Direito Econômico
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DisciplinaDireito Econômico e da Concorrência7 materiais286 seguidores
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vimento foi chamado por Keynes de Revolução Clássica. Os dois dogmas mer-
cantilistas atacados pelos clássicos eram a crença de que a riqueza e o poder 
de uma nação estavam no acúmulo de metais preciosos, e a crença na neces-
sidade de intervenção estatal para direcionar o desenvolvimento do sistema 
capitalista. O termo macroeconomia teve origem na década de 1930, a partir 
da Grande Depressão que teve início em 1929, momento em que foram inten-
sificados os estudos das questões macroeconômicas. Nesse sentido, destacou-se 
o livro \u201cTeoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda\u201d, do economista John 
Maynard Keynes, que deu origem à chamada Revolução Keynesiana, que era 
oposta aos conceitos ortodoxos da Economia Clássica.
Keynes defendeu uma política econômica de Estado intervencionista, por 
meio da qual os governos usariam medidas fiscais e monetárias para mitigar 
os efeitos adversos dos ciclos econômicos \u2013 recessão, depressão e booms. Suas 
ideias serviram de base para a escola de pensamento conhecida como econo-
mia keynesiana e justificam ainda hoje a intervenção do Estado na economia. 
Keynes defendia uma participação do Estado na atividade econômica, gerando 
empregos, garantindo expansão de renda e consequente recuperação econômi-
ca. Mas esse economista também destacava uma intervenção estatal moderada 
na economia, proporcionando uma nova visão de ação governamental, sem os 
rigores do intervencionismo socialista.
Atualmente, o ponto fundamental que trouxe a consciência da importância 
da Economia para o Direito, e vice-versa, está no fato de que as instituições do 
Direito exercem profundas implicações sobre os ganhos de eficiência e sobre o 
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crescimento econômico, trazendo equilíbrio ao mercado. Deve ser observado 
que é cada vez maior a interação entre juristas e economistas e é inegável que 
o Direito Econômico possui um papel relevante na ordem jurídica nacional e 
mundial.
Exercício
1. (Tribunal de Contas \u2013 DF-2002 \u2013 Cespe) Acerca da evolução cons-
titucional do Brasil, julgue o item abaixo:
Na Constituição da República de 1946 era permitida a intervenção 
da União no domínio econômico, o que incluía o estabelecimento 
de monopólio de determinada indústria ou atividade.
2. Direito Econômico e a Ordem Econômica
2.1 Apresentação
Nesta unidade, serão tratados os aspectos introdutórios da ordem econô-
mica, incluindo os conceitos e características principais.
2.2 Síntese
No Brasil o tipo de economia adotada é o da chamada Economia de 
Mercado em que se caracteriza a predominância do particular na atividade 
econômica sendo secundária a atuação do Poder Público. Tendo em vista os 
princípios basilares da CF de 1988, vale lembrar que a finalidade principal da 
ordem econômica deve ser garantida a todos, a uma existência digna respeitan-
do os direitos e garantias fundamentais que incluem a autodeterminação, as 
condições mínimas de sobrevivência humana e autonomia de tomar decisões 
próprias que sejam essenciais, entre outros.
Os fundamentos da ordem econômica são o trabalho e a livre iniciativa que 
também estão previstos na CF.
O Direito Econômico pode então ser conceituado como um conjunto de 
normas que regula a organização econômica de um país.
É também um ramo do Direito que tem por objeto o tratamento jurídico 
da política econômica. Como tal, é o conjunto de normas de conteúdo econô-
mico que assegura a defesa e harmonia dos interesses individuais e coletivos, de 
acordo com a ideologia adotada na ordem jurídica.
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Para tanto, utiliza-se o princípio da economicidade.
De tal conceito, pode-se inferir:
Sujeitos de Direito Econômico: são os agentes econômicos que atuam no 
mercado, podendo ser citados em caráter exemplificativo:
\u2022	 Poder público (edita normas e intervém no domínio econômico);
\u2022	 Indivíduo (atua no domínio econômico por meio do trabalho e do con-
sumo);
\u2022	 Empresa (atua como unidade de produção e consumo);
\u2022	 Órgãos internacionais (que podem atuar de modo a intervir na economia);
\u2022	 Associações (que fazem parte da economia do Estado);
\u2022	 Comunidades (que participam da economia);
\u2022	 Consumidores (que são entes relevantes para o comércio e para a pro-
dução);
\u2022	 Investidores (que podem alavancar a economia e desempenhar um pa-
pel relevante na ordem econômica);
\u2022	 Produtores (que podem atuar de forma a gerar empregos, capital e bens).
O sistema econômico e a ordem econômica são conceitos distintos.
Sistema econômico é definido como a forma política, social e econômica 
pelo qual está organizada uma sociedade.
É, ainda, responsável pelos estoques de recursos produtivos ou fatores de 
produção, os recursos humanos, o capital, a terra, as reservas naturais e a tecno-
logia. É também responsável pelo complexo de unidades de produção que são 
constituídas pelas empresas e pelo conjunto de instituições políticas, jurídicas, 
econômicas e sociais, que constituem a base de organização da sociedade.
O sistema econômico caracteriza-se, no plano teórico, na forma de como 
uma determinada sociedade empreende sua atividade macroeconômica. Pode 
ser classificado geralmente como capitalista, socialista ou uma mistura de ambos.
Diferentemente do sistema capitalista puro, em um regime de Estado in-
tervencionista socialista, todas as atividades econômicas estão sob a responsa-
bilidade do Estado.
A ordem econômica brasileira foi disciplinada pelo legislador no Título VII 
da CF, dos arts. 170 ao 192 e assenta-se no sistema econômico capitalista, pois 
adotou a liberdade de iniciativa e reforçou a propriedade privada.
A CF, em seu art. 177, prevê as formas de intervenção do Estado na eco-
nomia de forma direta e indireta. Isso não descaracteriza o sistema capitalista, 
pelo contrário, acaba atendendo aos seus interesses, na medida em que objetiva 
corrigir as falhas do mercado, tais como formação de monopólio, cartel etc.
A atividade econômica privada submete-se, então, à intervenção regu-
latória, que é direcionada ao atendimento de políticas públicas que visam 
o desenvolvimento econômico e social. Exemplos: geração de empregos, 
serviços sociais, entre outros.
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Objeto do Direito Econômico: realizar, por meio de política econômica, 
a justiça. Como exemplos do alcance dessa justiça podem ser citados a in-
tervenção do Estado no domínio econômico, o direito concorrencial (Lei nº 
8.884/1994) e as normas disciplinares da política econômica.
Tipos de normas no Direito Econômico:
\u2022	 Normas programáticas: trazem enunciados e orientações a serem segui-
das pelo poder público.
\u2022	 Normas objetivas: visam concretizar políticas públicas.
\u2022	 Normas premiais: concedem incentivos e estímulos.
Campo de atuação do Direito Econômico: Previsto no art. 24, I, da CF. 
Além do direito econômico menciona o direito tributário, financeiro, peniten-
ciário e urbanístico.
Exercício
2. (TRF 5 \u2013 Juiz Federal \u2013 2009) Acerca do Direito Econômico, assina-
le a afirmativa correta:
a) Sistema econômico é a forma por meio da qual o Estado estru-
tura sua política e organiza suas relações sociais de produção.
b) Ordem econômica, consoante o tratamento dado pelo legisla-
dor da constituição de 1988, admite duas vertentes conceituais. 
Para a vertente ampla, a ordem econômica constitui uma parce-
la da ordem de direito inerente ao mundo do dever ser.
c) O modelo do estado intervencionista econômico é fortemente 
influenciado pela doutrina de John Mayner, que sustentou que 
os níveis de emprego e de desenvolvimento socioeconômico 
devem-se muito mais às políticas públicas geradas pelo governo 
e a certos fatores gerais macroeconômicos, e não meramente ao 
somatório dos comportamentos microeconômicos individuais 
empresariais.
d) O estado intervencionista socialista atua com o fito