Psicologia e Bases do Pensamento Fenomenológico Existencial
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Psicologia e Bases do Pensamento Fenomenológico Existencial


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Psicologia e Bases do Pensamento Fenomenológico Existencial
24 de abril \u2013 Aula 1
A psicologia fenomenológica e existencial tem como característica o resgate do mito grego, através de suas características principais: caráter Estado, a família, a ação trágica e o destino. O mito é o modo como os gregos arcaicos comunicavam as experiências aos outros, buscando explicar a natureza das coisas. 
A análise do mito de Édipo deixa evidente o caráter trágico da existência, um aspecto abraçado pelos gregos, mas anulado pelos modernos. Para os gregos, o caráter trágico era uma condição da existência, acreditavam que existia um destino, e que este pode ser descoberto através de consultas aos oráculos. Logo, eles acreditavam que já havia um destino marcado, e que toda a tragédia contém todos os atributos anteriormente citados: o Estado (forma como ele se organiza), a família (herança familiar), ação trágica (presença de um herói) e um destino (previamente escrito nos oráculos). É importante lembrar que não se prioriza um atributo sobre o outro, os quadros elementos estão intrinsecamente relacionados. Portanto, não é possível uma visão de Édipo como um homem que possui uma subjetividade separada do mundo.
Existe uma ação por parte de Édipo, porém essa está atrelada ao seu destino. Na tragédia grega não existe uma soberania da vontade sobre o destino. Édipo sai de sua cidade e vai para Tebas consoante a sua vontade, mas não é sua vontade que determina a ação dele, não é ela que irá determinar o que acontecerá. Não é sua vontade que determina sua vida. Tal concepção que irá diferenciar a tragédia grega da tragédia moderna, pois na última existe a concepção de que as coisas que irão acontecer de acordo com vontade do homem. Portanto, na tragédia moderna o destino e o Estado desaparecem, a família passa a ter uma influencia direta sobre o individuo e a ação trágica passa a se fundamentar na figura do sujeito, nascendo assim a ideia de subjetividade.
No mito grego antigo não existia nem mesmo a figura de uma interioridade. Entre os gregos não existe a concepção de que existia um psiquismo que determinaria nosso comportamento, ou um desejo inconsciente. Para os gregos existiria uma trama, um modo de ser na existência que não se rende a nenhum desses elementos. Em síntese, nos mitos gregos a vontade era secundária, e na tragédia moderna o mais fundamental será a existência de uma interioridade, reflexiva, que se faz consoante a vontade do individuo. 
Ademais, existia a ideia de uma verdade compartilhada, não é a verdade de um individuo. Toda cidade sofre com a peste, quando Édipo mata o pai e desposa a mãe. A ação diz respeito a todos, não só a família e não só ao individuo. Portando, a verdade não pode ser conhecida através de uma interioridade, mas sim da coletividade. Para o sujeito moderno, a verdade perderia seu caráter histórico, da questão do coletivo, passando a ser concebida como algo particular e individual, sendo descoberta consoante a sua vontade, através da reflexão. 
A Psicologia Moderna naturalizou a consciência, partindo do principio de que essa é universal e existe desde sempre. Porém, os dados históricos mostram que o grego arcaico não possuía essa concepção. Não existia a possibilidade de uma psicoterapia no mundo grego, pois não haveria nada a ser trabalhado não existia indecisão, conflito, drama de consciência ou verdade na interioridade. Portanto, a consciência não é algo natural, ela é algo que aparece em uma determina constituição histórica. 
OBS: Da Epistemologia nascem todas as disciplinas científicas, divida em duas vertentes: Racionalistas e Empiristas:
Na vertente empirista, não há consciência, e sim comportamento, sempre aprendido. A consciência é uma tabula rasa, e o mundo vai imprimindo no homem determinada maneira de se comportar. 
[o mundo constitui o homem]
Na vertente racionalista, existe sim uma consciência, possuidora de leis de funcionamento. 
[o homem constitui o mundo]
Sendo assim, a Psicologia cabe descobrir como o sujeito se constitui, e quais são as leis que o governam.
Dentro da Psicologia Fenomenológica - Existencial, existe a tentativa de um rompimento com a Epistemologia, pois irá considerar que mundo e sujeito não se dissociam, não existe uma dicotomia. Por tal motivo que existe uma retomada dos mitos gregos, pois foi na Modernidade que se estabeleceu essa dicotomia homem/mundo, a partir das ideias de Descartes. 
Husserl busca resolver a questão da dicotomia ao propor que tanto o sujeito quanto o mundo são inacessíveis. Para ele, os fatos acontecem dentro de um espaço dinâmico, um fluxo temporal, chamado intencionalidade. A realidade não pode ser alcançada, pois tudo ocorre em um campo intencional. A verdade não existe nem na interioridade e nem no mundo. 
OBS: Realismo \u2013 a verdade está no mundo, só o real aquilo que se apresenta no mundo com suas determinações espaço - temporalmente orientadas. 
A ciência busca isolar um fato de seu espaço-temporal com o objetivo de descobrir suas propriedades, descobrindo assim o que o real é. Ou seja, ela prediz o real (Isto é Aquilo). Eu só posso dizer que alguma coisa \u201cé\u201d, que existe uma permanência, se ocorrer à retirada do fluxo temporal. O que Hussel irá dizer é que se o fato deixa de existir quando retirado da temporalidade. 
Exemplo: Um objeto como uma caneta não é algo real, no sentido do realismo, e não é algo que surgiu a partir de uma construção mental. A caneta é um fenômeno, pois necessita que ela exista para alguém, assim como alguém exista para ela. A caneta assim é um Noema que se refere a uma Noesi. Ela não é uma caneta sozinha, por si só, ela só é caneta quando referida a alguma pessoa. E a pessoa só é alguém quando referido as coisas, como por exemplo, uma caneta. Não é uma teoria que estabelece o que irá ser feito com uma caneta, o que define é o primário da prática. A caneta está para alguém (Noema), assim como alguém está para a caneta (Noesi), levando ao fim da dicotomia sujeito/objeto. O sujeito cria uma caneta, pois esta se apresenta a ele como algo a ser feito. 
O sujeito só existe se voltado para o mundo, e o mundo só existe se referido ao sujeito. Logo, nada pode existir sem um fluxo temporal. Logo, uma perspectiva experimental baseada no controle de variáveis não faz nenhum sentido para a Fenomenologia, pois não é possível isolar o que está no tempo. A experiência retirada do fluxo deixa de existir. 
As ideias de William James, um filósofo da consciência, podem ser divididas em três: 
Perspectiva pragmatista (corrente epistemológica) \u2013 a verdade é aquilo que se faz em ato, logo o que define a verdade não é nem o sujeito, nem o mundo, mas sim a ação que tem resultados positivos. Logo, o pragmatismo tem seu foco na experiência, nos resultados e na eficiência. 
Perspectiva funcionalista (corrente epistemológica) - toda a ação se destina a um fim, nenhuma ação é descomprometida da realidade a qual se destina. Logo, se eu busco saber a verdade sobre uma ação, devo descobrir a que fim ela se destina. Toda ação humana se dá visando uma finalidade.
Perspectiva empirista \u2013 William James era tão questionado com relação a suas teses sobre a consciência, dentro dessa visão pragmatista e racionalista, que acaba por romper com suas ideias inicias, defendendo que a consciência não existe, tornando-se assim um empirista. 
É uma ideia absurda propor William James como um precursor de uma perspectiva fenomenológica \u2013 existencial, pois ele ou está no pragmatismo, ou no empirismo radical. William James até fala em uma consciência temporal, porém defende que a consciência possui funções, destina-se a um fim. Dessa maneira, ele dá materialidade à consciência, estabelecendo uma relação de casualidade, que jamais será possível na Fenomenologia. Para Husserl, a existência não tem finalidade, as simplesmente acontecem, sem possuir um fim determinado. 
O caráter trágico da existência está na ausência de uma finalidade. Para alguns autores, o trágico só pode ser grego, pois a evolução