Direcionamento_para_estudo_CE
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DisciplinaConjuntura Econômica71 materiais427 seguidores
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acaba 
efetuando despesas maiores do que a sua capacidade de pagar com o que ganha 
mensalmente. O que ele fará então? Há três possibilidades que vou apresentar agora: 
ou ele dá um calote, ou corta os gastos necessários para honrar os compromissos 
adquiridos ou simplesmente procura tomar dinheiro emprestado. 
Caso ele dê um calote, cai em descrédito na praça e, dificilmente, obterá confiança 
novamente para comprar a prazo, crediário e outros. Então, o ideal é que ele corte os 
gastos, ainda que tenha que se empenhar em um tremendo sacrifício, mas que consiga 
pagar o que deve. Entretanto, há a terceira possibilidade que é o empréstimo, o que 
fará com que ele honre uma dívida agora e adquira outra para ser paga no futuro, com 
um agravante: ele terá que pagar juros por causa da aquisição desta dívida. 
Esta situação também ocorre com o governo. Quando este gasta somente o que 
arrecada dizemos que há um equilíbrio fiscal, se a arrecadação for maior que as 
despesas (arrecadação maior que despesas) dizemos que há superávit nas contas do 
setor público. Isso significa que há poupança para efetuar investimentos nas diversas 
áreas sob a responsabilidade do setor público. 
Mas, quando nos casos em que o governo acaba gastando mais do que arrecada 
(despesas maiores que arrecadação) chamamos de déficit público, que pode ser 
equacionado de três formas: o governo deve cortar gastos para chegar ao equilíbrio 
fiscal, emitir moeda, porém sob o risco de gerar inflação ou, simplesmente, tomar 
dinheiro emprestado junto à sociedade e junto ao resto do mundo. 
Digamos que a arrecadação de impostos pelo governo foi de R$1 trilhão, mas as 
despesas foram da ordem de 1,5 trilhões. O que foi que houve aqui? Um déficit público 
(gasto do governo maior que arrecadação de impostos) de R$500 bilhões. Para fechar 
as contas, ele toma dinheiro emprestado através da emissão de títulos públicos que 
são \u201cativos de renda fixa que possuem a finalidade primordial de captar recursos para 
o financiamento da dívida pública, bem como para financiar atividades do governo\u201d. 
Com esses títulos, o governo apresenta para os seus possíveis compradores o seguinte 
argumento: emprestem-me R$500 bilhões. Tomem como garantia deste empréstimo 
este título do Tesouro Nacional que é muito seguro. Daqui a algum tempo 
eu recompro este título de vocês e devolvo o dinheiro acrescido de uma taxa de juros 
que pode chegar a 10%. Você sabe que pode confiar em mim, porque eu sou o 
governo, não dou calote. Então, a sociedade e também o resto do mundo emprestam 
dinheiro ao governo, ou seja, financiam o déficit público. Mas veja bem a que preço. 
No nosso exemplo, para convencer os agentes econômicos a comprarem os títulos do 
Tesouro Nacional, o governo teve que propor pagar uma taxa de juros 
significativamente elevada de 10%, ou seja, para honrar os seus compromissos de 
hoje, o governo adquiriu uma dívida para ser paga no futuro com juros altos. 
O grande problema deste tipo de desequilíbrio fiscal é que a solução de hoje se torna o 
problema de amanhã, pois a continuidade do déficit público favorece, em longo prazo, 
o endividamento do país e a necessidade contínua do pagamento de juros para os 
agentes que compram títulos públicos. A partir daí, o governo é obrigado, ano após 
ano, a fazer uma poupança que infelizmente não será usada para investir na 
construção e melhoria de estradas, ferrovias, portos, aeroportos, segurança nacional 
educação e saúde, mas sim para honrar os compromissos da dívida pública. A 
poupança feita para este fim chama-se de Superávit Primário, que é o resultado 
alcançado sem considerar os juros da dívida pública de períodos anteriores. Aliás, o 
superávit primário é perseguido, justamente para pagar os juros da dívida pública. 
Os Instrumentos de Política Monetária e a Taxa de Juros 
O alvo desta Política Macroeconômica é o controle da oferta de moeda que determina 
o grau de liquidez da economia como um todo. Ao lado do controle da oferta 
monetária, efetua-se também a imposição de limites às operações de crédito para os 
agentes econômicos, cujos efeitos se propagam sobre a quantidade de moeda. Todos 
estes elementos, por sua vez, sofrem os efeitos da taxa de juros. 
Certamente, todos os objetivos de Políticas Macroeconômicas sofrem os efeitos da 
provisão de moeda, da oferta de crédito e do patamar em que se encontra a taxa de 
juros. A diminuição do quantitativo de moeda circulando na economia pode provocar a 
redução do consumo e dos investimentos por parte dos agentes privados, impactando 
diretamente nos preços. No sentido contrário, o aumento da quantidade de moeda 
circulando na economia estimula o aumento do crédito, e consequentemente, eleva o 
consumo agregado interno e externo dos agentes econômicos privados trazendo 
impactos significativos sobre o produto (PIB) e agindo também sobre os níveis do 
emprego agregado. Portanto, a Política Monetária deve atuar sobre a composição da 
base monetária, regulação da liquidez real, do controle de crédito e da administração 
da taxa de juros. 
A Taxa de Juros 
A taxa de juros está presente em todas as operações de controle monetário e, num 
sentido abrangente, juro é o preço do dinheiro. Quando os bancos ou demais agentes 
do sistema financeiro emprestam dinheiro, eles cobram juros, pois, o dinheiro é o lado 
visível da moeda sendo ela mesma uma mercadoria e, como tal, pode ser negociada. 
É com base na taxa de juros que o governo remunera alguns dos seus títulos públicos, 
regula a quantidade de moeda a ser ofertada na economia, dentre outras coisas. 
Enfim, a taxa de juros é um instrumento poderoso usado na Política Monetária, 
atuando diretamente no grau de liquidez da economia e costumamos subdividí-la em 
taxa de juros real e nominal. 
A taxa de juros real é obtida pela subtração da taxa de inflação da taxa de juros 
nominal, portanto na elaboração da taxa de juros nominal não se desconsidera as 
perdas resultantes da inflação. 
A Política Monetária Expansionista e Contracionista /Restritiva 
Uma Política Monetária será considerada Expansionista quando houver um aumento 
na quantidade de moeda no meio circulante e uma Política Monetária será 
considerada Contracionista ou Restritiva quando ocorrer uma redução na quantidade 
de moeda no meio circulante. 
Com este efeito, o BACEN também influencia o consumo e investimento e, 
consequentemente, a demanda agregada, o produto agregado (PIB) e as taxas de 
emprego. 
A taxa de juros atua juntamente com os instrumentos de controle monetário 
aumentando ou diminuindo os custos dos empréstimos bancários, o valor da 
remuneração dos títulos públicos do governo e de títulos privados do sistema 
financeiro representados por papéis vendidos pelos bancos como o CDB. Ela é um 
instrumento poderoso que influencia no crescimento econômico de um país, pois 
quando está muito elevada encarece o crédito no sistema financeiro, inviabilizando o 
investimento e o consumo por parte dos agentes privados. 
Inflação 
A inflação é um fenômeno universal, comum a todos os países e, entre as principais 
categorias de variação do valor da moeda, a inflação é a predominante. 
Observe bem a adjetivação e a ênfase que apliquei a três características da inflação: 
continuidade, persistência e generalidade. O aumento contínuo de preços nos 
processos inflacionários mostra que se trata de um fenômeno dinâmico de preços em 
alta e não uma condição estática de preços altos, ou seja, os preços não sobem e se 
estabilizam, mas sobem ininterruptamente. Aliás, em situações de inflação, os índices 
de preços variam em algumas situações, quase que diariamente. 
 
Se você comprou cinco pães por $ 1 unidade monetária hoje, amanha terá que ter, por 
exemplo, $ 1,5 unidade monetária para comprar a mesma quantidade de pães, e assim 
sucessivamente. 
 Já a persistência do processo