Direcionamento_para_estudo_CE
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DisciplinaConjuntura Econômica71 materiais427 seguidores
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inflacionário se explica pelo fato de que, embora se 
tomem muitas medidas para freá-lo, os preços prosseguem em sua trajetória de alta, 
mostrando que conter tal processo é extremamente difícil se tais medidas não forem 
adotadas com muito critério. Quanto à generalidade, o processo inflacionário nunca é 
um aumento de preços isolados de bens e serviços. Uma vez instalada, a inflação 
atinge todos os produtos e serviços, ainda que seja com intensidades variadas. Para 
alguns economistas, se a inflação chegar a um patamar de 50% ao mês e com viés de 
crescimento, ela passa a ser chamada de hiperinflação. 
Inflação de Demanda - Causada pelo aumento da demanda agregada por bens e 
serviços e diante da incapacidade do setor produtivo de atender a essa procura. Na 
verdade, ela aponta para um desequilíbrio na Lei da Oferta e da Demanda. Se a oferta 
é maior que a demanda, os preços tendem a cair e se a demanda é maior do que a 
oferta, os preços tendem a subir. Mas este não é o único motivo. Colabora para isso 
também o aumento da quantidade de moeda circulando na economia e é muitíssimo 
fácil entender o porquê! 
Ora! Se há muito dinheiro na economia, logo haverá facilidades para se aumentar a 
demanda agregada, só que a oferta agregada não acompanha o crescimento rápido da 
demanda, porque o empresário teria que investir em máquinas e equipamentos, 
contratar e treinar a mão de obra, importar, em alguns casos, insumos para serem 
usados na produção, dentre outras coisas. Enquanto isso, o dinheiro à disposição da 
população estimula a demanda por parte de agentes prontos para consumir. Mas, sem 
a contrapartida do lado da oferta, os preços sobem. 
Inflação de Custos - Um dos motivos que causa esse tipo de inflação é o aumento dos 
custos dos ofertantes por causa da elevação dos custos dos fatores de produção. Ou 
seja, os aumentos salariais, por exemplo, representam um aumento dos custos das 
empresas. Se uma cultura como a do trigo sofrer impactos negativos do clima, fará 
com que o preço desse produto suba por causa das perdas dos produtores e, 
consequentemente, todos os derivados do trigo na indústria de alimentos sofrerão um 
aumento. 
Outras fontes para o surgimento da inflação de custos são os aumentos dos lucros de 
empresas que compõem determinadas estruturas de mercado como os monopólios e 
oligopólios. De uma maneira geral, o aumento dos custos dos fatores de produção será 
repassado para os preços dos bens e serviços, gerando inflação. 
Inflação Inercial - É uma inflação tipicamente brasileira. Ela é causada pela 
permanência da memória inflacionária oriunda da indexação, que é quando as 
obrigações monetárias têm seus valores corrigidos com base em índices oficializados 
pelo governo, isto é, o governo usa índices de preços (índices que medem a inflação de 
um determinado período) para reajustar todos os preços da economia. 
Neste tipo, a inflação passada é usada para corrigir os preços presentes e continua 
sendo lançada para o futuro. Vamos ver um exemplo: 
O preço de uma cesta de mercadoria com 50 itens em um determinado período é de $ 
100,00, sendo a correção monetária autorizada pelo governo feita pelo IPCA (Índice 
de Preços ao Consumidor Amplo), ou seja, a correção dos preços dessa cesta (por 
causa das perdas com a inflação) está INDEXADA pelo IPCA. Para facilitar o cálculo, 
façamos com percentuais de 10%. 
Período 1 - $ 100,00 + IPCA de 10% do período = $ 110,00 
Período 2 - $ 110,00 + IPCA de 10% do período = $ 121,00 
Período 3 - $ 121,00 + IPCA de 10% do período = $ 133,10 
Período 4 - $ 133,10 + IPCA de 10% do período = $ 146,41 
Período 5 - $ 146,41 + IPCA de 10% do período = $ 161,05 
O que aconteceu aqui? Observe que no primeiro período o ofertante teve perda de 
10% com a inflação, por isso ele corrige os preços da sua cesta de produtos com 10% 
sobre $ 100,00, que era o valor da cesta, que passa a ser de $ 110,00. Entretanto, no 
período seguinte, o ofertante não retira o aumento dos 10% anteriores ($ 121 - $ 10). 
Ele usa o preço do período anterior, já inflacionado, e joga sobre este preço mais 10% 
de inflação. No período 3, ele usa os preços já inflacionados do período 1 e 2 e lança 
mais 10%,,ou seja, ele conserva a inflação passada e a lança para o futuro. Assim, a 
inflação se reproduz permanentemente. Detalhe: nos tempos do Brasil pré-Plano Real, 
essa situação era permitida e incentivada pelo governo na tentativa desesperada de 
ressarcir os setor produtivo e os trabalhadores pelas perdas causadas pela inflação 
galopante. 
Dessa forma, nunca se conseguia acabar com a inflação, pois ela se reproduzia no 
tempo e não era causada pelo excesso de demanda e nem pelo aumento dos custos 
dos fatores de produção, nem pelo lucro exacerbado das empresas (caso dos 
oligopólios), mas sim por causa da indexação. Todas as medidas usadas para conter a 
inflação não davam resultados porque sempre procuravam combater somente a 
demanda, os lucros extraordinários ou os custos das empresas. 
Os males causados pela inflação 
A inflação compromete a economia da seguinte forma: 
Se os preços sobem sempre e a renda da sociedade não acompanha esses aumentos, 
ela comprará menos bens e serviços. Se comprar menos, os empresários no médio e 
longo prazo tendem a produzir menos, ou mesmo deixam de produzir bens e serviços, 
uma vez que os consumidores não possuem renda para adquirir tais produtos por 
causa da perda do poder de compra da moeda. 
Se os empresários vendem menos, geram menos empregos ou mesmo demitem a mão 
de obra, dependendo da situação. Se houver perda de empregos pela população, 
teremos menos pessoas recebendo salários - que já era também corroído pela inflação 
- e, consequentemente, consumindo menos. Dessa forma, perceba que a geração de 
empregos, a capacidade de produção das firmas e o consumo ficam comprometidos 
por causa do fenômeno inflacionário. 
Se a moeda que é o ativo de perfeita liquidez (ou seja, o meio de pagamento que pode, 
sem nenhuma dificuldade, comprar bens e serviços) perde o seu valor, toda a 
economia é prejudicada. É dessa forma que o crescimento econômico é 
comprometido. Não há nenhuma vantagem em processos inflacionários 
descontrolados. 
Agora imagine a cesta com 50 itens de produtos que hoje você pode comprar com $ 
100. No mês X1, com os mesmos $ 100, você só consegue comprar 40 itens. No mês 
X2, apenas 32. Em X3, apenas 25 itens. 
Era isso que a inflação fazia antes do Plano Real, corroia o poder de compra da moeda 
com os aumentos contínuos e generalizados dos preços. Observe que, com a mesma 
quantia em dinheiro, as pessoas não compravam as mesmas quantidades de itens da 
cesta mês a mês. Do lado do empresário, este deixava de vender por causa da 
necessidade que ele tinha de aumentar os preços dos bens da cesta de produtos, 
porque o preço subia também para ele junto aos fornecedores. Era um efeito em 
cadeia terrível para toda a sociedade. 
A Política Cambial 
A Política Cambial é um instrumento das relações comerciais e financeiras entre um 
país com o resto do mundo. É nesse tipo de política que se estabelecem os regimes 
cambiais que influenciam a economia, determinando o nível de importação e 
exportação de um país, a quantidade de reservas internacionais, dentre outras coisas. 
Basicamente, aqui falarei para você sobre os regimes cambiais, que são as formas 
como se executam as políticas estabelecidas pelas autoridades para as trocas entre as 
moedas nacionais e estrangeiras, através do que chamamos de taxa de câmbio. Esta é 
o preço, em moeda nacional, de uma unidade de moeda estrangeira. A taxa de câmbio 
é, portanto, uma variável econômica muito importante, pois faz a intermediação das 
transações entre residentes e não residentes de uma nação, ou seja, todas as contas 
do Balanço de Pagamentos sofrem influência da taxa de câmbio, cujas alterações