Direcionamento_para_estudo_CE
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concorrentes. 
Mas por que elas existem? Há situações em que estas barreiras são naturais. Um bom 
exemplo disso é a posse de patentes de tecnologia necessária para a produção de um 
produto por parte das empresas, o amparo legal do direito autoral que permite a 
apenas uma empresa vender livros, softwares e músicas e também o regime de 
concessão estatal para serviços públicos como o de transportes, comunicações e 
energia. Todas estas características permitem que, no longo prazo, o oligopólio aufira 
Os fatores de produção 
Quadro 1 - Fatores de produção e suas respectivas remunerações 
Fatores ou recursos de produção 
Remuneração dos fatores ou 
recursos de produção 
Trabalho ou mão de obra Salário 
Capital Juros 
Recursos naturais ou Terra Aluguel 
Capacidade empresarial Lucros 
Tecnologia Royalties 
A Política Fiscal: os gastos e a arrecadação do Governo 
Esta política está ligada ao manejo orçamentário do governo, tanto do lado dos gastos 
como do lado da arrecadação. As deliberações do governo sobre o quanto gastar 
através de consumo, investimentos, subsídios e transferências de renda, sobre o 
quanto tributar e também sobre que agentes e que tipos de transações os tributos 
devem incidir, formam os instrumentos fiscais. Portanto, Política Fiscal, não trata de 
fiscalização do governo sobre isto ou aquilo, mas sim sobre os gastos do governo e a 
arrecadação de impostos que financiem estes gastos. 
Com estes instrumentos fiscais (este termo é sinônimo de fisco), os gestores da Política 
Macroeconômica podem exercer controles sobre o comportamento geral da 
economia. 
Os gastos do governo, de consumo e investimentos, são dois importantes elementos 
da demanda agregada e o aumento ou diminuição do consumo ou dos investimentos 
do governo contribuem para sustentar o PIB e as taxas de emprego no sentido 
macroeconômico. Os gastos do governo realizados através das transferências de renda 
se somam à Renda Disponível das famílias fazendo com que estas possam consumir 
mais ou poupar. 
A contrapartida dos gastos do governo é a cobrança de impostos diretos e indiretos. Se 
os gastos exercem um efeito de expansão sobre o produto, renda e emprego, o 
aumento da cobrança de impostos exerce efeitos contracionistas ou restritivos, isto é, 
há uma retração no produto, renda e emprego quando o governo aumenta os 
impostos. Por quê? Ora! Se há aumento de impostos, diminui, a Renda Disponível da 
sociedade e esta fica menos propensa a consumir e a poupar porque tem menos 
dinheiro disponível em mãos. Se a poupança diminui, consequentemente diminui o 
investimento por parte dos agentes privados que também sofrem maior tributação e o 
resultado deste efeito da tributação é a redução do emprego de mão de obra. A 
Política Fiscal pode ser realizada também através dos déficits ou superávits do 
orçamento, sobre os quais falarei ainda neste tópico. 
As transações com o resto do mundo - também podem ser atingidas pelos 
instrumentos de políticas fiscais, quando então o governo pode influir no saldo das 
exportações ao aumentar os gastos com importações de mercadorias e serviços, bem 
como cobrar mais impostos sobre bens e serviços externos quando quiser proteger o 
produtor nacional ou também diminuir os tributos para também favorecer a estes 
produtores. Portanto, a maneira como o governo aplica a sua Política Fiscal dependerá 
do momento. 
Política fiscal expansionista 
Explicadas as bases da Política Fiscal, vou voltar um pouquinho no tempo e quero que 
você me acompanhe nesta viagem para recordarmos de algumas ações que o governo 
federal tomou durante a crise econômica de 2008, para que possamos, finalmente, 
classificar a Política Fiscal. Lembra que houve uma redução do Imposto sobre Produtos 
Industrializados - IPI - para automóveis, eletrodomésticos e materiais de construção? 
Pois é. Naquela ocasião o governo aumentou os seus gastos. 
Quando o governo diminuiu o IPI, ele estava deixando mais dinheiro nas mãos das 
pessoas, não é mesmo? Se ele retira menos dinheiro das pessoas através dos 
impostos, logo, a Renda Disponível fica maior e lhes possibilita comprar mais ou 
poupar mais como já foi informado aqui. Agora olhe as coisas pelo seguinte ângulo: o 
governo está colocando um dinheiro que é dele, por direito, diretamente na economia. 
Aquela grana que deveria ir para os cofres públicos não vai mais, pois o governo está 
gastando esse dinheiro antes mesmo dele chegar aos seus cofres, é simplesmente isso. 
O governo tinha dinheiro certo para receber e ele, simplesmente, gastou antes de 
pegar este dinheiro, pois abriu mão através da redução dos impostos. 
A arrecadação era 1.000.000 e o governo, por conta própria, decidiu arrecadar 
1.000.000 \u2013 500.000. logo, 500.000 é exatamente o que ele estava disposto, por 
exemplo, a gastar diretamente para manter a economia aquecida durante a crise 
americana que abalou o mundo em 2008. Ficou mais claro agora, não é mesmo? De 
posse de todas estas informações, posso afirmar que o governo expandiu os seus 
gastos ou executou uma Política Fiscal Expansionista. Vamos ver se realmente essa 
Política Fiscal afetou a renda, o produto e o emprego? As pessoas continuaram 
comprando carro, eletrodomésticos e materiais de construção, logo, estes setores 
continuaram produzindo e mantendo os empregos nas lojas. Ora! Se o setor terciário 
continua vendendo, logo o setor secundário também ficará aquecido em função das 
vendas do comércio e continuará fabricando mais produtos. Em consequência da 
atividade dos dois setores citados, o setor primário será estimulando e continuará a 
produzir e fornecer matéria-prima (insumos) para a fabricação de bens e serviços. 
Além disso, não se pode desconsiderar que o governo também é um agente ofertante 
e demandante de bens e serviços cujo impacto é relevante na demanda e oferta 
agregadas. Não se esqueça que o governo é, na maioria das vezes, o ofertante de 
serviços de educação, segurança e saúde, além de demandar por bens de consumo 
como veículos, material de escritório dentre outros. Assim, vemos que a Política Fiscal 
Expansionista do governo ajuda a gerar emprego, aumentar a renda e a expandir o 
produto (PIB). 
Política Fiscal contracionista ou restritiva 
Muito bem! Você já sabe o que é a Política Fiscal Expansionista e não é difícil então 
deduzir do que trata a Política Fiscal Contracionista também chamada de Restritiva. 
Esta diz respeito à redução dos gastos do governo e do aumento dos tributos cobrados 
pelo mesmo, e como a expansionista, tem reflexos no emprego, renda e produto. 
Uma vez que o governo reduz os seus gastos, ele acaba diminuindo a demanda 
agregada, impactando no setor produtivo como um todo. No caso do aumento de 
tributos, ele diminui a Renda Disponível fazendo com que a sociedade retenha menos 
dinheiro para poupar o que ajuda a reduzir os investimentos, além de fazer com que a 
mesma reduza o consumo. Agora, imagine o efeito cascata na economia: as famílias 
consomem menos, desestimulando o comércio que, passando a vender menos, 
diminui a quantidade de pedidos ao setor industrial. Este último, por sua vez, diminui a 
produção e requer menos do setor primário. 
Perceba que a Política Fiscal Contracionista tem um impacto significativo na economia 
e por isso se constitui num mecanismo poderoso para combater o boom de consumo e 
também para amenizar os gastos do governo que, se forem exagerados, poderão 
trazer sérios desequilíbrios para a economia, e é o que veremos no subtópico a seguir. 
O Equilíbrio Fiscal 
Como exemplo, imagine a seguinte situação: 
 Um pai de família que ganha um salário mínimo, gasta exatamente este salário para 
pagar todas as suas contas e despesas. 
No final do mês, ele pode ficar zerado, contudo, não fica devendo nada para ninguém. 
Porém, por algum motivo, este pai de família, em um determinado mês,