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DisciplinaDireito do Petroleo32 materiais146 seguidores
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o decreto-lei
1.413/75, que dispôs sobre o controle de poluição do meio provocada
por atividades industriais; a lei 6.803/80, que trata sobre a necessá-
ria compatibilização das emissões de poluentes com a proteção
ambiental, nas áreas críticas de poluição, de acordo com o zoneamento
industrial, a lei 6.938/81, que dispõe sobre a política nacional do
meio ambiente, tratando da defesa do ar de forma genérica e a lei
8.723/93 (c/c a lei 10.203/2001, a qual regulamentou os arts. 9 e
12 da lei 8.723/93), que estabelece limites de emissão e prazos de
adequação para os fabricantes de motores, veículos e de combustíveis
(como as refinarias de petróleo).
Apesar desta regulamentação esparsa e ainda incipiente (por ser
muito genérica em certos casos e particular demais em outros), no
que tange à fixação de padrões de qualidade do ar, já se tem um bom
suporte legal na Portaria 231/76 (substituída pela Resolução
CONAMA 03/90) do Ministério do Interior, de forma genérica e da
Resolução CONAMA 10/89, sobre emissão de gases de escapamen-
to de veículos (que são os maiores poluidores).
Consideram-se como padrão de qualidade do ar \u201cos limites de me-
didas de concentração de poluentes atmosféricos, que, se ultrapassa-
dos, poderão afetar a saúde, segurança e bem estar da população,
DIREITO AMBIENTAL Aplicado à Indústria do Petróleo e Gás Natural
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bem como causar danos à água, à flora, à fauna, aos materiais e ao
ambiente em geral179\u201d. A fixação destes padrões de qualidade, con-
vém ressaltar, é de competência comum (art.23, VI, CF), entre a
União, estados e municípios, devendo, porém, se já houver norma
federal sobre o assunto, os estados e municípios respeitarem tais
parâmetros, podendo agravá-los, mas nunca flexibilizá-los.
Deve-se ter em conta o fato de que o custo da industrialização e do
próprio progresso em si da sociedade não se pode dar em função da total
degradação do meio ambiente, porém, considerando ainda que a melhor
alternativa para o desenvolvimento sustentável é um meio-termo entre a
preservação e a industrialização, já que não se podem fechar as fábricas e
mandar parar os automóveis e aviões, a diminuição da poluição tem de
passar por um conjunto muito vasto de medidas, como, por exemplo: a
instalação nas fábricas de catalisadores que retenham os fumos e os
gases, podendo estes ser até reusados como fontes energéticas; utiliza-
ção de tecnologias alternativas, que reduzam o consumo de energia,
tornando a indústria menos poluidora; aplicação de catalisadores em
todos os automóveis novos, de modo a diminuir o máximo de emissão
de fumos e gases e a redução da quantidade de chumbo e enxofre nos
combustíveis; obrigatoriedade de inspeções periódicas a todos os tipos
de automóveis no que diz respeito aos níveis de poluição atmosférica e
sonora, como já acontece em alguns países; e substituição de alguns
produtos químicos industriais perigosos como, por exemplo, os que
têm levado à destruição da camada de ozônio.180
Considerando que no Brasil, quando se trata de poluição atmosfé-
rica na indústria do petróleo, não se pode deixar de analisar a situa-
ção da PETROBRÁS, no setor do down-stream especificamente, que
é onde se tem as maiores taxas deste tipo de poluição, a referida
empresa, em suas onze refinarias, realiza sistemas de tratamento para
todos os seus efluentes. Foram desenvolvidos chaminés, filtros e ou-
tros dispositivos que evitam a emissão de poluentes atmosféricos e
unidades de recuperação que retiram o enxofre dos gases cuja queima
produziria o supracitado dióxido de enxofre.
179: SILVA, José Afonso da. Direito Ambiental Constitucional. 4. ed. São Paulo: Malheiros, 2002. p.115.
180: MARTINS, Inês. Poluição Atmosférica, Causas e Conseqüências, in: www.horta.uac.pt/Projectos/
Msubmerso/200102/atmosfera.htm. Acesso em 20/01/03.
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5 Infrações Penais Ambientais Específicas: da Poluição Mineral, Atmosférica, Visual,
Sonora e Hídrica. Aplicação à Indústria do Petróleo e Gás Natural
Com relação a esta mesma empresa, não se pode esquecer que, a
despeito de suas ações no sentido de minimizar a poluição emitida
por suas refinarias, ainda há muito o que fazer, pois, casos como o
da REPLAN (Refinaria de Paulínia) em 2002, que é a refinaria com
maior capacidade de refino (cerca de 50.000 m3/dia ou 25% da
capacidade de refino nacional) da PETROBRÁS181, quando está
em desacordo com os princípios basilares do Direito Ambiental,
quais sejam o da prevenção e da precaução, \u201clançou resíduos gaso-
sos e material particulado na atmosfera, causando poluição e danos
potenciais à saúde humana, de considerável monta (...)\u201d182.
Considere-se ainda o avanço no processamento e comercialização
do GNV (gás natural veicular) cuja combustão é mais limpa do que
a dos combustíveis atuais, dispensando tratamento dos produtos lan-
çados na atmosfera. A redução no índice de enxofre do diesel para
níveis inferiores a 1%, adequando o combustível às exigências legais
de controle da poluição atmosférica, e o fim do uso de chumbo
tetraetila na gasolina, estão entre as medidas adotadas pela empresa
para melhorar a qualidade do ar.
Considerando que realiza uma atividade potencialmente poluidora,
a PETROBRÁS, que não é uma exceção nesse sentido, até mesmo
pelos acidentes que já sofreu, como na baía de Guanabara (que foi
um caso de poluição hídrica), com a Plataforma P-36 e que
deliberadamente causou, como o da REPLAN, onde agiu com dolo
eventual, ao preferir continuar com a queima irregular por flare
(tochas) de emissões potencialmente poluidoras (como aquelas já
analisadas no decorrer do estudo) para não interromper suas ativida-
des de refino, independentemente das conseqüências ao ambiente,
deve possuir uma atenção redobrada sobre a proteção que precisa
conferir ao meio ambiente, não apenas porque qualquer \u201cacidente\u201d
opere repercussões nos media de forma exagerada, mas também por-
que a prevenção e a precaução nas atividades realizadas são inerentes
à indústria do petróleo.
181: Lançamento De Resíduos pela REPLAN, da PETROBRÁS. Revista de Direito Ambiental, 28/178.
182: Processo 466/1998 \u2013 Foro Distrital de Paulínia \u2013 Comarca de Campinas \u2013 j. 28.05.2002 \u2013 rela. Juíza
de Direito Maria Izabel Caponero Cogan. Lançamento de resíduos pela refinaria de Paulínia (REPLAN), da
PETROBRÁS. Poluição atmosférica em níveis danosos à saúde humana. Violação do art. 54 da lei 9.605/
98. Revista de Direito Ambiental, 28/363.
DIREITO AMBIENTAL Aplicado à Indústria do Petróleo e Gás Natural
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5.5 Infrações Penais Ambientais Específicas
da Poluição Visual
Pode-se definir poluição visual como qualquer tipo de \u201cagressão\u201d
aos olhos da população. O lixo jogado em terrenos baldios, cartazes
de campanhas políticas afixados em muros e pichação constituem
bons exemplos de poluição visual que podem ser visualizados todos
os dias, em praticamente todas as cidades do Brasil.
É válido ressaltar que a poluição visual não afeta tão-somente os
olhos de um indivíduo isoladamente. Ela origina malefícios à popu-
lação como um todo, nos mais diversos campos, seja prejudicando
diretamente a segurança pública, ou contribuindo decisivamente para
a redução das atividades relacionadas ao turismo ou negócios em ge-
ral. O fato, porém, de ela não ser tão divulgada e muito menos com-
batida, especialmente no Brasil, decorre das suas conseqüências se-
rem mais de ordem psicológica do que física.
Em países da Europa, como um todo, e principalmente nos Estados
Unidos, existem muitas leis que regulamentam e proíbem as pessoas
de poluírem visualmente as cidades com cartazes ou outdoors, estabe-
lecendo as mais diversas sanções para aqueles que porventura vierem a
transgredir as normas ambientais relacionadas à poluição visual.
Nos últimos anos, houve significativo aumento de serviços postos
à disposição do mercado consumidor, os quais, para sua instalação,
necessitam da extensão de redes, que poderiam