CHOQUE
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CHOQUE


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freqüentemente abaixo do normal. 
 
 3.3) Avaliação laboratorial: 
 
 Na possibilidade de realização de exames complementares, estes poderão se 
constituir de excelentes métodos de apoio ao diagnóstico e de orientação para a 
terapêutica a ser empregada. 
 
 3.3.1) hemograma completo - irá orientar quanto à administração dos fluidos 
(hematócrito), a presença ou a ausência de infecção (leucograma) e a ocorrência de 
coagulação intravascular disseminada (CID), por meio da contagem plaquetária. 
 
 3.3.2) culturas bacterianas - cultura sangüínea e de feridas existentes (dentro de 
24 horas) podem auxiliar no tratamento. 
 
 3.3.3) gases sangüíneos (gasometria) - as determinações do pH, pCO2 , e pHCO3 
proporcionam informações sobre a acidemia ou alcalemia, que refletem respectivamente 
a ocorrência de acidose ou alcalose. Estas concentrações de dióxido de carbono e do 
bicarbonato, junto com os dados de anamnese, proporcionam parâmetros para a terapia. 
 A baixa perfusão e oxigenação dos tecidos resultam em metabolismo anaeróbico e 
pequena produção de energia. Em resposta haverá aceleração no metabolismo dos 
carbohidratos e das gorduras. Da metabolização anaeróbica da glicose resulta o lactato e 
da metabolização anaeróbica dos ácidos graxos resultam os corpos cetônicos. Estes 
catabólitos não voláteis determinam acidose metabólica, quando produzidos em 
quantidade que suplante a reserva tampão integrada pelos fosfatos, algumas proteínas e, 
principalmente, pela hemoglobina e pelo bicarbonato (90%). 
 O sangue, pela determinação da gasometria, pode ser arterial ou venoso e deve ser 
coletado por meio de técnica anaeróbica. Quando coletado de uma artéria, o sangue 
demonstra a capacidade oxigenadora dos pulmões. Quando coletado do sistema venoso 
periférico, demonstra apenas o grau de oxigenação daquela região que o vaso puncionado 
está drenando. A gasometria venosa deve ser realizada preferentemente do sangue 
coletado em nível do átrio ou das cavas. 
 
VALORES DO pH SANGÜÍNEO EM ALGUMAS ESPÉCIES: 
espécies arterial venoso 
Gato 7.43 7.36 
Cão 7.43 7.40 
Cavalo 7.42 7.00 
 Fonte: ZASLOW,1984 
 
Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia \u2013 PUCRS 
Curso de Medicina Veterinária 
Clínica Cirúrgica Veterinária 
 
 
 
 
Prof. Daniel Roulim Stainki 
 
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 3.3.4) proteínas plasmáticas - as trocas líquidas entre os meios intravascular e 
intersticial, ocorrem devido a variações entre a pressão hidrostática (formada pelo débito 
cardíaco) e a pressão oncótica (exercida pelas proteínas do plasma), dede que o leito 
capilar apresente as paredes íntegras. 
 A pressão coloidosmótica pode ser avaliada pela determinação das proteínas do 
plasma. Pacientes com choque cardiogênico apresentam alta pressão venosa, resultando 
em aumento da pressão hidrostática do lado venoso. Na fase de vasoplegia do choque, 
ocorre passagem de colóides para o interstício, devido ao efeito vasodilatador dos fatores 
vasotrópicos locais, com o carreamento de proteínas e líquido vascular, favorecendo a 
incidência de edema. 
 Quando a concentração de albumina cair abaixo de 1.5 - 2.0 g/dl, a restauração da 
pressão sangüínea com uma solução que não seja coloidal pode levar à fuga de líquido 
vascular para o interstício, devido à hemodiluição. 
 
 3.3.5) eletrólitos - a mensuração dos eletrólitos do soro é necessária para o cálculo 
correto dos déficits e determinação da solução apropriada para reinfundir. 
 
 3.3.6) lactato sérico - o lactato sérico proporciona avaliação do grau de 
oxigenação dos tecidos, pois resulta do catabolismo anaeróbico da glicose. As variações 
do lactato no sangue venoso do cão variam de 5-20mg/dl e no plasma de 12.6 a 36mg/dl. 
Se a concentração de lactato no sangue permanecer elevada ou em ascensão, após terapia, 
é indicação de tratamento inadequado ou sinal de irreversibilidade do choque. 
 
 4) TRATAMENTO DO CHOQUE 
 
 A terapia deve ser voltada para a remoção das causas desencadeantes e a correção 
das variáveis fisiológicas alteradas. O objetivo principal é restabelecer a perfusão 
tecidual, ou seja, regularizar a circulação dos leitos vasculares. Esta normalização 
somente pode ser obtida através da correção da insuficiência circulatória aguda, que 
compromete todo o sistema circulatório. As correções devem obedecer a um critério 
prioritário para o distúrbio hemodinâmico predominante, que é, geralmente, o 
responsável pela quebra da homeostase e manutenção do paciente em choque. 
 
 4.1) Normas gerais: 
 
 4.1.1) proporcionar ventilação adequada - os primeiros cuidados envolvem o 
posicionamento do paciente em decúbito lateral, com a cabeça distendida em um plano 
levemente inferior ao restante do corpo e com tracionamento da língua. Procurar remover 
as sujidades, secreções e eventuais coágulos da cavidade orofaríngea. O decúbito lateral 
com a cabeça em plano levemente inferior ao corpo, facilitará o aporte sangüíneo por 
gravidade ao sistema nervoso central e evitará falsa via em caso de regurgitação. 
 Em caso de acentuada depressão respiratória, promover a intubação orotraqueal e 
oferecer oxigênio com pressão positiva. Havendo impedimento para a intubação (edema 
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de glote, reflexo laríngeo) colocar o paciente em incubadora com oxigênio (pequenos 
animais) ou adotar máscara, catéter intratraqueal ou traqueostomia. 
 Estes procedimentos estão intimamente relacionados às condições de volemia, 
pois a oxigenação tecidual depende da pressão sangüínea e saturação de oxigênio. O 
animal não deve ser movido desnecessariamente, nem é recomendado o uso de 
tranqüilizantes ou anestésicos gerais, pelos seus efeitos hipotensores. 
 
 4.1.2) estabilizar a volemia - a finalidade da reposição de volume é melhorar o 
transporte de oxigênio e a perfusão tecidual conforme já foi salientado. Para tanto é 
recomendado à colocação asséptica de uma agulha ou catéter calibroso em uma veia 
como a jugular. 
 A determinação do hematócrito (volume percentual de hemácias presentes em 
amostra de sangue total) e das proteínas totais oferece excelente subsídio para repor a 
solução mais apropriada para expandir a volemia. Baseado neles pode ser adotado o 
seguinte esquema terapêutico: 
 * hematócrito inferior a 28% repor papa de hemácias; 
 * hematócrito entre 28 e 50% repor sangue total; 
 * hematócrito acima de 50% repor plasma ou expansores do plasma. 
 Quando não houver possibilidade de apoio laboratorial a reposição de volume 
pode ser baseada na anamnese. Devemos repor sangue total nas hemorragias, plasma nas 
queimaduras, solução eletrolítica balanceada nas perdas por diarréia ou vômito e assim 
sucessivamente. 
 As soluções coloidais estão indicadas sempre que as proteínas do plasma forem 
inferior a 3.5g/dl. De modo geral, é recomendado que na reposição de volume sempre 
seja feita associação entre solução salina e coloidal, como plasma, sangue ou expansores 
do plasma na proporção de 3:1 ou 4:1. O plasma quando indicado pode ser administrado 
por via venosa, em um volume médio de 20ml/kg. No cão a dose recomendada para o 
dextran-40 é de 10 a 15ml/kg. A dose total não deve ultrapassar 20ml/kg a cada 24h. 
 A reposição de volume na terapia do choque deve ser feita em grande quantidade, 
pois pode haver perdas ocultas ou inaparentes, perdas do tônus vascular e da integridade 
capilar, que favorecem a fuga de líquido para o interstício. A velocidade da 
administração das soluções é mais bem avaliada pela monitorização da pressão venosa 
central (máximo 15cm/H2O no cão e 25cm/H2O no cavalo em decúbito lateral). Deve-se 
lembrar, no entanto, que a elevação na pressão venosa não é proporcional