Defeitos nos negocios juridicos
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Defeitos nos negocios juridicos


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partes realizam um negócio jurídico expres-
sando a sua real vontade, mas esta é com o objetivo de prejudicar terceiros, 
ou seja, os credores, por isso é que a fraude contra credores é considerada 
um vício social.
Configura-se a fraude contra credores quando o devedor for insolvente, 
ou que em virtude dos negócios jurídicos de transmissão de bens ficar insol-
vente, pois esses negócios jurídicos ferem o princípio da responsabilidade 
patrimonial.
Caso o patrimônio seja suficiente com folga para saldar dívidas, ou seja, o 
devedor seja solvente, ele pode dispor livremente do seu patrimônio.
Hipóteses legais 
Tanto nas transmissões onerosas como nas gratuitas pode ocorrer a 
fraude contra credores.
CC,
Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar 
o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, 
poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.
§1.o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente.
§2.o Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação 
deles.
Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando 
a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante.
Há fraude, também, quando um credor quirografário1 de dívida não ven-
cida recebe do devedor insolvente; ficará o credor obrigado a repor ao acervo 
o que recebeu, pois a intenção da lei é colocar todos os credores em pé de 
igualdade. Caso a dívida já esteja vencida, o pagamento é considerado 
normal.
CC,
Art. 162. O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da 
dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se 
tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu.
A fraude também existe quando o devedor insolvente dá garantia de 
dívida (hipoteca, penhor, anticrese) privilegiando algum credor. Não se inva-
lida o negócio nessa hipótese, apenas a garantia.
1 Credor quirografário \u2013 é 
o credor que não possui 
direito real de garantia, 
seus créditos estão re-
presentados por títulos 
advindos das relações 
obrigacionais. Exemplos: 
os cheques, as duplicatas, 
as promissórias.
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CC,
Art. 163. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de 
dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor.
[...]
Art. 165. [...]
Parágrafo único. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, 
mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação 
da preferência ajustada.
Contudo, serão considerados de boa-fé os negócios ordinários pratica-
dos pelo devedor insolvente \u2013 por exemplo, um comerciante insolvente pode 
vender mercadorias de sua loja, estando vedado a vender o estabelecimento 
comercial.
Art. 164. Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis 
à manutenção de estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do 
devedor e de sua família.
Caso o adquirente não tenha pagado pelos bens que o devedor insolven-
te o vendeu, o negócio jurídico poderá ser válido se depositar o real valor da 
coisa em juízo e solicitar a citação de todos os interessados.
CC,
Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço 
e este for, aproximadamente, o corrente, desobrigar-se-á depositando-o em juízo, com a 
citação de todos os interessados.
Parágrafo único. Se inferior, o adquirente, para conservar os bens, poderá depositar o 
preço que lhes corresponda ao valor real.
Ação anulatória ou pauliana 
O CC determina que, em caso de fraude contra credores, pode-se pleitear 
a anulação dos negócios jurídicos mediante a ação pauliana, devendo obe-
decer aos seguintes requisitos:
ser o crédito do autor anterior ao ato fraudulento; \ufffd
que o ato que se pretenda revogar tenha causado prejuízos; \ufffd
que haja a intenção de fraudar, presumida pela consciência do estado \ufffd
de insolvência;
prova da insolvência. \ufffd
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O principal objetivo da ação pauliana é revogar os negócios jurídicos le-
sivos aos interesses dos credores, por isso pode ser proposta pelos interes-
sados contra o devedor insolvente, contra a pessoa com que ele celebrou a 
estipulação considerada fraudulenta ou adquirentes de má-fé, retornando 
os bens ao patrimônio do devedor, para que possam satisfazer os débitos 
contraídos.
CC,
Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor 
insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou 
terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé.
[...]
Art. 165. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito 
do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores.
Resolução de questão
1. (Esaf ) Assinale a opção verdadeira.
a) A forma única é aquela que, por lei, não pode ser preterida por outra.
b) O estado de perigo e a lesão são atos prejudiciais praticados em es-
tado de necessidade, visto que na base do estado de perigo há risco 
patrimonial e na da lesão tem-se risco pessoal.
c) O erro acidental induz anulação do negócio por incidir sobre a de-
claração de vontade, mesmo se for possível identificar a pessoa ou a 
coisa a que se refere.
d) Exige-se, por lei, que o instrumento particular seja subscrito por duas 
testemunhas.
e) O novel Código Civil não admite a conversão do ato nulo em outro de 
natureza diferente.
 Assertivas:
a) Certa. É a forma determinada pela lei como exclusiva para a validade 
de certos negócios jurídicos.
b) Errada. A relação é inversa, a proteção ao estado de perigo é sobre a 
pessoa e na lesão sobre o patrimônio.
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c) Errada. (CC, art. 142).
d) Errada. Apenas para as partes que quiserem atribuir ao contrato força 
executiva. (CPC, art. 142).
e) Errada. (CC, art. 170).
 Solução: A
Atividades de aplicação
1. (Esaf ) A lesão especial acarreta anulabilidade do negócio, permitindo-se, 
porém, para evitá-la:
a) a dispensa da verificação do dolo da parte que se aproveitou.
b) a comprovação da culpabilidade do beneficiado e apreciação da des-
proporção das prestações, segundo valores vigentes ao tempo da ce-
lebração do negócio pela técnica pericial.
c) a prova da premência de necessidade da inexperiência e da despro-
porção das prestações.
d) a oferta de suplemento suficiente, inclusive em juízo, para equilibrar 
as prestações, evitando enriquecimento sem causa, ou se o favore-
cido concordar com a redução da vantagem, aproveitando, assim, o 
negócio.
e) a prova da existência de um risco pessoal que diminui a capacidade 
da parte de dispor livre e conscientemente.
2. (Esaf ) Assinale a opção correta, levando em consideração as disposições 
do ordenamento jurídico brasileiro vigente, no que tange aos negócios 
jurídicos.
a) Nos negócios de transmissão gratuita de bens, a caracterização da 
fraude contra credores não exige a presença do elemento subjetivo 
(consilium fraudis), bastando apenas a existência do elemento objeti-
vo (eventus damni).
b) Quando a lei proibir a prática de um negócio jurídico, sem cominar 
sanção, o prazo para pleitear-se a anulação do mesmo será de 2 (dois) 
anos, a contar da conclusão do ato.
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