Direito Econômico
84 pág.

Direito Econômico


DisciplinaDireito Econômico e da Concorrência7 materiais286 seguidores
Pré-visualização21 páginas
Não se pode dizer que a propriedade pública é exatamente voltada ao in-
teresse público. Portanto, o reconhecimento de sua função social impõe uma 
verificação de conformidade entre esses dois interesses.
Têm sido frequentes as controvérsias surgidas em decorrência da utilização 
de bens públicos por empresas concessionárias de serviços públicos e também 
porque o Estatuto da Cidade fala em função social da cidade, com base no art. 
182, caput, da CF.
D
ire
ito
 E
co
nô
m
ic
o
66
Apesar de expressamente o princípio da função social da propriedade priva-
da estar na Constituição, o princípio da função social da propriedade pública 
está também inserido de forma implícita em alguns dispositivos constitucionais 
que versam sobre a política urbana.
Cabe ao poder público disciplinar, por lei, o uso dos bens públicos, que 
podem ser ampliados ou restringidos, e neste caso, é o interesse público que vai 
balizar as decisões de ampliação ou restrição.
A ideia de função social envolvendo deveres de utilização não é incompatível 
com a propriedade pública, isto por que ela já tem uma finalidade pública que 
lhe é inerente e que pode ser ampliada para atender melhor ao interesse público, 
em especial aos objetivos que estão estabelecidos na CF, voltados ao desenvolvi-
mento das funções sociais da cidade e à garantia do bem-estar dos cidadãos.
A função social da propriedade pública impõe para o poder público um de-
ver, isto significa que existe para os cidadãos um direito de natureza coletiva que 
é exigível judicialmente e que pode ser buscado pela ação popular civil pública.
Cabe ressaltar que, sendo os brasileiros e estrangeiros residentes no país os 
destinatários dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição, 
o direito de propriedade e as implicações do princípio da função social serão 
assegurados também aos estrangeiros, conforme trecho do art. 5º, caput, da CF 
que diz: \u201cgarantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a 
inviolabilidade do direito à propriedade.\u201d
O oferecimento dessa garantia tem como objetivo motivar os investimentos 
de capital estrangeiro no país.
Exercício
27. (AGU \u2013 2002 \u2013 Cespe) Certo ou errado. Historicamente, a origem 
do direito de propriedade imprimiu-lhe a característica privatística 
que até hoje possui, embora atenuada pela disciplina que o texto 
constitucional lhe impõe. No entanto, o tratamento jurídico mais 
expressivo da propriedade limita-se a esses dois ramos do direito: o 
civil e o constitucional.
2. Agências Reguladoras
2.1 Apresentação
Nesta unidade, será dada continuidade ao tema da regulação e tópico 
específico das agências reguladoras.
D
ire
ito
 E
co
nô
m
ic
o
67
2.2 Síntese
Agência Nacional de Saúde Suplementar \u2013 ANS
Foi instituída pela Lei nº 9.961/2000 e regulamentada pelo Decreto nº 
3.327 e pela Resolução RDC (ANS) nº 593/2000. Trata-se de autarquia espe-
cial vinculada ao Ministério da Saúde.
A ANS tem como competência promover o interesse público no que tange 
à assistência suplementar de saúde e regular operadoras setoriais e suas relações 
com prestadores e consumidores, além de contribuir para o desenvolvimento 
das ações de saúde no território nacional.
Agência Nacional de Transportes Aquaviários \u2013 Antaq
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários \u2013 Antaq foi criada pela Lei 
nº 10.233/2001. É autarquia federal vinculada ao Ministério dos Transportes.
Como competência da Agência podem ser destacadas a implementação 
de políticas estabelecidas pelo Ministério dos Transportes e pelo Conselho 
Nacional de Integração de Políticas de Transporte (CONIT), e a supervisão 
e fiscalização de atividades relacionadas à prestação de serviços de transpor-
te aquaviário e de exploração de infraestrutura portuária e aquaviária, quando 
exercida por terceiros.
Agência Nacional de Transportes Terrestres \u2013 ANTT
A Agência Nacional de Transportes Terrestres \u2013 ANTT foi criada pela Lei 
nº 10.233/2001, sendo uma autarquia especial vinculada ao Ministério dos 
Transportes.
A competência da ANTT resume-se na regulação e fiscalização da presta-
ção de serviços de transporte terrestre, por meio de concessões (exploração de 
infraestrutura), permissões (transporte de passageiros não associados à explo-
ração de infraestrutura) e autorizações (transporte de passageiros por empresa 
de turismo e sob regime de fretamento) em diversas áreas de atuação, como 
transporte ferroviário, rodoviário, dutoviário, multimodal e exploração de ter-
minais e vias.
Agência Nacional do Cinema \u2013 Ancine
A Agência Nacional do Cinema \u2013 Ancine foi criada pela Medida Provisória 
nº 2.219/2001. É o órgão oficial de fomento, regulação e fiscalização das in-
dústrias cinematográfica e videofonográfica, sendo vinculado ao Ministério da 
Cultura. Quando de sua criação, a Ancine era vinculada à Casa Civil da Presi-
dência da República e passou a vincular-se ao Ministério da Cultura em 2003.
Além das atividades de fomento, regulação e fiscalização, cabe ressaltar sua 
competência para combater a pirataria de obras audiovisuais.
Agência Nacional de Aviação Civil \u2013 Anac
A Agência Nacional de Aviação Civil \u2013 Anac foi criada pela Lei nº 
11.182/2005 e é autarquia especial vinculada ao Ministério da Defesa, pos-
D
ire
ito
 E
co
nô
m
ic
o
68
suindo independência administrativa, autonomia financeira, ausência de su-
bordinação e mandato fixo de seus dirigentes. Compete à Anac a regulação 
e fiscalização de atividades de aviação civil e de infraestrutura aeronáutica e 
aeroportuária.
Com o objetivo de harmonizar suas relações institucionais na área de defe-
sa e promoção da concorrência, a Anac celebrará convênios com as autorida-
des competentes na matéria. Quando no exercício de suas atribuições tomar 
conhecimento do fato que configure ou possa configurar infração contra a or-
dem econômica, ou que comprometa a defesa e a promoção da concorrência, 
deverá comunicá-lo aos órgãos competentes, para que adotem as providências 
cabíveis.
Banco Central do Brasil \u2013 Bacen
O Banco Central do Brasil \u2013 Bacen foi criado pela Lei nº 4.595/1964, e é 
autarquia federal integrante do Sistema Financeiro Nacional. A Constituição 
Federal de 1988 contém importantes dispositivos que disciplinam a atuação do 
Bacen, especialmente no que tange à competência da União para emissão de 
moeda, a vedação da concessão direta ou indireta de empréstimos ao Tesouro 
Nacional e a substituição da Lei nº 4.595/1964 e redefinição das atribuições da 
sua estrutura. De acordo com o art. 16, constituem receita do Banco Central 
do Brasil as rendas:
\u2022	 Das operações financeiras e outras aplicações de seus recursos.
\u2022	 Das operações de câmbio, de compra e venda de ouro e de quaisquer 
outras operações em moeda estrangeira.
\u2022	 Eventuais, inclusive as derivadas de multas e de juros de mora aplicados 
por força do disposto na legislação em vigor.
Superintendência de Seguros Privados \u2013 Susep
A Superintendência de Seguros Privados \u2013 Susep foi criada pelo Decreto-
-lei nº 73/1966 e é autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. É de sua 
competência o controle e fiscalização dos mercados de seguro, previdência 
privada aberta, capitalização e resseguros no Brasil.
Exercício
28. (Bacen \u2013 Procurador \u2013 2006) A afirmação da competência do Banco 
Central do Brasil para apreciar atos de concentração envolvendo ins-
tituições financeiras, afastando a atuação do Conselho Administra-
tivo de Defesa Econômica \u2013 Cade, tem como argumento favorável 
aquele decorrente da:
a) Especialização funcional, pois o CADE é órgão incumbido de 
regulação geral, ao passo que o Banco Central do Brasil é órgão 
incumbido da fiscalização setorial.
D
ire
ito
 E
co
nô
m
ic
o
69
b) Inconstitucionalidade da Lei nº 4.595/1964, uma vez que o sis-
tema