Tomo_III
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Material Específico \u2013 Psicologia \u2013 Tomo III \u2013 CQA/UNIP
	Material Específico \u2013 Psicologia \u2013 Tomo III \u2013 CQA/UNIP
PSICOLOGIA
MATERIAL INSTRUCIONAL ESPECÍFICO
Tomo III
SUMÁRIO 
	
	Página
	Questão 1 \u2013 Sobre a loucura
	3
	Questão 2 \u2013 DSM-IV e a classificação das perturbações mentais
	7
	Questão 3 \u2013 Resiliência
	12
	Questão 4 \u2013 Estudos Interculturais sobre a loucura
	17
	Questão 5 \u2013 Rompimento de identidade profissional 
	20
	Questão 6 \u2013 Psicologia Organizacional e do Trabalho
	24
	Questão 7 \u2013 Gestão de Pessoas
	29
	Questão 8 \u2013 Psicologia Organizacional diante das DORT 
	32
	Questão 9 \u2013 Memória
	36
	Questão 10 \u2013 Memória
	40
	Questão 11 \u2013 Bases neurais das emoções
	45
	Questão 12 \u2013 Bases neurais das emoções \u2013 doença de Urbach-Wiethe
	50
	Questão 13 \u2013 Fatores hereditários e ambientais da inteligência
	54
	Questão 14 \u2013 Esquizofrenia em gêmeos \u2013 hereditariedade X ambiente
	58
	Índice remissivo
	61
Questão 1
Questão 1[2: Questão 23 \u2013 Enade 2009.			]
Leia o trecho abaixo: 
Mesmo pacientes que seriam considerados psiquiatricamente bastante comprometidos pela ciência acadêmica vigente podem viver num clima de liberdade, de autonomia e de consideração mútua, dependendo apenas de que se lhes respeite a condição de seres humanos. Não se trata absolutamente de tingir a loucura com cores românticas: sem dúvida, são pessoas que vivem experiências difíceis, doloridas, dilacerantes, experiências que, na maior parte das vezes, não encontram uma alocação possível na esfera gregária do sujeito e que resistem às formas de comunicação pelos códigos partilhados. Mas que, nem por isso, são menos humanas, menos passíveis de reconhecimento e de solidariedade. 
 NAFFAH NETO, A. O estigma da loucura e a perda da autonomia (s/d).
Essa concepção de saúde e de doença mental é identificada em qual abordagem? 
Em uma abordagem analítica, deve-se promover um trabalho de denúncia da ideologia, ligada ao tratamento da loucura e sua manifestação na família em todos os fóruns sociais, dentro e fora do contexto territorial em que a estigmatização do paciente ocorre. 
Em uma abordagem que defenda o fim do internamento do paciente, o qual rompe com as jaulas farmacológicas e terapêuticas que acorrentaram os doentes mentais na história; logo, o fim do uso de psicofármacos e a liberdade sem restrições estão postos para o século XXI. 
Na perspectiva biopsicossocial, em que o sofrimento mental é compreendido como instância produtora de novos sentidos, recupera-se a experiência do portador como um dado de crítica social e aspectos neuropsicológicos. 
Naquela em que o tratamento moral deve ceder pouco a pouco seu lugar para as terapêuticas medicamentosas e psicoterápicas, pois a abordagem deve ser por etapas e acompanhada por diferentes instrumentos de avaliação. 
Naquela em que se deve trabalhar com a tensão entre um conceito de saúde, como o bem-estar biopsicossocial e as suas possibilidades efetivas de realização nas condições concretas dos indivíduos e dos grupos sociais, na busca de garantir a humanidade e a dignidade das pessoas em condição de sofrimento psíquico, apostando na potencialidade humana do paciente. 
1. Introdução teórica
 
Fenômenos, processos e construtos psicológicos, entre os quais, processos básicos (cognição, motivação e aprendizagem), processos do desenvolvimento, interações sociais, saúde psicológica e psicopatológica, personalidade e inteligência
Sobre a loucura
Naffah Neto propõe a adoção de uma postura compreensiva diante de sujeitos considerados gravemente comprometidos do ponto de vista psiquiátrico. A postura a ser adotada diante da loucura, segundo sua proposta, é a de reconhecimento da possibilidade de inserção social das pessoas portadoras de sofrimento psíquico, postura essa contrária à do conformismo diante de formas de exclusão como as internações, as dependências medicamentosas e até mesmo o abandono.
Naffah defende uma abordagem inclusiva, que considere tanto a dimensão biológica quanto a social, enfatizando a necessidade de humanizar e aceitar a loucura. Embora não menospreze o sofrimento intenso a que esses sujeitos estão submetidos, nem desconsidere as dificuldades por eles enfrentadas diante das exigências do convívio em grupo, defende o direito que tais pessoas têm de serem tratadas com respeito e dignidade.
2. Indicações bibliográficas 
AMARANTE, P. Saúde Mental e Atenção Psicossocial. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007.
AMARANTE, P. Asilos, Alienados, alienistas: uma pequena história da psiquiatria no Brasil. In: AMARANTE, P. Psiquiatria Social e Reforma Psiquiátrica. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1994.
DESVIAT, M. A reforma psiquiátrica. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1999.
PITTA, A. Reabilitação Psicossocial no Brasil. 3. Ed. São Paulo: Hucitec, 2010.
3. Análise das alternativas
 
A. Alternativa incorreta.
JUSTIFICATIVA. No pós-guerra adeptos da abordagem analítica deram início à denúncia sobre a inadequação dos manicômios. Argumentavam que os asilos eram grandes depósitos de loucos, comparáveis a campos de concentração. Favoreceram, assim, a percepção de ser preciso mudar a forma de cuidar de pessoas em condições de sofrimento psíquico. No entanto, essa abordagem não determinou a extinção dos processos de segregação e estigmatização, nem transformou, tampouco, a concepção de território, o que ocorreria a partir da reforma psiquiátrica. 
B. Alternativa incorreta.
JUSTIFICATIVA. Naffah argumenta em favor do fim de internações cujas finalidades sejam a exclusão social e o silenciamento da loucura. Tais considerações têm por princípio a não-utilização abusiva de psicofármacos, entendendo que esse procedimento atende ao propósito de silenciar a loucura e objetiva conduzir sujeitos com experiência de sofrimento psíquico à condição de \u201cnormais\u201d, segundo padrões de normalidade socialmente estabelecidos. Propõe que esses sujeitos possam usufruir tanto da liberdade quanto das restrições às quais estão sujeitas todas as pessoas e possam, inclusive, viver com as restrições impostas por sua condição de \u201cloucos\u201d, sem permanecerem exclusivamente restritos a tal condição.
C. Alternativa incorreta.
JUSTIFICATIVA. A concepção de saúde e de doença mental apresentada por Naffah, no enunciado da questão, integra os fundamentos do movimento de antipsiquiatria. Segundo essa abordagem, a loucura é compreendida como uma difícil experiência existencial e, embora o sofrimento mental possa ser uma instância produtora de novos sentidos, a experiência do portador não é recuperada como um dado de crítica social. 
D. Alternativa incorreta.
JUSTIFICATIVA. No pós-guerra o tratamento moral foi suplantado, cedendo lugar a terapêuticas farmacológicas e intervenções neurológicas que pretendiam, de modo análogo ao do tratamento moral, apaziguar ou eliminar a loucura, adaptando o \u201clouco\u201d a seu meio. No entanto, o que está sendo considerado na questão em pauta é uma visão de mundo segundo a qual o \u201clouco\u201d é um sujeito dotado de potenciais e limitações como qualquer outro e, enquanto cidadão, possui direitos e deveres.
E. Alternativa correta.
JUSTIFICATIVA. Na busca pela garantia de humanidade e dignidade às pessoas em condição de sofrimento psíquico, apostando na potencialidade humana dos pacientes, é preciso trabalhar com a tensão estabelecida entre dois pólos: de um lado, um conceito de saúde que supõe bem-estar biopsicossocial e, de outro lado, as possibilidades efetivas de realização desse ideal em meio a condições concretas de indivíduos e de grupos sociais. A abordagem apresentada nessa alternativa supõe a possibilidade de construção de um campo psicossocial no qual a singularidade dessas pessoas possa ser reconhecida e respeitada. 
Questão 2
Questão 2[3: Questão 22 \u2013 Enade 2006.]
Paulo, bancário, 21 anos, procura um serviço de saúde mental, encaminhado pelo médico do banco. Na entrevista de triagem, relata que, em seu trabalho, os colegas estão sempre