A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
10 pág.
CIRÚRGIAS OCULARES

Pré-visualização | Página 2 de 3

poderá 
abrigar sujidades e microorganismos que predispõem a ocorrência de doenças oculares. 
 
INDICAÇÃO: 
 
Em casos de prolapso ou de pequenos tumores. 
 
ETIOLOGIA: 
 
a. ausência congênita dos tecidos conectivos que fixam a glândula aos tecidos 
periorbitais (predispondo ao prolapso), provavelmente de causas inerentes à 
raça. Raças pré-disponentes: Beagle, Cocker Spanel, Pequinês; 
b. traumatismos; 
c. processos inflamatórios ou tumorais. 
 
 
 
 
FACULDADE DE ZOOTECNIA, VETERINÁRIA E AGRONOMIA – PUCRS 
CAMPUS URUGUAIANA 
CIRURGIA VETERINÁRIA – I 
 
 
 
 
 Prof. Daniel Roulim Stainki 
 
5 
SINAIS CLÌNICOS: 
 
Presença de um tecido acima da borda livre da 3º pálpebra que torna-se 
inflamada e aumentada, apresentando uma coloração vermelho cereja. Secundariamente 
observa-se epífora e conjuntivite. 
 
ANESTESIA E PRÉ-OPERATÓRIO: 
 
A anestesia deve ser geral. Como pré-operatório: a anti-sepsia é feita pingando-
se colírio antibiótico sobre a córnea, imediatamente antes do ato cirúrgico. 
 
TÉCNICAS CIRÚRGICAS: 
 
REPOSIÇÃO DA GLÂNDULA DA TERCEIRA PÁLPEBRA. 
 
As técnicas de reposição da glândula da terceira pálpebra objetivam devolver a 
glândula na sua posição normal, fixando-a nos tecidos fibrosos adjacentes ou por 
estimulação da formação de fibrose sobre a glândula e, portanto fixando-a em sua 
posição anatômica. 
 Técnica de embolsamento conjuntival (Morgan) – consiste na conjuntivotomia 
com imbricação da glândula por meio de uma sutura de Lembert ou Kürschner. A 
cirurgia é realizada sobre a superfície interna da terceira pálpebra, procedendo-se duas 
incisões elípticas de 1 cm acima e abaixo da porção prolapsada da glândula. Sem a 
remoção da conjuntiva, as incisões são suturadas juntas com fio absorvível 6.0 (Vicryl), 
em um padrão de sutura contínua (simples ou Lambert). Esta sutura promoverá o 
sepultamento da glândula, devendo permanecer desobstruídas as extremidades da 
sutura, permitindo a drenagem do fluxo das secreções da glândula. 
A desvantagem da técnica de reposição é o risco da recidiva do problema. 
 
EXCISÃO PARCIAL DA GLÂNDULA DA TERCEIRA PÁLPEBRA. 
 
A excisão parcial da glândula da terceira pálpebra deve ser considerada somente 
após o procedimento de reposição ter sido insatisfatório. Isto se deve ao fato de que a 
remoção parcial pode reduzir a secreção lacrimal, podendo aumentar os riscos para o 
desenvolvimento de ceratoconjuntivite seca. Portanto, a excisão parcial só deverá ser 
feita após comprovarmos que a produção de lágrima é normal no olho afetado (teste da 
lágrima de Schirmer), sendo a amputação completa da glândula sempre contra-indicada 
nos casos de prolapsos. 
Uma pinça hemostática mosquito-curva é usada para pinçar a base da porção 
prolapsada da glândula. O tecido glandular é seccionado com um bisturi, tesoura ou 
com o bisturi elétrico. Se a glândula for seccionada com bisturi convencional ou 
tesoura, pode ser realizada a sutura do coto glandular com Vicryl 6.0 ou 7.0, com pontos 
simples contínuos ou colchoeiro. Deve-se evitar que as pontas dos fios atinjam a córnea. 
 
 
 
FACULDADE DE ZOOTECNIA, VETERINÁRIA E AGRONOMIA – PUCRS 
CAMPUS URUGUAIANA 
CIRURGIA VETERINÁRIA – I 
 
 
 
 
 Prof. Daniel Roulim Stainki 
 
6 
PÓS-OPERATÓRIO: 
 
Lavagem ocular com solução fisiológica morna para remover os coágulos e, em 
caso de hemorragia, comprimir a 3º pálpebra com cotonete embebido em adrenalina, e 
deve-se fazer a aplicação de colírio antibiótico e antiinflamatório. 
 
OBSERVAÇÕES: 
 
O papel da glândula lacrimal na produção da lágrima varia de cão para cão, 
assim é que em determinado animal à fonte principal pode ser a glândula orbital ou a da 
3º pálpebra. A remoção da glândula da membrana nictitante pode reduzir a produção de 
lágrimas em 30 a 50%. Pelo risco de uma ceratoconjuntivite seca a excisão de toda a 
glândula é desaconselhada, a não ser em casos de neoplasias invasivas. 
 
 
 TÉCNICAS DE PROTEÇÃO DA CÓRNEA 
 
 Os flapes palpebrais podem ser usados como bandagens fisiológicas e 
adjuvantes no tratamento clínico de úlceras de córnea, ceratites e traumas oculares. 
 
16) FLAPE DE TERCEIRA PÁLPEBRA. 
 
INDICAÇÃO: 
 
Essas técnicas cirúrgicas são indicadas como métodos auxiliares para o 
tratamento da úlcera de córnea. A úlcera envolve a perda do epitélio corneal, somado a 
perda do estroma corneal. Geralmente, as úlceras são de origem traumática, mas 
afecções sistêmicas podem predispor suas ocorrências. Os sinais clínicos da presença de 
ulcerações de córnea incluem o blefaroespasmo, hiperemia conjuntival, epífora, edema 
de córnea e miose (iridocicloespasmo). É comum a presença de um infiltrado branco-
amarelado em úlceras infectadas, as quais tendem a aprofundar e progredir rapidamente 
se não tratadas. Microorganismos Gram-negativos produzem proteases (colagenases), as 
quais podem resultar em rápida e progressiva destruição do tecido da córnea. Algumas 
úlceras superficiais só tornam-se visíveis após a aplicação de fluoresceina. Se uma 
úlcera aprofunda significativamente, poderá expor a membrana de Descemet, que 
constituí a penúltima camada da córnea, antes do endotélio. Geralmente, nestes casos, 
pela pressão intra-ocular aumentada, ocorre a protrusão da membrana de Descemet 
através do estroma corneal, formando a descemetocele. A descemetocele é uma úlcera 
grave, que se não tratada, torna a perfuração do globo ocular iminente. 
O tratamento emergencial da úlcera de córnea irá depender da profundidade da 
úlcera, da presença de infecções e da suspeita de fatores sistêmicos. A cirurgia corneal, 
especificamente se tratando dos flapes conjuntivais, deve ser considerada nos animais 
com os seguintes sinais clínicos: 
a. úlceras profundas (perdas acima de 80% do estroma da córnea); 
b. úlceras que continuam progredindo, mesmo após o tratamento clínico 
apropriado; 
FACULDADE DE ZOOTECNIA, VETERINÁRIA E AGRONOMIA – PUCRS 
CAMPUS URUGUAIANA 
CIRURGIA VETERINÁRIA – I 
 
 
 
 
 Prof. Daniel Roulim Stainki 
 
7 
c. na presença de descemetocele ou de perfuração corneal. 
Os corticosteróides tópicos estão CONTRA-INDICADOS no tratamento da 
úlcera de córnea. Drogas antiinflamatórias não esteróides (AINes) podem atrasar o 
processo de cicatrização das úlceras, mas menos que os esteróides tópicos. O 
iridocicloespasmo é tratado com colírio de atropina 1%, administrado quatro vezes ao 
dia. A colocação de colar Elizabethano é essencial para o sucesso do tratamento 
cirúrgico. 
 
MÉTODOS DE PROTEÇÃO DA CÓRNEA: 
 
SUTURA DA 3º PÁLPEBRA NA CONJUNTIVA BULBAR. 
 
Um ponto central é disposto primeiramente. Identifique a porção central da 
cartilagem e passe o ponto através da 3º pálpebra, pegando a cartilagem, 
aproximadamente 1 mm de sua borda. Um ponto tipo Wolff com o mesmo fio é 
colocado na conjuntiva bulbar, em torno de 5 mm do limbo, retornando com a agulha 
novamente para a 3º pálpebra, completando-se o ponto com o nó. Verifica-se, então, 
que a conjuntiva bulbar é muito móvel e que a mesma irá encobrir, junto com a 3º 
pálpebra, à córnea. Completa-se a técnica com mais 2 ou 3 pontos semelhantes (fio 
mononylon ou prolene 4.0 ou 5.0,) 
Objetivo: auxilia na cicatrização porque protege o olho. Ao encobrirmos a 
córnea com a conjuntiva bulbar ou a 3ª pálpebra, estimulamos a neovascularização, 
auxiliando na cicatrização da úlcera de córnea. 
Vantagem da técnica: ao movimentar o globo ocular, a conjuntiva bulbar e a 3ª 
pálpebra acompanham o movimento, não ocorrendo o atrito entre a córnea e o flape, 
tendendo a cicatrizar mais rapidamente. 
 
SUTURA DA 3° PÁLPEBRA NA PÁLPEBRA SUPERIOR. 
 
Direcione a agulha através da pálpebra superior, imediatamente acima da base 
das glândulas de Meibomian. Coloque a agulha na superfície anterior da 3º pálpebra, 
incorporando a porção central