Apostila de Fitopatologia
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Apostila de Fitopatologia


DisciplinaManejo de Plantas Espontâneas9 materiais208 seguidores
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Phyllosticta maydis Manchas foliares em milho Plenodomus Plenodomus destruens Escurecimento radicular da batata Pyrenochaeta Pyrenochaeta terrestris Raiz rosada da cebola Septoria Septoria lycopersici Septoriose do tomateiro
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Ordem: Melanconiales - conidióforos e conídios produzidos no interior de acérvulos
Família Gênero Espécie Doença
Melanconiaceae Colletotrichum Colletotrichum coccodes Antracnose do tomateiro
Colletotrichum falcatum Podridão vermelha da cana Colletotrichum gloeosporioides Antracnose em várias culturas
Pestalotia Pestalotia palmivora Queima das folhas do coqueiro
Sphaceloma Sphaceloma fawcetti Verrugose da laranja azeda Sphaceloma perseae Verrugose do abacateiro
Ordem: Agonomicetales (Mycelia Sterilia)
Características: · Não produzem esporos \u2022 Apresentam apenas micélio e estruturas de sobrevivência, como por exemplo esclerócios
Gênero Espécie Doença
Rhizoctonia Rhizoctonia solani Tombamento e podridão de raízes
Sclerotium Sclerotium rolfsii Podridões de colo e murchas Sclerotium cepivorum Podridão branca da cebola e do alho
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Figura 13. Agrupamento e morfologia dos principais gêneros de Deuteromicetos fitopatogênicos [adaptado de Agrios (1997)].
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Figura 14. Principais sintomas causados por alguns Ascomicetos e Basiodiomicetos [adaptado de Agrios (1997)].
5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
AGRIOS, G.N. Plant diseases caused by fungi. In:
AGRIOS, G.N. Plant pathology. 4th ed. San Diego: Academic Press, 1997. p.245-406.
ALEXOPOULOS, C.J.; MIMS, C.W. Introductory mycology. 3rd ed. New York: John Wiley & Sons, 1979. 630p.
	de Pernambuco, 1993. 350p
	
MENEZES, M.; OLIVEIRA, S.M.A. Fungos fitopatogênicos. Recife: Universidade Federal Rural
KRUGNER, T.L.; BACCHI, L.M.A.A. Fungos. In: BERGAMIN FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. (Eds.). Manual de fitopatologia: princípios e conceitos. 3. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 1995. v.1, p.46-96.
SILVEIRA, V.D. Lições de micologia. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1968. 301p.
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Unidade 7 BACTÉRIAS COMO AGENTES DE DOENÇAS DE PLANTAS
1. INTRODUÇÃO
Mais de 1.600 espécies bacterianas são conhecidas, mas apenas cerca de 100 espécies causam doenças em plantas. Até a primeira metade do século XIX não se cogitava seriamente a existência de doenças de plantas causadas por bactérias. Possivelmente, o primeiro sobre uma enfermidade de plantas causada por uma bactéria é atribuído ao botânico alemão F.M. Draenert, que em visita ao Recôncavo Baiano, em 1869, teria aventado pela primeira vez a possibilidade da gomose da cana-de-açúcar ser de etiologia bacteriana. Entretanto, os primeiros trabalhos, considerados pelos autores contemporâneos como de real valor científico, foram os do americano Burril, em 1882, sobre a queima da macieira e da pereira e os do holandês Walker, também em 1882, sobre o amarelecimento do jacinto. Em 1889, Erwin F. Smith, considerado o pai da Fitobacteriologia, foi quem realmente demonstrou a natureza bacteriana de cinco enfermidades de plantas. No início do século X, já era grande o número de trabalhos científicos comprovando serem as bactérias importantes patógenos de plantas.
Bactérias são importantes patógenos de plantas, não somente pela alta incidência e severidade em culturas de valor econômico, mas também pela facilidade com que se disseminam e pelas dificuldades encontradas para o controle das enfermidades por elas incitadas.
2. POSIÇÃO TAXONÔMICA
A posição taxonômica das bactérias no mundo dos seres vivos foi sempre motivo de polêmica. Em 1957, na 7a. edição do Bergey's Manual, as bactérias e algas verde-azuis estavam situadas no Reino Vegetalia, Divisão Protophyta. Em 1974, na 8a. edição do Bergey's Manual, estes organismos foram incluídos no Reino Procaryotae. A condição procariota da célula bacteriana pode ser caracterizada pela natureza do genóforo (termo usado por Ris, em 1961, para designar o nucleoplasma da célula procariota), tipo de ribossomos (70S ao contrário dos eucariotas, que são 80S) e ausência de membranas envolvendo organelas citoplasmáticas. Na primeira edição do Bergey's Manual of Systematic Bacteriology, em 1984, o Reino Procaryotae foi dividido em quatro grandes divisões, sendo duas envolvendo bactérias de importância fitopatológica: Gracilicutes e Firmicutes (Tabela 1).
Em 1980 foi publicada a lista de nomes bacterianos aprovados e também uma Lista de patovares. O termo patovar, abreviado como pv., foi escolhido como nomenclatura infra-específica para designar dentro de uma espécie, bactérias que são patogênicas a um hospedeiro ou grupo de hospedeiros. Por exemplo Xanthomonas campestris pv. campestris é uma bactéria patogênica às crucíferas, causando a podridão negra.
Tabela 1. Classificação dos principais gêneros de bactérias fitopatogênicas.
Reino: Procaryotae
Divisão: Gracilicutes - bactérias Gram-negativas
Classe: Proteobacteria - maioria bactérias unicelulares
Família: Enterobacteriae Gênero: Erwinia
Família: Pseudomonadaceae Gêneros: Acidovorax
Pseudomonas Ralstonia Xanthomonas
Família: Rhizobiaceae Gênero: Agrobacterium
Família: sem denominação Gênero: Xylella
Divisão: Firmicutes - bactérias Gram-positivas
Classe: Firmibacteria - maioria bactérias unicelulares, com endosporo
Gêneros: Bacillus Clostridium
Classe: Thallobacteria - maioria bactérias ramificadas, sem endosporo
Gêneros: Clavibacter
Curtobacterium Streptomyces
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3. CARACTERÍSTICAS DA CÉLULA BACTERIANA
3.1. Dimensões
As células bacterianas medem de 1 a 3,5 m de comprimento por 0,5 a 0,7 m de diâmetro.
3.2. Formas
As bactérias fitopatogênicas têm comumente a forma de bastonetes ou bacilos, embora possam apresentar também outras formas. Bactérias filamentosas ou miceliais possuem micélio rudimentar formado por hifas muito finas, como o gênero Streptomyces.
3.3. Motilidade
As bactérias podem ser móveis ou imóveis. Seu movimento pode ser ondulatório, rotatório e principalmente através dos flagelos. Estes são filamentos contrácteis, apenas visíveis ao microscópio ótico com o uso de técnicas especiais de coloração. Quanto ao número e disposição dos flagelos, as bactérias podem ser classificadas em: átricas, quando não possuem flagelos; monótricas, quando possuem apenas um flagelo em posição polar ou lateral; lofótricas, quando possuem um tufo de flagelos; perítricas, quando possuem flagelos distribuídos por toda sua superfície (Fig. 1).
Figura 1. Inserção de flagelos em fitobactérias [segundo Romeiro (1996)].
3.4. Estrutura e função da célula bacteriana
Externamente, a célula pode ser ou não revestida pela cápsula ou camada mucilaginosa, que tem a função de proteção, facilitando a sobrevivência. Em seguida, existe a parede celular, que envolve estreitamente a região citoplasmática, a qual é delimitada por uma membrana fina e delicada, chamada membrana celular ou membrana citoplasmática. O citoplasma é uniforme e possui uma estrutura básica formada por grande número de ribossomos, sedes da síntese proteíca. A região nuclear da célula ou genóforo é evidente, embora difusa, sendo formada por um sistema de fibrilas muito finas e próximas, que consistem quase totalmente de DNA. Não existe membrana nuclear. O citoplasma pode apresentar invaginações da membrana citoplasmática, chamadas mesossomos ou ainda inclusões ou grânulos, contendo substâncias de reserva como lipídios, glicogênio, amido, etc. (Fig. 2).
Os gêneros Bacillus e Clostridium são os únicos que produzem estruturas de resistência chamadas endosporos. Como apêndices celulares podemos encontrar: os flagelos, principais responsáveis pela motilidade; as fímbrias, responsáveis pela aderência da bactéria ao substrato; e finalmente os pilus (plural pili), com função no processo de recombinação genética conhecido como conjugação.
Um dos principais métodos utilizados