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TRANSGÊNEROS E O PSICÓLOGO JUDICIÁRIO.ppt

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“TRANSGÊNEROS E O PSICÓLOGO JUDICIÁRIO”
Alteração do nome civil
artigo 58 da Lei de Registros Públicos (Lei n. 6.015/1973): imutabilidade do prenome
Relativização da norma: registro público deve espelhar a realidade, dentro do seu princípio de veracidade
Direito da personalidade: deve demonstrar a verdadeira identidade
direitos de personalidade são direitos subjetivos: Cabe a cada um definir sua personalidade, pois imposta do exterior, a noção de personalidade perde seu sentido
Entretanto, tanto as decisões judiciais favoráveis quantos as improcedentes para a mudança de nome por transgêneros tratam o caso como transtorno psíquico, ou seja, um tipo de doença
O uso do nome social antes do reconhecimento judicial
decretos, resoluções e portarias 
Administração Pública: Portaria n. 233 de 2010
Administração Pública: Portaria n. 233 de 2010
Ministério da Saúde: Portaria n. 1.820 de 2009
O reconhecimento judicial do nome social e o papel do psicólogo judicial: discussão sobre os obstáculos impostos aos transgêneros
Varas de Família do domicílio do requerente ou da Comarca onde tiver sido registrado
procedimento tem caráter eminentemente administrativo
funcionários são habituados ao segredo de justiça, geralmente também contam com um assistente social e um psicólogo judiciário, que "é o profissional habilitado a constatar a transexualidade e o grau de masculinidade ou feminilidade em um indivíduo” → pensamento criticado
Qual a necessidade desses profissionais atuando nessa área? Pelo conservadorismo de muitos magistrados, já que o Judiciário requer da atividade do psicólogo para se convencer da irreversibilidade da identificação psicológica ou para constatar a realização das cirurgias já alegadas pela parte
quem deseja oficializar sua adequação de gênero precisa passar por um longo processo
mudança de nome e sexo no registro civil antes da cirurgia de adequação de sexo: questão já superada da possibilidade
Entrevistas
Alguns trechos que sustentam a crítica já apresentada quanto à necessidade de psicólogos em casos de mudança de nome e sexo de transgêneros
Márcia Rocha: empresária, mulher trans que se identifica como travesti e já concluiu seu processo de mudança de nome e sexo, integrante do Forúm Paulista TT. De São Paulo
Pierry Gabriel: 25 anos, coordenador do AHTP/IBRAT (Instituto Brasileiro de Transmasculinidade), homem trans que ingressou com o processo de mudança de nome e sexo há dois anos e aguarda elaboração de seu laudo psicológico. De Natal/RN
Doutor Thales Coimbra: advogado militante e especialista em direito LGBT , fundou e coordenou o Grupo de Estudos em Direito e Sexualidade, também atuou entre 2015 e 2016 como advogado do Centro de Cidadania LGBT Arouche, da Prefeitura de São Paulo, sendo ainda palestrante e colunista dos portais A Capa e NLucon. De São Paulo
Dr. Thales Coimbra: “Entrevista com psicólogo, assistente social ou perícia médica são diligências que podem ser exigidas, de acordo com a convicção do juiz do caso. Juízes progressistas tendem a confiar no modelo auto-declaratório, no máximo exigindo um laudo psicológico ou audiência para ouvir a interessada e testemunhas. Juízes conservadores tendem a exigir parecer psicológico prévio ou em juízo".
Márcia Rocha: “Em geral, os psicólogos estão bem preparados e há vários especialistas. No entanto, acho que a auto declaração deveria ser suficiente, pois não acho necessário que um terceiro deva nos dizer quem somos ou confirmar o que dizemos. É uma chateação e um constrangimento, essa exigência”.
Dr. Thales Coimbra: “O problema é que o parecer psicológico funciona com base na tipificação de uma experiência humana dentro dos manuais médicos, o que chamamos de ‘patologização da identidade trans’, isto é, a simplificação de toda uma enorme diversidade de vivências da transexualidade a um roteiro médico pré-estabelecido, como se existisse uma forma ‘correta’ e uma forma ‘errada’ de se viver a transexualidade. O que não é verdade. (...) a pessoa trans é aquela que mais tem propriedade para falar sobre sua vivência da transexualidade, e não um profissional de saúde estranho e indicado por um juiz". 
Pierry Gabriel: "O meu psicólogo não tinha nem uma instrução se tratando de mim, mas viu a necessidade de fazer uma especialização para que ajudasse a minha transição".
Márcia Rocha: “Resumindo, acho dispensável até mesmo a necessidade de ação judicial para mudança de nome, especialmente para quem já está em transição ou transicionad@. Esses processos de mudança corporal são demorados e ninguém entra "nessa" à toa. Psicólogos deveriam restringir-se mais à ajudar as pessoas trans com relação ao preconceito e dificuldades que enfrentam na sociedade, o que é bastante difícil”.
Pierry Gabriel: "Não acho necessário que eu tenha que passar dois anos para receber um laudo falando que eu sou quem digo ser, até porque quem melhor que eu para saber quem sou afinal?