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Apostila Gestão do Conhecimento

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Gestão do Conhecimento e 
Marketing 
 
 
Evolução e conceito da Gestão do Conhecimento (Aula 1) 
 
O significado do conhecimento ao longo da História 
 
A História da humanidade se desenrola num processo dinâmico que oscila 
entre a adaptação às forças da natureza e o domínio destas forças. 
 
Desde as eras mais remotas, a busca por alimentos e territórios mais 
favoráveis para sua subsistência fez com que o homem se movimentasse 
por regiões desconhecidas. 
 
Povoados inteiros migravam constantemente em busca de caça, e as 
estações do ano — e as consequentes facilidades ou dificuldades que 
advinham delas — decretavam a abundância ou escassez desse gênero de 
alimentos. 
 
O domínio das técnicas agrícolas desenvolvidas basicamente por ensaio e 
erro trouxe certa estabilidade, pois os homens podiam se estabelecer em 
regiões promissoras para o cultivo e para a criação de animais, uma vez que 
aprenderam também formas de domesticá-los. 
 
A invenção da moeda liberou o comércio da negociação por meio do 
escambo, mas foram os transportes que promoveram o maior impulso pela 
busca de novos territórios, pois distâncias que antes eram percorridas a pé 
ou no lombo de animais podiam ser vencidas por meio da navegação, que 
cada vez se tornava mais sofisticada. 
 
A invenção da propulsão a vapor e da locomotiva encurtou ainda mais as 
distâncias entre os lugares, começando a tornar o mundo um lugar menor. 
 
O século XIX trouxe um grande salto para a ciência e tecnologia, e a sede 
por conhecimento suplantou gradativamente a sede por ouro e conquistas. 
 
 
 
Essa sede de saber evidenciava uma nova forma de poder e dominação; o 
que antes era determinado pela posse de terras passou a ser determinado 
pela posse do conhecimento. 
 
Desde que o homem passou a viver em grupamentos sociais, o 
conhecimento representou um diferencial para o contexto em que estava 
inserido. 
 
Quem dominava processos, como plantar, construir, manufaturar, adquirir, 
controlar, trocar, armazenar etc. destacava-se dos demais. 
 
Na atualidade, o domínio desses conhecimentos básicos, embora 
necessários, já não são o bastante; as pessoas precisam administrar 
quantidades cada vez maiores de dados e informações, por meio de 
equipamentos cada vez mais sofisticados. 
 
A nação que detiver mais conhecimento terá também mais riqueza e poderá 
exercer sobre as demais o domínio que no passado era exercido pela força. 
 
As novas tecnologias se encaminham para liberar a humanidade do trabalho 
braçal, dispensando o trabalhador da produção manual que, inclusive, é 
pouco valorizada, em relação àquele que detém o conhecimento e trabalha 
com produção intelectual. 
 
Os valores que uma empresa possui são avaliados muito mais pela 
capacidade intelectual e de inovação do que por seus estoques, suas 
instalações e seus equipamentos. 
 
O conhecimento tornou-se o ponto central na organização da sociedade, a 
tal ponto que ela foi denominada “sociedade do conhecimento”. 
 
 
 
Essa demominação pressupõe que o conhecimento é acessível para todos e 
não mais apenas para alguns eleitos, como afirmavam os filósofos da 
antiguidade. 
 
Essa organização da sociedade globalizada, com gamas enormes de 
informações circulando a uma velocidade vertiginosa, tem influenciado 
inclusive a forma como as pessoas se relacionam, de modo múltiplo e 
muitas vezes superficial. 
 
Como o conhecimento se processa nas pessoas 
 
A vida começou no planeta Terra há mais de 3,5 bilhões de anos, e seus 
primeiros habitantes eram unicelulares. 
 
Até o surgimento dos mamíferos, houve um longo e complexo processo de 
interação e aprendizado, num incessante movimento de adaptação e 
reorganização da vida. A isso chamamos de evolução, e trazemos em nosso 
DNA o registro desse aprendizado. 
 
Ao longo da história escrita pelo homem, os filósofos têm buscado respostas 
para a pergunta: “O que é o conhecimento?”. A resposta levaria 
necessariamente a outra pergunta: “Como o conhecimento se processa nos 
seres humanos?”. 
 
Vários pensadores e correntes de pensamento apresentaram suas 
contribuições: John Locke, filósofo inglês que viveu de 1632 a 1704, 
afirmava que a mente humana é inicialmente uma tábua rasa, ou uma folha 
em branco, negando assim que pudessem existir ideias inatas. 
 
De acordo com ele, as pessoas nascem sem saber absolutamente nada e só 
depois é que aprendem pela experiência, na base da tentativa e erro. 
 
 
 
Já Jean Piaget (1896 a 1980), biólogo e teórico do conhecimento e da 
pedagogia, considerado um dos maiores pensadores do século XX, entendia 
que o desenvolvimento cognitivo se dá por meio da interação do indivíduo 
com o ambiente, num processo ativo e contínuo. 
 
É certo que a forma como as pessoas estruturam seus pensamentos 
influencia na maneira como percebem a realidade e se relacionam com o 
conhecimento. 
 
Atualmente, grande parte do conhecimento da humanidade é acessível e 
está compartilhada com os quatro cantos do mundo. 
 
Isso trouxe benefícios indescritíveis; entretanto, abriu também um 
precedente: muito dos conteúdos que estão acessíveis e são compartilhados 
não tiveram critérios claros em sua pesquisa, portanto os resultados não são 
verificáveis, o que os tornam duvidosos. 
 
Antigamente, tudo o que estava escrito era inquestionável, o que inclusive 
contribuiu por um longo período para a disseminação de inverdades. 
 
As escolas, especialmente as de educação infantil, adotavam os livros 
didáticos e ensinavam de maneira que não se podia duvidar nunca do que 
ali estava escrito. A educação hoje ensina a questionar, a duvidar e 
principalmente a verificar as fontes de pesquisa. 
 
Pode-se dizer que o cérebro é a sede do aprendizado. Em um ser humano 
adulto normal, ele é composto por aproximadamente 100 a 200 bilhões de 
células nervosas, capazes de estabelecer até 100 mil sinapses. 
 
A criança, ao nascer, já possui essa quantidade de células nervosas, mas 
são as interações com o ambiente que vão possibilitar que as sinapses se 
intensifiquem ou se percam. 
 
 
 
A plasticidade do cérebro é maior nos primeiros anos de vida, mas, ao 
contrário do que se acreditava antigamente, ela continua presente por toda 
a vida do ser humano. 
 
Novas conexões são feitas e desfeitas o tempo todo, e uma simples tarefa 
do cotidiano, feita de uma forma nova, pode gerar uma nova sinapse. 
 
A memória é a base do saber e nossa individualidade depende da 
capacidade de lembrar os acontecimentos de nossa própria história. O 
aprendizado depende da memória e é observável pelo comportamento. 
 
Pode-se dizer que houve aprendizado se a pessoa age segundo aquilo que 
aprendeu. Isto é, podemos dizer que algo foi aprendido quando pode ser 
resgatado e aplicado numa ação. 
 
Mais ainda, se essa memória for relacionada com outras, poderá estabelecer 
relações entre dados e informações criando uma resposta nova e complexa. 
 
Como o conhecimento se processa nas empresas 
 
O processo de evolução dos modelos de gestão empresarial se deu de forma 
gradativa e processual, muito embora não seja sentido dessa forma por 
quem vive o momento histórico em que as mudanças estão ocorrendo. 
 
Em geral, a percepção é a de que elas são rápidas demais e a sensação é a 
de estar num turbilhão. Em uma análise mais criteriosa, constatamos que os 
fatos que culminaram naquelas mudanças estavam em gestação há muito 
tempo. 
 
Alvin Toffler, escritor e futurista norte-americano, utiliza uma metáfora para 
descrever esse processo evolutivo como ondas de mudança que colidem. 
 
 
Segundo ele, a metáfora da onda é muito proveitosa, pois nos leva a buscar 
algo por trás da superfície agitada da mudança. 
 
As grandes mudanças pelas quais a sociedade passa promovem a 
necessidade de se estabelecer mudanças também nas escalas