Prof. Carlos Márcio - Roteiro das Aulas - Direito Penal II - 2013-2
75 pág.

Prof. Carlos Márcio - Roteiro das Aulas - Direito Penal II - 2013-2


DisciplinaDireito Penal II10.734 materiais286.007 seguidores
Pré-visualização29 páginas
10.3) Emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de 
que possa resultar perigo comum: 
 
- asfixia: é o impedimento da função respiratória com a conseqüente falta de oxigênio no sangue da vítima. 
Pode ser mecânica (enforcamento, estrangulamento, afogamento, esganadura, sufocação) ou tóxica (gás 
asfixiante); 
 
- tortura: É o caso do agente que querendo matar se vale da tortura para consumar o homicídio. Contudo, há 
que se diferenciar da hipótese do agente que quer torturar e acaba como conseqüência não esperada, 
matando a vítima. No primeiro caso há homicídio qualificado pela tortura e no segundo há tortura qualificada 
pela morte (art. 1º, § 3º da Lei nº 9455/97 \u2013 Pena de 8/16 anos de reclusão em regime inicialmente 
fechado); 
 
- meio insidioso: é aquele dissimulado na sua eficiência, consistindo na ocultação do verdadeiro propósito do 
autor; 
 
- meio cruel: é o que causa sofrimento desnecessário à vítima ou revela brutalidade incomum. 
 
10.4- Traição, emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne 
impossível a defesa do ofendido. 
 
 
 São situações que qualificam o homicídio pela utilização de recursos impeditivos 
da defesa da vítima, comprometendo total ou parcialmente seu potencial ofensivo. 
 
i) Traição: é o ataque súbito e sorrateiro que poderá se dar tanto no plano físico 
(matar pelas costas) quanto no moral (quebra de confiança - vítima que confiada 
na suposta amizade do agente é atraído para local onde há um poço); 
 
ii) emboscada: é a tocaia, que pressupõe premeditação. O sujeito passivo não 
percebe o ataque do ofensor, pois este se encontra escondido. 
 
 
21 STJ. 5a Turma. Relator Ministro FÉLIX FISCHER. HC 77.309/SP. DJ de 26/05/2008. 
 
22 STJ. 5a Turma. Relatora Ministra LAURITA VAZ. REsp 769651/SP. DJ de 15/05/2006. 
 
 
Roteiro das Aulas - Direito Penal II - 2013-2.docx2 
 30 
 
iii) dissimulação: é a ocultação do próprio autor. O disfarce que esconde o 
propósito delituoso. Na dissimulação \u201chá a ocultação da intenção hostil, para 
acometer a vítima de surpresa\u201d 
 
iv) recurso que dificulte ou impossibilite a defesa do ofendido: é a fórmula 
genérica do dispositivo 
 
 
 
10.5- Assegurar a execução, a ocultação, a impunidade o vantagem de outro crime: 
 
 Trata-se de situação em que o indivíduo comete um homicídio que é conexo 
(vínculo de natureza subjetiva) a outro crime. 
 
 Exemplos: 
 
i) Matar o marido para estuprar a esposa (homicídio praticado para garantir a 
execução do crime de estupro); 
 
ii) Matar testemunha de um crime para que esta não denuncie o fato às 
autoridades (homicídio praticado para garantir a ocultação de outro crime); 
 
iii) Tendo fato criminoso já chegado ao conhecimento das autoridades o agente 
mata a testemunha para impedir que esta o prejudique em eventual depoimento 
(homicídio praticado para garantir a impunidade em outro crime); 
 
iv) Matar alguém para se tornar beneficiário de seguro de vida. Na hipótese 
haverá o crime de homicídio e o de estelionato (homicídio praticado para garantir 
vantagem em outro crime). 
 
10.6 -Pluralidade de qualificadoras: 
 
 A existência de mais de uma qualificadora ensejara a caracterização da primeira 
como tal e das demais como agravantes. 
 
 É como já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça: 
 
 
RESP - HOMICIDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO - PENA REDUZIDA AO PATAMAR 
MINIMO - RECURSO QUE PRETENDE RESTABELECER A DECISÃO DE PRIMEIRO 
GRAU, CONSIDERANDO UMA DAS CIRCUNSTANCIAS COMO QUALIFICADORA E 
OUTRA, COMO AGRAVANTE GENERICA - PRECEDENTES. 
1 INCIDINDO SOBRE A AÇÃO DELITUOSA, DUAS QUALIFICADORAS, UMA SERVIRA 
COMO TAL E A OUTRA COMO AGRAVANTE GENERICA, SE PREVISTA NA NORMA 
ESPECIFICA, COMO OCORRE NO CASO PRESENTE (ART. 61, II, "A" E "C", DO 
CP).23 
 
10.7- Coexistência entre o homicídio privilegiado e qualificado 
 
 Poderá ocorrer desde que as qualificadores sejam de natureza objetiva (refiram-
se ao fato criminoso ou a vítima \u2013 incisos III e IV do § 2o): 
 
 Anote-se a posição do Superior Tribunal de Justiça: 
 
 
23 STJ. 6ª Turma. Relator Ministro ANSELMO SANTIAGO. REsp 1997/0074241-5. DJ 03/08/1998, p. 339 
 
 
 
Roteiro das Aulas - Direito Penal II - 2013-2.docx2 
 31 
 
\u201cNão há incompatibilidade na coexistência de circunstâncias que qualificam o homicídio e 
as que o tornam privilegiado. O reconhecimento pelo Tribunal do Júri de que o paciente 
agiu sob o domínio de violenta emoção com surpresa para a vítima não é contraditório, 
tendo em vista que as circunstâncias privilegiadoras, de natureza subjetiva, e 
qualificadoras, de natureza objetiva, podem concorrer no mesmo fato-homicídio. Recurso 
especial parcialmente conhecido e desprovido.\u201d 24 
 
 E do Supremo Tribunal Federal: 
\u201cA jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido da possibilidade 
de homicídio privilegiado-qualificado, desde que não haja incompatibilidade entre 
as circunstâncias do caso. Noutro dizer, tratando-se de qualificadora de caráter 
objetivo (meios e modos de execução do crime), é possível o reconhecimento do 
privilégio (sempre de natureza subjetiva.\u201d 
12- Homicídio culposo: (pena de 1 a 3 anos) 
 
 Trata-se de um tipo aberto em que se faz a indicação pura e simples da 
modalidade culposa, sem fazer menção à conduta típica. 
 
12.1- Causa de aumento 
 
 Aumenta-se a pena do homicídio culposo nas seguintes hipóteses : 
 
i) inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício; 
 
ii) agente que deixa de prestar imediato socorro a vítima; 
 
iii) agente que não procura diminuir as conseqüências do ato; 
 
iv) agente que foge para evitar prisão em flagrante. 
 
 No caso do homicídio doloso: 
 
i) vitima menor de 14 ou maior de 60 anos; 
 
ii) A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for 
praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de 
segurança, ou por grupo de extermínio. (§6° do art. 121, acrescentado 
pela Lei 12.720/12) 
 
art. 122 - Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio 
 
1- Conceito: 
 
 O direito conceitual o suicídio como o ato voluntário de destruição da própria 
vida. Embora não seja uma conduta tipificada pelo CP há punição para aquele que induz, instiga ou auxilia 
outrem a prática do suicídio. 
 
2- Bem juridicamente tutelado: 
 
 A vida humana. 
 
 
 
3- Ação nuclear 
 
24 STJ. 6ª. Relator Ministro VINCENTE LEAL. REsp nº 326118/MS. D.J 17/06/2002, p. 311 
 
 
Roteiro das Aulas - Direito Penal II - 2013-2.docx2 
 32 
 
 
a) induzir: e dar a idéia, sugerir. Há a indução quando o agente insere na mente da vítima a idéia do 
suicídio. 
 
b) instigar: o agente reforça uma idéia pré-existente, encorajando a vítima a cometer o suicídio. 
 
c) prestar auxílio: pode se dar de diversos modos, emprestando uma arma, indicando um local, etc. 
 
4- Elemento subjetivo: 
 
 É o dolo. Não há se falar em induzimento através de dizeres genéricos, 
proferidos em livros, músicas, espetáculos. Admite-se o dolo eventual no caso da roleta russa. Os 
participantes sobreviventes respondem pelo crime previsto no art. 122. 
5- Sujeito ativo: 
 
 Qualquer pessoa. 
 
6- Sujeito passivo: 
 
 Qualquer pessoa que, tenha capacidade de discernimento e das consequências 
de sua conduta. Assim não ocorrendo, perene ou transitoriamente, responde o autor do fato pelo crime de 
homicídio. 
 
 É recorrente na doutrina os que entendem que os menores de 14 anos não 
gozam desta capacidade de discernimento, sendo assim, se induzidos/instigados/auxiliados ao suicídio, serão 
vítimas de homicídio. 
 
7- Momento da consumação: