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RuizElianaMariaSeverinoDonaio D

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Eliana Maria Severino Donaio Ruiz 
COMO SE CORRIGE REDAÇÃO NA ESCOLA 
Tese apresentada ao Departamento 
de Lingüística do Instituto de 
Estudos da Linguagem da 
Universidade Estadual de Campinas, 
como requisito parcial para obtenção 
do título de Doutor em Lingüística. 
Orientadora: Profa. Dra. lngedore 
Grunfeld Villaça Koch 
UNICAMP 
Instituto de Estudos da Linguagem 
1998 
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CM-00120405-8 
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FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA 
BIBLIOTECA IEL - UNICAMP 
Ruiz, Eliana Maria Severino Danai o 
Como se corrige redação na escola I Eliana Maria Severino Danai o 
Ruiz.-- Campinas, SP: [s.n.], 1998. 
Orientador: Ingedore Gmnfeld Villaça Koch 
Tese (doutorado)- Universidade Estadual de Campinas, Instituto de 
Estudos da Linguagem. 
1.*Correção de redação. 2. Revisão de textos. 3. Escrita. 4. Ensino. 
5. Língua portuguesa. L Koch, Ingedore Grundeld Villaça. li. 
Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Estudos da 
Linguagem. III. Título. 
VOLUMEl 
Profa. Dra. In 
( / 
Prof. Dr. João Wanderley Geraldi 
{lg L[IAti~ 
Pro f a. Dra .. toquei Salek Fiad 
Prof. Dr. Sírio Possenti 
Profa. Ora. Lilian Lopes Martin da Silva 
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e apr0~:11la pola Couissio Julgadora em 
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AGRADECIMENTOS 
Aos meus queridos alunos, que me ensinam, todos os dias, o quanto ainda 
tenho que aprender; 
Aos prezados professores e alunos sujeitos desta pesquisa, a quem devo este 
trabalho, e cujo anonimato mantenho em nome do meu respeito; 
Às escolas Rio Branco e Comunitária, que tão gentilmente colaboraram com 
parte dos dados; 
Ao CNPq, pela indispensável bolsa de Doutorado; 
À direção do IEL, gestão 95-98, pela criação do Seminário de Teses em 
Andamento, oportunidade de eu exercitar este discurso acadêmico; 
À estimada Inge, pela valorosa orientação, pela lição memorável de 
profissionalismo, e pela paciência infinita com meu atribulado ritmo de trabalho; 
Ao Wanderley Geraldi, de cuja interlocução, sempre luminosa, nasceu um jeito 
de pensar os dados aqui tematizados; 
À Raquel Fiad, pela disposição amiga em comentar a versão desta tese após o 
exame de qualificação; 
Ao Sírio Possenti, pelas sugestões valiosas em Análise do Discurso; 
Ao Eric Sabinson, pela força na versão em inglês; 
À colega Rosângela Francischini, pela leitura atenciosa de uma das versões 
iniciais deste texto; 
À colega Anna Christina Bentes, pelas gentis anotações por ocasião da versão 
final do trabalho; 
A todos os autores citados no corpo do trabalho, por comporem comigo essa 
partitura altamente polifônica; 
À minha família, pelo apoio, e carinho, e compreensão, e tudo o mais; 
Aos amigos espirituais, com quem partilho a co-autoria de todas as horas; 
E a Deus, por me permitir trilhar este caminho cercada de tanta colaboração. 
Meditação 
dentro de si mesmo, 
mesmo que lá fora 
fora de si mesmo, 
mesmo que distante, 
e assim por diante 
de si mesmo 
ad infinitum .. 
tudo de si mesmo, 
mesmo que pra nada 
nada para si mesmo, 
mesmo porque tudo 
sempre acaba sendo 
o que era de se esperar 
Gilberto Gil 
RESUMO 
Com o objetivo de encontrar respostas para uma questão metodológica 
fundamental do ensino da língua escrita na escola ("Como corrigir redações?"), esta 
tese tem dois momentos principais: um descritivo e outro analítico. No primeiro, 
mostro como se realiza a prática escolar de intervenção escrita (correção de redações) 
de um grupo de professores-sujeitos que trabalham com reescrita em sala de aula. E, 
no segundo momento, procuro analisar os resultados dessa prática, a partir de urna 
leitura comparativa de retextualizações (reescritas de redações corrigidas por esses 
professores) efetuadas por um grupo de alunos-sujeitos. 
Os instrumentos teóricos de que me servi como fundamento da análise - seja 
dos textos interventivos dos professores (correções), seja dos textos reescritos dos 
alunos (revisões) - assentam-se na concepção sócio-interacionista de linguagem, 
centrada no texto (ou no discurso). 
A análise apontou para uma convivência, na escola, de práticas diferenciadas 
de correção de redação, regidas por concepções diversas de linguagem. 
Apontou, ainda, para a estreita relação entre as tarefas de correção e de revisão, 
revelando a pertinência da postura teórica do professor no trabalho interventivo que 
realiza, uma vez que também de sua atuação como corretor dependerá a performance 
escrita do aluno corno revisor. 
A análise mostrou, além disso, as vantagens de uma abordagem textual-
interativa das redações, no trabalho de correção (leitura interventiva), já que 
retextualizações dela decorrentes mostram-se qualitativamente muito mais produtivas 
do que as que respondem unicamente a outros tipos de correção, centradas na 
concepção de linguagem em sua imanência. 
Contudo, por não ser tal postura a dominante no atual ensino da língua, e por 
estar a visão sócio-interacionista de linguagem ainda restrita ao trabalho específico 
deste ou daquele professor-sujeito, esta tese aponta para a necessidade de uma revisão, 
pelos professores em exercício, da postura teórica vigente na escola, com base em 
recentes contribuições dos estudos da linguagem. 
Palavras-chave: redação, correção, revisão de textos, escrita, ensino, língua 
portuguesa. 
SUMÁRIO 
VOLUME 1 
Como corrigir redações na escola? 1 
1. Questões iniciais 1 
2. A coleta de dados 4 
3. As condições de produção dos textos 7 
4. Corrigir 13 
5. Revisar 19 
6. Texto e discurso 24 
7. Coesão e coerência 30 
Capítulo 1. A correção (o turno do professor): uma leitura 36 
1.1. A correção indicativa 42 
1.1.1. Estratégias indicativas no corpo do texto 43 
1.1.2. Estratégias indicativas na margem do texto 44 
1.2. A correção resolutiva 46 
1.2.1. Estratégias resolutivas no corpo do texto 46 
1.2.2. Estratégias resolutivas na margem do texto 48 
1.2.3. Estratégias resolutivas em seqüência ao texto 48 
1.3. A correção classificatória 49 
1.4. A correção textual-interativa 67 
1.5. Atividades lingüísticas, epilingüísticas e rnetalingüísticas 75 
Capítulo 2. A revisão (o turno do aluno): uma leitura da leitura 79 
2.1. Reescritas pós-resoluções 79 
2.2. Reescritas pós-indicações 85 
2.3. Reescritas pós-classificações 88 
2.4. Reescritas pós-"bilhetes" textuais-interativos 91 
Capítulo 3. O diálogo correção/revisão (o turno do analista): uma leitura da 
leitura da leitura 102 
3.1. Correções mono tônicas e correções polifônicas 102 
3.2. Correções no corpo, correções na margem e correções no "pós-texto" 109 
3.2.1. Resolutivas 110 
3.2.2. Indicativas 110 
3.2.1.1. Indicativas no corpo 111 
3.2.2.2. Indicativas na margem 115 
3.2.3. Classificatórias: um código inconsistente 121 
3.2.3.1. Vários símbolos para um mesmo problema 127 
3.2.3.1.1. Único episódio 127 
3.2.3.1.2. Episódios distintos 130 
3.2.3.2. Símbolos-curingas 140 
3.2.3.2.1. Coes 141 
3.2.3.2.2. ? I Coer 143 
3.2.3.2.3. Fr I EF 147 
3.2.4. Textuais-interativas: "bilhetes" 152 
3.3. Problemas da frase e problemas do texto 168 
3.4. Um gênero especial de discurso 
Como (não) corrigir redações na escola 
Summary 
Referências Bibliográficas 
VOLUME2 
Anexo I 
Anexo li 
183 
185 
200 
201 
COMO CORRIGIR REDAÇÕES NA ESCOLA? 
1. Questões iniciais 
A classe está em silêncio. Os alunos escrevem compenetrados. A professora 
começa a receber as redações aos poucos. Alguns, mais tímidos, enfiam o papel por 
debaixo do monte: "Num vai olhá agora, hein, Dona!". Sorriso cúmplice. Eles vão 
saindo e ela ficando. A sós com os textos. O olhar fixo no mar de folhas

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