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DisciplinaDireito do Petroleo32 materiais146 seguidores
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do controle judicial.
2.12 Conclusão
Verificamos que o Estudo de Impacto Ambiental representa um
instrumento indispensável à proporcionalidade entre crescimento eco-
nômico e equilíbrio ecológico, ou seja, à concretização de um desen-
volvimento sustentável.
A disciplina legal do licenciamento ambiental e seus instrumentos,
por exemplo, o EIA e o RIMA, apresentou grande evolução no
ordenamento jurídico brasileiro, transformando-os em ferramentas
cruciais da transparência e grau de participação popular da política
ambiental brasileira.
A pulverização dos esforços licenciatórios em agências ambientais
federais, estaduais e municipais, que poderia causar certa confusão
em virtude do emaranhado de regras e exigências distintas, na verda-
de, não o faz, pois estas instâncias de vigilância ambiental encon-
tram-se coligadas por um instrumento comum e que, embora possa
diferir em questões específicas, é o mesmo em sua essência: o Estudo
de Impacto Ambiental.
Há que se louvar os esforços do Conselho Nacional do Meio Ambi-
ente, o CONAMA, em realizar este valoroso trabalho regulatório das
leis ambientais, editando normas gerais sem as quais nossas modernas
leis não passariam de mais um triste exemplo de normas sem efetividade.
Graças a tais regulamentos, pode-se ter a efetivação, por parte dos cita-
dos órgãos estaduais e municipais, das exigências do EIA e do RIMA,
assim como das audiências públicas, em território nacional.
2.13 Referências Bibliográficas
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como Limites da Discricionariedade Administrativa. Revista Forense, Rio de Janei-
ro, 1992, n. 317.
DIREITO AMBIENTAL Aplicado à Indústria do Petróleo e Gás Natural
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3 Lei de Crimes Ambientais: Aplicações
e Reflexos atinentes à Indústria do Petróleo e Gás
3 Lei de Crimes Ambientais: Aplicações e
Reflexos atinentes à Indústria do Petróleo e Gás
Amanda Barcellos Cavalcante
Hirdan Katarina de Medeiros
Larissa Roque de Freitas
3.1 Escorço Histórico da Lei nº 9.605/98 à Luz da
Indústria do Petróleo e Gás
Evidente é o fato de que o desenvolvimento industrial e tecnológico
ocorrido ao longo da história, apesar de benéfico, diametralmente,
trouxe sérias conseqüências negativas ao meio ambiente. Tais ativida-
des, impulsionadas pelo consumo e pelo crescimento demográfico,
proporcionam, por um lado, o progresso e, por outro, a perda gradativa
do patrimônio ecológico da humanidade.
Nessa história cambiante, encontra-se o desenvolvimento susten-
tável como um ideal a seguir, conciliando o progresso com o manejo
ecológico, de forma que a natureza seja resguardada.
Condera-se, com efeito, o fato de há muito tempo os cientistas
virem alertando acerca dos malefícios de uma ocupação desordenada
do solo, esgotamento dos recursos naturais e necessidade de atrelar o
desenvolvimento a uma política conservacionista72.
72: FREITAS, Vladimir Passos de, FREITAS, Gilberto Passos de. Crimes contra a natureza: de acordo com
a Lei nº 9.605/98. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 20-01.
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Nesse diapasão, apontamos o evolver da indústria petrolífera, que
possui ínsitos os dois condões, ou seja, a riqueza e o dano ao ambien-
te em potencial.
Desde as suas primeiras aparições, como a descoberta do coronel
Drake, nos Estados Unidos da América, o petróleo tem proporciona-
do um acervo de novos produtos, fomentando, sem dúvida, setores
potencialmente poluidores, como o automobilístico.
É de se notar que, além da poluição inerente aos seus derivados, o
petróleo conduz as famigeradas atividades de risco, que envolvem
enorme probabilidade de causar danos ao meio ambiente.
Ademais, a crescente existência de resíduos inorgânicos agrava a situa-
ção, haja vista a dificuldade que a natureza encontra em degradá-los.
Assim, a indústria petroquímica, que produz algumas matérias inorgânicas,
encontra-se invariavelmente nesse enfoque de potencialidade poluidora.
Ponto em comum dos dois temas aqui tratados, quais sejam, petró-
leo e a preservação dos recursos naturais, é a preocupação global que
os envolve. Os impactos ambientais apresentam incidência global,
atingindo, assim, todos os lugares, não importando a contribuição
do local para a poluição, pois o que predomina é a passividade diante
desta. Por sua vez, o petróleo é um recurso energético sem o qual a
humanidade não pode, nesse estágio civilizatório, renegar sob pena
de uma retrocessão no desenvolvimento desta, bem como no seu pro-
gresso. Destarte, é imprescindível conciliar a preservação do meio
ambiente e da prosperidade trazida pelo petróleo.
Nessa esteira de raciocínio, a Constituição Federal, ao tratar dos
direitos fundamentais no artigo 5º, insculpiu o direito à vida, tra-
zendo como via reflexa o direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida, tendo em vista o §
2º do artigo em tela que prescreve: \u201cos direitos e garantias expressos
nessa constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos
princípios por ela adotados\u201d. Pelo exposto, percebe-se a postura ado-
tada pelo legislador constituinte que alça o dano ambiental ao nível
do direito humano elementar, qual seja, a vida.
Outrossim, não se olvide o artigo 225 da Carta Magna, que, por si,
eleva o meio ambiente ecologicamente equilibrado à categoria de di-
reito fundamental.
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3 Lei de Crimes Ambientais: Aplicações
e Reflexos atinentes à Indústria do Petróleo e Gás
Em seguida, já nos capítulos finais da Constituição, promoveu-se a
tutela de cunho penal e administrativo, constante no § 3º do artigo
225 que ordena: \u201cas condutas e atividades lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, as sanções penais
e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os
danos causados.\u201d Dessa forma, ao garantir o direito ao meio ambien-
te ecologicamente equilibrado, apesar do § 1º (artigo 5º) estabelecer
que as normas definidoras dos direitos fundamentais têm aplicação
imediata, o constituinte possibilitou o surgimento de uma futura
legislação infraconstitucional assecuratória e delineadora da política
criminal e administrativa voltada à proteção do meio ambiente.
Não constava tal disposição nas constituições anteriores. A Lei da
Política Nacional do Meio Ambiente, Lei nº 6.938, de 31.08.1981,
no entanto, já tinha se referido à reparação de danos, na óptica civil,
imposta aos causadores de prejuízos ao ambiente.
Prosseguindo numa análise do tema com respaldo na Constituição,
ao tratar-se da mineração, dispõe no artigo 225, § 2º, o seguinte: \u201caquele
que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambien-
te degradado de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público
competente, na forma da lei.\u201d
Ademais, pelo disposto na Constituição, percebe-se a determina-
ção expressa de recomposição, sendo, então, dever do órgão público
competente