CIRÚRGIAS OCULARES
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CIRÚRGIAS OCULARES


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da cartilagem, aproximadamente 1 mm de sua borda 
externa. Completa-se o ponto passando a agulha na pálpebra superior, de dentro para 
fora, e confeccionamos o nó sobre a superfície externa da pálpebra superior. Repita a 
técnica, fazendo mais 2 pontos. Os pontos podem ser ancorados para evitar que cortem a 
pele da pálpebra superior (fio nylon 4.0 ou 3.0 para pequenos animais e 0,50 \u2013 0,60 para 
grandes). 
Objetivo: semelhante à outra técnica, porém a cicatrização é um pouco mais 
lenta, pois há atrito ent re a córnea e a 3ª pálpebra, a nictitante não acompanhará o 
movimento do olho. Não é a técnica mais indicada em casos de úlceras profundas, de 
descemetocele ou de perfuração corneal, acarretando em pobre suprimento sangüíneo e 
dificulta o monitoramento da cicatrização da úlcera. 
 
 
 
 
FACULDADE DE ZOOTECNIA, VETERINÁRIA E AGRONOMIA \u2013 PUCRS 
CAMPUS URUGUAIANA 
CIRURGIA VETERINÁRIA \u2013 I 
 
 
 
 
 Prof. Daniel Roulim Stainki 
 
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PÓS-OPERATÓRIO: 
 
a. antibioticoterapia local por 7 a 10 dias: colírio de cloranfenicol ou de 
gentamicina; 
b. o flape permanecerá por 14 a 21 dias; 
c. Controle da recorrência da úlcera pela aplicação de fluoresceina. 
 
 
17) PROLAPSO DE GLOBO OCULAR. 
 
DEFINIÇÃO: 
 
A proptose traumática resulta do deslocamento súbito do globo ocular para fora 
de sua órbita. Um globo ocular prolapsado torna-se uma emergência, uma vez que, a 
correção de um prolapso em até 30 minutos, pode salvar o olho ou diminuir muito o 
período de reabilitação. Raças braquicefálicas como o Pequinês e o Bull Dog são 
predispostas para a ocorrência da proptose ocular traumática, principalmente pelas 
características da proeminência dos olhos e das órbitas pouco profundas. O tratamento 
de emergência para proptose envolve o reposicionamento do globo ocular na órbita e a 
tarsorrafia temporária. A enucleação do globo ocular deve ser considerada se o grau de 
lesão do olho for acentuado. 
 
AVALIAÇÃO DA GRAVIDADE DA LESÃO: 
 
1. danificação dos músculos extrínsecos \u2013 a ruptura de um ou dois músculos 
extrínsecos não impede a recolocação do globo ocular. Somente a ruptura da maioria 
dos músculos não deixa escolha à não ser a enucleação (remoção cirúrgica do globo 
ocular); 
 
2. hifema \u2013 é a presença de sangue na câmara anterior do olho. Um hifema 
acentuado é uma condição desfavorável, porque geralmente resulta em intensa 
danificação do corpo ciliar, assim como em casos de luxação anterior do cristalino. O 
hifema decorre geralmente de traumas, uveítes, coagulopatias, neoplasias, 
anormalidades congênitas, hipertensão sistêmica, glaucoma crônico e do descolamento 
da retina; 
 
3. tamanho pupilar: 
a. miose \u2013 é a diminuição do tamanho da pupila, sinal favorável; 
b. midríase \u2013 ocorre quando a inervação simpática não é lesada, porém pode 
existir lesão do nervo óculo-motor e gânglio ciliar. O prognóstico é reservado a 
desfavorável; 
c. tamanho normal \u2013 ocorre normalmente quando ambos, simpático e 
parassimpático, foram lesionados e o nervo ótico está provavelmente lesado 
permanentemente. O prognóstico é desfavorável. 
 
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4. reflexo pupilar \u2013 o reflexo pupilar direto não é de muita valia em prolapso de 
olho, porém o reflexo pupilar consensual ou indireto, quando presente, é um sinal 
favorável, pois indica que não houve lesão do nervo óptico. A ausência do reflexo 
pupilar não indica uma lesão permanente do nervo óptico, se este reflexo não retornar 
em um período aproximado de sete dias, a perda da visão poderá ser permanente. 
 
RECOLOCAÇÃO DO GLOBO OCULAR: 
 
Com a utilização do bom senso, deve-se sempre tentar recolocar o globo ocular 
na órbita, a não ser naqueles casos de ruptura da túnica fibrosa ou da perda de todo o 
tecido de sustentação. Comete-se um erro de menor gravidade recolocando-se um globo 
ocular que mais tarde deve rá ser removido, do que removendo um globo ocular que 
poderia ter ficado. 
 
TÈCNICA: 
 
A anestesia deve ser geral e deve-se colocar 3 a 4 pontos isolados simples com 
fio não absorvível envolvendo as pálpebras e lubrificar o olho com pomada oftálmica. 
As pálpebras devem ser tracionadas pelos fios dos pontos, ainda sem os nós é feito um 
movimento oposto de introdução do globo ocular com o cabo de bisturi ou com o dedo. 
Após a recolocação do globo ocular, completamos os pontos com os nós, promovendo 
uma tarsorrafia. Os pontos devem ser removidos com 1 a 3 semanas. 
 
ENUCLEAÇÃO DO GLOBO OCULAR: 
 
DEFINIÇÃO: 
 
Envolve a remoção do globo ocular como um todo, incluindo o seu revestimento 
fibroso interno. 
 
INDICAÇÕES: 
 
a. microftalmia congênita complicada: associado a ceratites, ceratoconjuntivites e 
entrópio; 
b. processos infecciosos crônicos: ceratoconjuntivites crônicas que não respondem 
mais aos tratamentos clínicos; 
c. neoplasias intra-oculares; 
d. traumas graves; 
e. desconforto ocular que não seja solucionado por outra terapia clínica ou 
cirúrgica. 
 
TÉCNICA CIRÚRGICA: 
 
As margens das pálpebras são aproximadas por meio de uma sutura isolada ou 
contínua. As incisões são realizadas paralelamente às margens das pálpebras e a 
distância deve ser suficiente para evitar as glândulas de Meibomian (4 a 6 mm). Essas 
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incisões são estendidas medial e lateralmente, até a intersecção palpebral, deste modo 
circundando a fissura palpebral fechada. Continua-se a dissecação aprofundando essa 
incisão até o encontro da subconjuntiva. A tração para frente das pálpebras facilita essa 
dissecação. Continua-se a dissecação posterior e externamente, até o encontro com a 
esclera, procede-se a dissecação posteriormente para promover a separação da esclera 
dos tecidos subjacentes. Após a secção dos músculos extra-oculares, o globo fica ligado 
apenas pelo nervo óptico, pelas bainhas nervosas e fáscias, que contém os vasos do 
globo ocular. Uma pinça hemostática curva é colocada sobre o feixe do nervo óptico e o 
globo é liberado e removido com tesoura. É feita uma ligadura mais profundamente à 
pinça hemostática (categute 3.0 ou 2.0 para pequenos animais e nº 1 para os grandes 
animais). As bordas das pálpebras são suturadas com pontos isolados simples Wolff ou 
Donatti (nylon 0,20 ou 0,30 para pequenos animais, e 0,50 a 0,70 para grandes 
animais), podendo ou não deixar dreno no canto medial do olho. 
 
PÓS-OPERATÓRIO: 
 
a. limpeza e curativo local; 
b. antibioticoterapia; 
c. antiinflamatório; 
d. retirada dos pontos aos 10 dias de pós-operatorio. 
 
COMPLICAÇÕES: 
 
Deiscência da sutura \u2013 devendo ser tratada como ferida aberta, deixando 
cicatrizar por segunda intenção. 
 
 
LEITURA OBRIGATÓRIA: 
 
SILVA, A. R. C. Pálpebras: cirurgias corretivas para entrópio e ectrópio. Cães e Gatos, 
n. 90, Maio/Junho, 2000. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BROMBERG, N. Procedimentos cirúrgicos da membrana nictitante. In: BOJRAB, M. 
J. Cirurgia dos pequenos animais. 2. ed., São Paulo: Roca, 1986. cap. 6, p.55-66. 
 
MANDELL, D.C., HOLT, E. Ophthalmic emergencies. Vet. Clin. Small Anim Pract., 
v.35, p.455-480, 2005. 
 
MOORE, C.P., CONSTANTINESCU, G.M. Surgery of the adnexa. Vet. Clin. North 
Am., v.27, p.1011-1066, 1997. 
 
SEVERIN, G. A. Veterinary ophthalmology notes. College of Veterinary Medicine and 
Biomedical Sciences. Fort Collins: Colorado State University, Colorado, 1978.
Jociel
Jociel fez um comentário
queria baixar o trabalho sobre cirurgias oculares.
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