Direito Econômico
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DisciplinaDireito Econômico e da Concorrência7 materiais286 seguidores
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econômica 
quando forem atingidos alguns critérios de faturamento estabelecidos em Lei.
O controle dos atos de concentração será prévio e realizado em, no máxi-
mo, 240 (duzentos e quarenta) dias, a contar do protocolo de petição ou de sua 
emenda.
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Os prazos somente poderão ser prorrogados em duas hipóteses: por até 60 
(sessenta) dias, improrrogáveis, mediante requisição das partes envolvidas na 
operação; ou por até 90 (noventa) dias, mediante decisão fundamentada do 
Tribunal.
Os atos não podem ser consumados antes de apreciados, sob pena de 
nulidade, sendo ainda imposta multa pecuniária, de valor não inferior a R$ 
60.000,00 (sessenta mil reais) nem superior a R$ 60.000.000,00 (sessenta 
milhões de reais), sem prejuízo da abertura de processo administrativo, nos 
termos do art. 69 da NLAB. Empresas concorrentes que trocam informações 
antes da permissão da autoridade, em alguns casos tal ato pode ser conside-
rado cartel.
Até a decisão final sobre a operação, deverão ser preservadas as condições 
de concorrência entre as empresas envolvidas, sob pena de aplicação das san-
ções previstas.
Serão proibidos os atos de concentração que impliquem eliminação da 
concorrência em parte substancial de mercado relevante, que possam criar 
ou reforçar uma posição dominante ou que possam resultar na dominação de 
mercado relevante de bens ou serviços, ressalvado o disposto no § 6º do art. 88.
As concentrações econômicas a que se refere a vertente preventiva podem 
ser classificadas em:
\u2022	 concentrações horizontais: quando essas concentrações são no mesmo 
mercado. Exemplo: mercado de cerveja.
\u2022	 concentrações verticais: no caso de empresa que compra outra produ-
tora de seu insumo, tem um produto complementar utilizado no seu 
processo produtivo.
\u2022	 concentrações conglomeradas: não tem uma relação direta, mas ajuda 
a complementar o portfólio de algumas empresas ou grupos econômi-
cos de porte relevante.
Realiza-se um ato de concentração quando:
1. duas ou mais empresas anteriormente independentes se fundem.
2. uma ou mais empresas adquirem, direta ou indiretamente, por compra 
ou permuta de ações, quotas, títulos ou valores mobiliários conversíveis 
em ações, ou ativos, tangíveis ou intangíveis, por via contratual ou por 
qualquer outro meio ou forma, o controle ou partes de uma ou outras 
empresas.
3. ou mais empresas incorporam outra ou outras empresas.
4. duas ou mais empresas celebram contrato associativo, consórcio ou 
joint venture.
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Exercício
12. (Procurador da República) Na ordem econômica vigente, orientada, 
entre outros, pelos princípios constitucionais da liberdade de inicia-
tiva e da livre concorrência, a que a Lei nº 8.884/1994 disciplina, 
particularmente, com vistas a prevenir e reprimir o abuso do poder 
econômico, o fato \u201cconcentração\u201d:
a) É vedado.
b) É consentido e, em alguns casos, até estimulado.
c) É figura não prevista na legislação brasileira.
d) Não figura como conteúdo das normas de direito econômico.
3. A Vertente Repressiva \u2013 Lei nº 8.884/1994. 
A Livre Concorrência como Direito Difuso 
e Ações Coletivas para sua Tutela
3.1 Apresentação
Nesta unidade, será abordada a vertente repressiva da NLAB, a livre con-
corrência como Direito Difuso e as ações coletivas para sua tutela.
3.2 Síntese
A vertente repressiva está relacionada à punição de práticas anticompeti-
tivas, capazes de alterar o equilíbrio econômico em determinados mercados.
Entende-se que a tipologia aberta, adotada pelo legislador, é essencial nas 
relações econômicas para que se possam combater as infrações concorrenciais.
Algumas práticas restritivas à ordem econômica estão indicadas no art. 36 
da NLAB, tais como:
a) Subordinar a venda de um bem à aquisição de outro ou à utilização de 
um serviço (venda casada).
b) Limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado.
c) Impedir o acesso de concorrente às fontes de insumo, matérias-primas, 
equipamentos ou tecnologia, bem como aos canais de distribuição.
d) Utilizar meios enganosos para provocar a oscilação de preços de tercei-
ros, entre outras.
No âmbito do SBDC, os responsáveis por práticas anticompetitivas poderão 
ser condenados às penas de caráter pecuniário e não pecuniário. As penas po-
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dem ser aplicadas não somente às empresas, mas a todos que estão envolvidos 
naquela conduta, como os administradores.
As penas pecuniárias atingem a empresa, em multas que variam de 0,1% 
(um por cento) a 20% (vinte por cento) do valor do faturamento bruto da em-
presa, grupo ou conglomerado obtido, no último exercício anterior à instau-
ração do processo administrativo, no ramo de atividade empresarial em que 
ocorreu a infração, a qual nunca será inferior à vantagem auferida, quando for 
possível sua estimação.
As demais pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado, bem 
como quaisquer associações de entidades ou pessoas constituídas de fato ou de 
direito, ainda que temporariamente, com ou sem personalidade jurídica, que 
não exerçam atividade empresarial, não sendo possível utilizar-se o critério do 
valor do faturamento bruto, a multa será entre R$ 50.000,00 (cinquenta mil 
reais) e R$ 2.000.000.000,00 (dois bilhões de reais).
No caso de administrador, direta ou indiretamente responsável pela infra-
ção cometida, quando comprovada a sua culpa ou dolo, multa de 1% (um por 
cento) a 20% (vinte por cento) daquela aplicada à empresa.
O inquérito administrativo, procedimento investigatório de natureza inqui-
sitorial, será instaurado pela Superintendência-Geral para apuração de infra-
ções à ordem econômica.
A NLAB estabelece que a coletividade é a titular dos bens jurídicos protegi-
dos, destacando o caráter difuso da livre concorrência.
Os interesses ou direitos difusos são de natureza indivisível, e seus titulares 
são pessoas indeterminadas e ligadas entre si por circunstâncias de fato (art. 81, 
I, do CDC).
A livre concorrência é direito difuso, sendo cabíveis os seguintes mecanis-
mos de ação coletiva para sua tutela: a) Ação Civil Pública, e b) Ação Coletiva 
para Tutela de Direitos Individuais Homogêneos.
O art. 47 da NLAB dispõe: \u201cOs prejudicados, por si ou pelos legitimados re-
feridos no art. 82 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, poderão ingressar 
em juízo, em defesa de seus interesses individuais ou individuais homogêneos, 
obter a cessação de práticas que constituam infração da ordem econômica, 
bem como o recebimento de indenização por perdas e danos sofridos, indepen-
dentemente do inquérito ou processo administrativo, que não será suspenso em 
virtude do ajuizamento de ação.\u201d
A existência de um Processo Administrativo em curso no CADE não obsta 
a propositura de ação judicial que tenha por objeto a cessação da prática em 
questão, e a reparação dos danos causados.
Não há que se falar em bis in idem, uma vez que a natureza da multa impos-
ta pelo CADE e da condenação em dinheiro que pode ser imposta pelo Poder 
Judiciário é distinta.
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Há também uma diferença material, pois a multa possui uma função dis-
suasória, visando a desestimular o agente econômico a praticar a conduta, 
enquanto a condenação judicial apresentará uma função reparatória, visando 
compensar a sociedade ou os lesados em razão dos prejuízos causados pela 
conduta.
Podem ocorrer os seguintes resultados:
\u2022	 Condenação em dinheiro na ação civil pública;
\u2022	 Condenação em dinheiro na ação coletiva para tutela de direitos indivi-
duais homogêneos;
\u2022	 Condenação em obrigação de fazer e não fazer na ação civil pública.
Exercício
13. (Procurador da República) Constitui violação à ordem econômica:
a) Subordinar a venda de um bem à utilização de um serviço.