ambientalKAdenauer
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DisciplinaDireito do Petroleo32 materiais146 seguidores
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necessário observar o que
acentua Cristina Derani :
O homem situa-se no início e fim de toda atividade eco-
nômica. É a razão de toda atividade econômica, seja pelas
vantagens que adquire diretamente do empreendimento
na forma de lucro ou salário, como pelos benefícios trazi-
dos por uma estrutura social, forjada a partir de uma acu-
mulação social de riqueza, que reverte ao seu aprimora-
mento. Sobre o bem-estar do homem como indivíduo e
membro participante de uma sociedade, funda-se uma
ética da atividade econômica. Expresso de um outro modo,
é pelo respeito à dignidade humana que deve mover-se
toda a ordem econômica. Esta afirmação traz reflexos di-
retos na relação trabalhista, no relacionamento com o con-
sumidor, no tratamento com o meio ambiente.47
É exatamente para fazer este temperamento da livre iniciativa pela
preocupação com o meio ambiente que a lei reguladora da indústria
petrolífera e da política energética nacional (Lei n.º 9.478/1997),
vulgarmente conhecida como Lei do Petróleo, traz inúmeros disposi-
tivos que consagram como objetivo a construção de uma indústria
petrolífera e energética sustentável, dentre os quais merece destaque
o inciso IV do Art 1º, quando diz ser objetivo das políticas nacionais
para o aproveitamento racional das fontes de energia \u201cproteger o meio
ambiente e promover a conservação de energia\u201d.
47: Op. Cit. p. 252.
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1 Princípios Constitucionais do Direito Ambiental Brasileiro e suas
Implicações na Indústria do Petróleo e Gás Natural
A consagração do princípio da proteção ao meio ambiente, da promo-
ção da conservação da energia, bem como o da promoção do desenvolvi-
mento, o da ampliação do mercado de trabalho e da valorização dos
recursos energéticos e, ainda, o da promoção da livre iniciativa dentre os
que regem a política energética nacional, se configura como uma tenta-
tiva de conciliar o desenvolvimento econômico com o desenvolvimento
humano e ambiental, portanto. Iniciativas como esta expressam a ado-
ção de modelo de desenvolvimento sustentável, pois modificam a forma
de ver e compreender o Direito Ambiental, como assinala Cistina
Derani48, uma vez que este não pode ser empecilho ao desenvolvimento,
e sim instrumento garantidor de ser aquele melhor e mais maduro.
1.4.4 O Desenvolvimento Sustentável e a
Função Social da Propriedade
A relação entre desenvolvimento e propriedade é bastante interes-
sante. A exploração desta para a obtenção de riquezas e conseqüente-
mente do desenvolvimento merece atenção especial, a julgar pelo art.
5º, XXIII, e tantos outros dispositivos da Carta Magna, que consa-
gram o princípio constitucional da função social da propriedade.
Também merece destaque o art. 186, II, ao afirmar que a função
social da propriedade rural é cumprida quando, dentre outros requi-
sitos, utiliza adequadamente os recursos naturais disponíveis e pre-
serva o meio ambiente.
Desta forma, temos que o exercício do direito de propriedade, quan-
do respeita a função social, inclusive sob o prisma ambiental (função
socioambiental), promove o desenvolvimento racional ou sustentá-
vel, impedindo que seus fins sejam exclusivamente individualistas.
Segue esta linha de raciocínio o Prof Ivan Lira de Carvalho:
Quando assegura a função social da propriedade (at. 170,
III) a Constituição federal lança balizas apara a fruição
equilibrada do direito material de ter. Dá força específi-
ca às garantias incidentes sobre o direito de propriedade
inseridas no art. 5º, incs. XXII a XXVI. Assim, é obvio
que desatenderá ao comando de atuar socialmente, o
48: Direito Ambiental Econômico.São Paulo: Ed Max Limonad, 1997. p. 171.
DIREITO AMBIENTAL Aplicado à Indústria do Petróleo e Gás Natural
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proprietário que, fazendo mau uso do seu patrimônio,
perpetra atos turbativos da natureza, maculando o pre-
ceito de que todos têm direito ao meio ambiente ecolo-
gicamente equilibrado.49
Cumpre-nos destacar que, como anota Eros Roberto Grau, a pro-
priedade não constitui um instituto jurídico, porém um conjunto
de institutos jurídicos relacionados a distintos tipos de bens. Precisa-
mente assim o faz referido autor:
A propriedade não constitui uma instituição única, mas
o conjunto de várias instituições, relacionadas a diversos
tipos de bens. Não podemos manter a ilusão de que à
unicidade do termo \u2013 aplicado à referência a situações
diversas \u2013 corresponde a real unidade de um compac-
to e íntegro instituto. A propriedade, em verdade,
examinada em seus distintos perfis \u2013 subjetivo, objeti-
vo, estático e dinâmico \u2013 compreende um conjunto de
vários institutos. Temo-la, assim, em inúmeras formas,
subjetivas e objetivas, conteúdos normativos diversos
sendo desenhados para aplicação a cada uma delas, o
que importa no reconhecimento, pelo direito positivo,
\u2018da multiplicidade da propriedade\u2019.50
Assim, como o mesmo autor destaca em sua obra, cabe distinguir
a propriedade de valores mobiliários, a propriedade industrial e do
solo, como exemplos, no nosso trabalho. Merece esclarecer que a
grande repercussão do tema em comento refere-se à propriedade do
solo, que, por sua vez, pode subdividir-se em rural, urbano,51 e,
ainda, do subsolo.
Como se vê, o princípio da função social da propriedade também
serve como instrumento de tempero ao princípio da livre iniciativa,
promovendo, também, o desenvolvimento sustentável.
49: CARVALHO, Ivan Lira de. A empresa e o meio ambiente. Revista de Direito Ambiental, São Paulo, jan
-mar. 1999. p. 35.
50: GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988. 4. ed. São Paulo : Malheiros
Editores, 1998. p. 253
51: Para melhor estudo do caso, observar o capítulo seis, sobre Exploração de Petróleo em Áreas Urbanas.
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1 Princípios Constitucionais do Direito Ambiental Brasileiro e suas
Implicações na Indústria do Petróleo e Gás Natural
1.4.5 Sistema Energético Sustentável
É sabido o fato de que o petróleo não é o combustível mais ade-
quado sob o prisma do desenvolvimento sustentável. Ele ainda é
responsável, juntamente com o gás natural e o carvão, por oitenta
por cento da energia produzida no mundo; isto, tanto pela polui-
ção ambiental gerada na produção de energia decorrente da queima
destes combustíveis fósseis, como sob o ponto de vista de serem
recursos não renováveis.
Segundo alguns, mantendo-se este modelo energético e os níveis
de crescimento de necessidade de energia, em algumas poucas déca-
das estariam esgotadas as reservas de petróleo do mundo.
Tal fato, sobretudo a ameaça do esgotamento do petróleo, desperta as
grandes empresas petrolíferas para a necessidade de transformarem-se em
grandes empresas de energia, investindo em novas fontes energéticas e
tratando o petróleo como elemento de produção de insumos industriais
para a produção de plásticos e outros materiais.
Assim, as fontes de energia também merecem atenção, quando nos
referimos ao desenvolvimento sustentável, haja vista que a Terra dá si-
nais de não ser mais capaz de continuar fornecendo os combustíveis
utilizados como matrizes energéticas no mundo atual, o que, em alguns
anos, pode vir a ser um dos grandes males sociais. Isto, em razão da
grande necessidade que o homem moderno tem de consumir energia.
Por tais fatores é que se faz necessário os Estados voltarem suas
atenções para a problemática energética, investindo em pesquisa ci-
entífica e em um novo modelo energético mundial.
1.5 Considerações Finais
Como visto durante o desenvolvimento deste trabalho, a situação
ambiental por todos vivida é preocupante, até ameaçadora à sobrevi-
vência da espécie humana, e, assim, necessária foi a mudança de com-
portamento do homem, como indivíduo, e dos Estados na interação
com o meio ambiente, sendo fruto desta mudança modelos de desen-
volvimentos alternativos, dentre os quais destacamos o modelo da
sustentabilidade, sendo ele o grande fruto da Conferência da Terra,