Direito Econômico
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DisciplinaDireito Econômico e da Concorrência7 materiais286 seguidores
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Joseph E. Stiglitz, a reação violenta contra a globalização extrai 
sua força não só dos danos percebidos causados aos países em desenvolvimento 
por políticas impulsionadas por ideologias, mas também das injustiças do sis-
tema comercial global.
A globalização indica o fenômeno econômico de busca de conquista de 
mercados sem restrições às fronteiras nacionais ou fenômeno cultural das in-
fluências recíprocas entre habitantes de países diversos.
Desde a antiguidade a soberania é abordada nos pensamentos políticos, 
teológicos e jurídicos. Na idade média prevalece o entendimento da harmonia 
divina para governar o mundo na união da humanidade, sendo o imperador 
a pessoa a ocupar a figura de Cristo.
Em 1576, teve início a moderna teoria política, com um conceito de sobe-
rania limitável e divisível característico da doutrina jus naturalista.
A soberania, assim, não se traduzia em absolutismo, pois os príncipes subor-
dinavam-se tanto às leis divinas quanto às naturais.
No jus naturalismo moderno do século XVII prevaleceram os princípios 
do direito natural.
Inicialmente, interpretou-se a sociedade como anterior ao indivíduo e, na 
sequencia, Hobbes declarou a anterioridade do indivíduo à sociedade. Daí o 
entendimento do contrato entre os indivíduos desagregados para constituir um 
Estado e um soberano.
Rousseau, ao retomar as ideias da antiguidade, e reformulando parte do 
conceito de Hobbes, concebeu o Estado (Leviatã) como o ponto de chegada 
em que o homem poderia viver eternamente, isto é, solução para os problemas 
da sociedade civil.
O princípio da soberania é defendido por Rousseau sob a ótica revolucio-
nária, em que se aceita um direito de revolução permanente, segundo o qual se 
finda a subordinação à lei quando o povo for soberano.
Kelsen, abordando a temática da soberania, acabou colocando-a como uma 
ordem superior da conduta humana.
Carl Schmitt interpreta cientificamente o Direito, buscando conceituar a 
soberania por meio da análise histórica. O soberano, numa primeira análise 
schmitiana, seria aquele que decide em estado de exceção.
A soberania em sua concepção moderna se revela uma exigência política 
e jurídica para o exercício do controle em determinado território. O estabele-
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cimento de acordos internacionais que promoveram o respeito de um Estado 
em não interferir nos assuntos internos de outro e assim confirmar o poder do 
Estado sobre a sociedade foi fator que contribuiu para o desenvolvimento da 
soberania.
O Mercosul
No início do século XXI, as relações econômicas e políticas entre os países 
da América Latina foram marcadas por uma complexa rede de interdependên-
cia muito profunda e sofisticada. Desde 1980, e em especial durante a década 
de 1990, os países da América Latina desenvolveram uma mudança funda-
mental em suas políticas, evidenciado por alto grau de integração regional em 
busca de crescimento econômico.
O Tratado de Assunção, assinado em 26 de março de 1991, ao criar o Mer-
cosul faz referência à elaboração de normas comunitárias, oriundas de um 
poder legislativo comum e de aplicação geral em todos os países integrados. 
Assim, para se atingir essa meta, tem-se como pré-requisito a coordenação das 
políticas internas de seus Estados-partes. Ao contrário do Tratado de Roma que 
instituiu as comunidades europeias sob a égide de um direito supranacional, o 
Tratado de Assunção não tratou especificamente de regras comunitárias, de-
legando essa tarefa aos Estados-partes. Os membros do Mercosul são: Brasil, 
Paraguai, Uruguai e Argentina.
O art. 1º do Tratado de Assunção determinou que o objetivo geral a ser al-
cançado por seus Estados-partes é a integração, por meio da constituição de um 
mercado comum com livre circulação de bens e serviços. Os países-membros 
do Mercosul também assumiram o compromisso de harmonizar suas legisla-
ções para o fortalecimento do processo de integração.
Exercício
30. (TRF 5ª Região \u2013 Juiz Substituto) Assinale a opção correta, acerca 
do Mercosul:
a) O Mercosul, criado pelo Protocolo de Recife como ente dotado 
de personalidade jurídica de direito público, apresenta estrutura 
orgânica intergovernamental, sendo suas decisões tomadas por 
votação, respeitando-se a maioria dos votos.
b) Ao Conselho do Mercado Comum, órgão superior do Mercosul 
cabe a condução política do processo de integração e a tomada 
de decisões para assegurar o cumprimento dos objetivos estabe-
lecidos pelo Tratado de Assunção, devendo esse conselho reu-
nir-se, pelo menos, uma vez por bimestre, com a participação 
dos presidentes dos Estados-partes.
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c) Constituem órgãos do Mercosul, de capacidade decisória e na-
tureza intergovernamental, o Conselho do Mercado Comum, 
o Grupo Mercado Comum e a Comissão de Comércio, bem 
como o Tribunal Permanente de Revisão e o Parlamento do 
Mercosul.
d) São funções e atribuições do Grupo Mercado Comum a proposi-
tura de projetos de decisões ao Conselho do Mercado Comum e 
o exercício da titularidade da personalidade jurídica do Mercosul.
e) Quaisquer controvérsias entre os Estados-partes a respeito da 
interpretação, da aplicação ou do descumprimento das disposi-
ções contidas no Tratado de Assunção e dos acordos celebrados 
no âmbito desse tratado devem ser submetidas exclusivamente 
aos procedimentos de solução estabelecidos no Protocolo de 
Ouro Preto.
2. GATT e OMC
2.1 Apresentação
Nesta unidade, ainda tratando da Ordem Econômica, serão expostas as 
explicações quanto à OMC e ao GATT.
2.2 Síntese
A história do sistema multilateral de comércio remonta ao encontro de 
Bretton Woods, que ocorreu no final da II Guerra Mundial, momento em que 
os países vencedores buscaram instituir órgãos reguladores da economia in-
ternacional. Foi nesse encontro que houve um consenso sobre a necessidade 
de criação de um Fundo Monetário Internacional (FMI), de um banco fi-
nanciador da reconstrução europeia e seu desenvolvimento (BIRD ou Banco 
Mundial), e por fim, de uma organização internacional que regulamentasse os 
fluxos comerciais (Organização Internacional do Comércio \u2013 OIC).
O BIRD e o FMI foram criados, mas a OIC não, por conta de uma diver-
gência da política interna norte-americana. A formação desta organização, sem 
a participação dos EUA, era impraticável naquele período, e assim foi aprova-
do, em 1947, o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT).
O GATT de 1947 é um conjunto de normas direcionadas, primeiramente, 
para a redução das tarifas alfandegárias no comércio internacional e passou a ser-
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vir como um amplo foro de negociações. Os seus principais pilares eram a Cláu-
sula da Nação Mais Favorecida (NMF) e o princípio do Tratamento Nacional.
O propósito da Cláusula da Nação Mais Favorecida foi fazer desaparecer as 
restrições ao livre comércio, diminuindo as barreiras alfandegárias e as medidas 
de proteção aos mercados. O princípio da não discriminação foi instrumenta-
lizado pela Cláusula NMF, tem a finalidade de proteger o livre comércio. A 
criação desta cláusula demonstra a necessidade de se abolir as discriminações 
ocasionadas pela concessão de preferências comerciais que geralmente preju-
dicam os países de menor representatividade econômica e comercial.
Por isso, se os EUA concedem uma preferência comercial para a Alema-
nha, essa preferência deve ser estendida aos outros países, com base na Cláusu-
la NMF e no princípio da não discriminação. Para atingir então esse objetivo 
de eliminar e reduzir os obstáculos ao comércio internacional, as reduções ta-
rifárias passaram a ser negociadas em longas rodadas periódicas. Foi no acordo 
de Marraqueche que se criou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e 
definiu-se o início de suas atividades para 1º de janeiro