentando desproporção entre 
o crime e sua causa moral. Não se pode confundir,como se pretende, ausência 
de motivo com futilidade. Assim, se o sujeito pratica o fato sem razão alguma, 
não incide essa qualificadora, à luz do princípio da reserva legal. 22