Direito Econômico
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DisciplinaDireito Econômico e da Concorrência7 materiais286 seguidores
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financeiro nacional deveria ser regulado por leis comple-
mentares, consoante dispõe o art. 192 da Constituição.
c) Análise das competências constitucionais atribuídas a ambos os 
órgãos, o que enseja a compatibilização de dispositivos contradi-
tórios da Constituição.
d) Hierarquia administrativa, porque o Banco Central do Brasil, 
entidade da administração indireta, tem primazia sobre o Cade, 
órgão integrante da administração direta subordinado ao Minis-
tério da Fazenda.
e) Primazia do sistema brasileiro de defesa da concorrência, em 
razão de a Lei nº 8.884/1994 afirmar sua aplicação a todas as 
pessoas físicas ou jurídicas, independentemente da natureza de 
sua atividade.
3. Noções Introdutórias, Lei nº 4.131/1992 
\u2013 Procedimentos de Registro de 
Investimentos Externos Diretos no Banco 
Central do Brasil
3.1 Apresentação
Nesta unidade, veremos as noções introdutórias sobre investimentos de 
capital estrangeiro e aspectos da CF de 1988 e da Lei nº 4.131/1962.
3.2 Síntese
O estudo dos investimentos estrangeiros teve seu início marcado no período 
pós-2ª Guerra, em que a expressão \u201cbens estrangeiros\u201d foi suprida pela expressão 
\u201cinvestimentos estrangeiros\u201d, que é mais moderna e dinâmica e aplicada pelos 
estudiosos de diversas disciplinas até os dias de hoje. Dentre essas disciplinas, 
merecem especial destaque as ciências econômicas e as ciências jurídicas.
A ciência econômica, ou economia, define o investimento estrangeiro ou 
internacional como toda aplicação de recursos em atividade econômica, bem 
como o desenvolvimento dessa atividade econômica, feita pelo nacional de um 
Estado em outro Estado, que seria o receptor do investimento.
Para caracterizar um investimento estrangeiro, essa aplicação de recursos 
deve ser por um período de médio ou de longo prazo. Considera-se médio 
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prazo um investimento de aproximadamente três anos e longo prazo, um inves-
timento de aproximadamente sete anos, sendo que o investidor deve assumir 
os riscos da operação.
Ainda sobre o conceito de investimento estrangeiro, a ciência jurídica não 
consegue contar com uma única definição de investimentos estrangeiros.
Isso acontece porque o conceito é dinâmico, isto é, ele muda com o decor-
rer do tempo em razão da influência que exercem os interesses dos envolvidos 
no tema.
O art. 171 da CF, revogado pela Emenda Constitucional nº 6/1995, dizia 
que eram consideradas empresas brasileiras aquela constituída sob as leis bra-
sileiras e que tivesse sua sede e administração no país; empresa brasileira de 
capital nacional cujo controle efetivo estivesse em caráter permanente sob a ti-
tularidade direta ou indireta de pessoas físicas domiciliadas e residentes no país 
ou de entidades de direito público interno, entendendo-se por controle efetivo 
da empresa a titularidade da maioria de seu capital votante e o exercício, de 
fato e de direito, do poder decisório para gerir suas atividades.
O panorama dos investimentos estrangeiros no Brasil era protecionista, di-
ferenciando o tratamento dado à empresa brasileira e à empresa brasileira de 
capital nacional.
O panorama econômico do Brasil, no início da década de 1990, foi mar-
cado pela abertura comercial, justamente porque o Brasil estava buscando se 
inserir nas economias de mercado, situação que não condizia com as diferen-
ciações do art. 171 que eram aplicados às empresas.
Dessa forma, foi declarada a inconstitucionalidade da distinção entre em-
presas brasileiras e empresas brasileiras de capital nacional, permanecendo em 
vigor o já mencionado art. 172, que prevê a realização de investimentos estran-
geiros conforme disposições legais. Consideram-se capitais estrangeiros, para 
os efeitos desta Lei, os bens, máquinas e equipamentos entrados no país sem 
o dispêndio inicial de divisas, destinados à produção de bens e serviços, bem 
como os recursos financeiros ou monetários, introduzidos no país, para aplica-
ção em atividades econômicas, desde que em ambas as hipóteses, pertençam 
a pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior.
Há outros fatores que podem ser identificados como propulsores de um au-
mento no número de investimentos estrangeiros, como incentivos tributários, 
reformas legislativas, reforma cambial entre outros.
Quando do envio de remessa de capital estrangeiro ao Brasil, faz-se ne-
cessário observar alguns procedimentos relativos ao registro dessas operações 
perante o Banco Central \u2013 Bacen conforme art. 3º da Lei nº 4.131/1962.
Os registros citados neste artigo viabilizam a eliminação das barreiras ao 
ingresso e saída de investimentos, e também agilizam as atividades dos investi-
dores, já que reduzem restrições operacionais e burocráticas.
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A nova regulamentação de registro de investimento estrangeiro direto e em-
préstimo externo estão inseridos na política de liberação cambial iniciada pelo 
Bacen, que acabou ocorrendo em razão da crescente competitividade entre os 
mercados de capitais mundiais.
Atualmente o panorama normativo correspondente ao registro de investi-
mentos é caracterizado pela consolidação das normas, efetivação do registro 
pelo próprio interessado via on-line, eliminação de formulários e obtenção ime-
diata de extratos consolidados de investimentos.
Essas características revelam a evolução do sistema brasileiro de registros, 
principalmente se se considerar que antigamente os procedimentos baseavam-
-se em normas esparsas e confusas que ocorriam através de protocolos físicos 
de formulários, o que acabava gerando uma grande demora para a emissão dos 
Certificados de Registro.
As importações com cobertura cambial envolvem remessa de lucros ao ex-
terior, como forma de pagamento à apropriação de um bem.
Exercício
29. (Defensor \u2013 Maranhão \u2013 2009) Relativamente ao exercício de ativi-
dade econômica, a Constituição da República:
a) Assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade econô-
mica independentemente de autorização de órgãos públicos, 
sem ressalvas.
b) Garante tratamento favorecido para empresas de pequeno porte 
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e admi-
nistração no país.
c) Estabelece que a lei disciplinará, com base no interesse nacio-
nal, os investimentos de capital estrangeiro e incentivará os re-
investimentos, vedando a remessa de lucros para o exterior.
d) Autoriza a exploração de atividade econômica pelo Estado ape-
nas quando necessário aos imperativos da segurança nacional.
e) Prevê que o Estado exercerá funções de fiscalização, incentivo e 
planejamento da atividade econômica, sendo o último determi-
nante para os setores público e privado.
Capítulo 9
Ordem Econômica 
Internacional
1. Globalização \u2013 Soberania \u2013 Mercosul
1.1 Apresentação
Nesta unidade, será tratado o tema sobre a ordem econômica internacional, 
globalização, soberania e Mercosul.
1.2 Síntese
A ordem econômica mundial foi constituída a partir da ONU, sobre uma 
forte influência dos Estados Unidos.
O avanço da globalização tem feito com que as fronteiras econômicas entre 
os países fiquem menos claras, contrapondo-se ao tema da soberania dos Estados.
A globalização é fato e geralmente é também considerada como a remoção 
das barreiras ao livre comércio resultando na maior integração das economias 
nacionais.
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A globalização é algo presente na vida de milhões de habitantes. Muitas 
vezes criticada, ela deve ser vista com cautela, mas também com naturalidade. 
Não se deve defender a globalização como algo definitivo para a humanidade, 
mas também esta não deve ser rechaçada, como se fosse um mal por si.
A globalização deve ser entendida para que se possa ver o que ela oferece 
de positivo e de negativo.
Segundo