AULA 8 - texto_sandra_ler_para_forum
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DisciplinaAções Docentes nos Anos Iniciais 21 materiais85 seguidores
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DIDATICÁRIO DE CRIAÇÃO: 
AULA CHEIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
SANDRA MARA CORAZZA 
 
 
Apoio: CNPq; CAPES; FAPERGS; PPGEDU/UFRGS. 
 
 
 
Porto Alegre, fevereiro 2011. 
 
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Com amor, 
ao neto-primeiro 
Pedro Pereira Lima Corazza, 
criador de Vita Nuova, 
em 04 junho 2010, 
21h 34min. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
I \u2013 APRESENTRADUÇÃO: LIVRO-LUGAR 5 
Para-e-didático 5, Conceitualização 6, Matéria 6, Política 7, Movimentos 7, Escrileitura 
7, Procedimento geral 8, Pragmática 8, Avaliação 8 
II \u2013 PASSOS DE AULA 10 
II. 1. \u2013 ECOS 10 
Didática da criação: aula cheia, antes da aula 10 
Pautas para aulas de invenção 14 
Aula-Medéia 16 
As Aulas, a Auleira e a Poesia: caixa de ressonância ou câmara de ecos 20 
II. 2. \u2013 \u201cDAR\u201d 29 
10 passos para \u201cdar\u201d uma aula sem \u201cmancar\u201d 29 
Outros \u201c10 passos\u201d (Colaboração de integrantes do BOP \u2013 Bando de Orientação e 
Pesquisa e do Grupo de Pesquisa DIF \u2013 artistagens, fabulações, variações) 32 
Para desenhar uma aula em 3 dimensões (Betina Frichmann Gonçalves) 32 
Para \u201cdar\u201d uma aula e fracassar (Cristiano Bedin da Costa) 34 
Para \u201cler\u201d um \u201ctexto didático\u201d (Deniz Alcione Nicolay) 36 
(Des)educativos para \u201cdar\u201d uma aula de música (Eduardo Guedes Pacheco) 39 
Para \u201cdar\u201d uma aula sem se decepcionar (Gabriel Sausen Feil) 41 
Para dar uma aula \u201cintempestiva\u201d (Karen Elisabete Rosa Nodari) 43 
Para \u201cdar\u201d uma aula \u201ccontemporânea\u201d (Letícia Testa e Máximo Daniel Lamela Adó) 45 
Para uma aula minimalista (Luciano Bedin da Costa e Larisa da Veiga Bandeira) 47 
Para co-criar uma aula (Maria Idalina Krause de Campos) 49 
Para dar uma aula escritural (Marcos da Rocha Oliveira) 51 
Para \u201cler-escrever\u201d uma aula em meio à vida (Patrícia Cardinale Dalarosa) 54 
Para criação de procedimentos didáticos (Sonia Regina da Luz Matos) 57 
III. GRÃOS DE ESCRILEITURA 58 
III. 1. \u2013 ARISCA 58 
Escrileitura n-1: procura arisca de fins intransitivos 58 
Quer-ia 74 
Tipologia de textos 78 
De bubuia 82 
Da mãe 84 
4 
 
Os que 88 
Grãos de ouro 92 
A rã 104 
Renga kasen de outono 106 
Auto-Epitáfios 110 
III. 2. \u2013 DIFERENÇA 112 
O docente da diferença 112 
Discurso do método biografemático 128 
Os sentidos do currículo 142 
Uma vida de um currículo 158 
IV. EXERCÍCIOS DE DIDÁTICA 167 
IV. 1. \u2013 ESCREVER 167 
Do Querer-Escrever ao Poder-Escrever 167 
Escrever: Tender-para 168 
Escrever é um ato de Fazer-Valer 173 
Exercícios de Vidarbo 175 
XI fantasias de Escrileitura 177 
O que é o ato de criação? 194 
IV. 2. \u2013 MÉTODOS 194 
O drama (Deleuze) do espírito (Valéry) 195 
Para criar um personagem de Comédia Intelectual 200 
Método 10: Espiritografema 204 
O Método de Dramatização na Comédia do Intelecto: Valéry & Deleuze 208 
Análise e criação de um currículo 215 
Para pesquisar um currículo-nômade 217 
Chave de escrileitura: método de dramatização de um currículo 221 
Para um inventário de procedimentos didáticos 235 
V \u2013 POSFÁCIO: ENFIM, UMA DIDATRADUÇÃO 238 
Tratamento 238, Diferenças 240, Transcriação 241, O Didata-Tradutor 243, 
Procedimentos 245, Bricolagens 246, Estrangeiro 247, Escavação 248, Estoque 248, 
Combinação 249, Isomorfia 249, Crítico 250, Make it New 251, Texto 252, Glossário 
253 
 
5 
 
I \u2013 APRESENTRADUÇÃO: LIVRO-LUGAR 
 
Para-e-didático 
Este é um livro didático. Mas, por injunções diversas, como se verá, também é 
um livro paradidático. Acima de tudo, esse seu gênero ambíguo possui uma natureza 
pedagógica, voltada para a (de)formação de professores e estudantes de Graduação e de 
Pós-Graduação, precipuamente em Educação; embora esteja, também, dirigido para 
outras áreas de estudo e de pesquisa, como Música, Ciências Sociais, Artes Plásticas, 
Psicologia, Dança, Antropologia, História, Biologia, Teatro, Geografia, Letras, Estudos 
Culturais, etc. É devido a essa sua condição \u201cpara-e-didática\u201d que, já desde o título, o 
livro pospõe o sufixo ário à palavra didática e, torna-se, assim, um Didaticário; isto é, 
um estado, qualidade, quantidade, forma, acervo, coletânea, lugar \u2013 no qual, é guardada, 
acondicionada, armazenada uma composição de didáticas. Composição que foi sendo 
produzida, durante algum tempo, no transcurso diário de uma professora; logo, que 
pode equivaler a uma vida, tratando do ofício de ensinar, da arte de aprender, e vice-
versa. 
Ofício e arte de uma Pedagogia Ativa, no sentido de Pound, que perguntam: \u201cO 
que é a Didática que, neste livro-lugar, fica armazenada\u201d? Ora, Didática é Artista; além 
disso, não é nada menos do que Tradução. \u201cTudo bem\u201d \u2013 algum leitor diria \u2013; porém, se 
Didática-Artista é tomada como Tradução, traduz o quê\u201d? Conceitos, perceptos, afectos 
e funções, no sentido deleuziano. \u201cMas, onde são produzidos esses afectos, conceitos, 
perceptos e funções? Em qual espaço ou domínio de práticas? Em que planos de 
pensamento\u201d? A Didática-Artista traduz conceitos, perceptos, afectos e funções que, 
originariamente, foram criados nas línguas da Filosofia, da Arte e da Ciência. 
\u201cTradução, então\u201d \u2013 diria outro leitor \u2013; \u201cmas, tradução de que tipo\u201d? Não se trata de 
quaisquer atos tradutórios, a não ser de uma tradução criadora, transcriadora, na direção 
dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. \u201cNo entanto, a Didática-Artista, concebida 
como Tradução Transcriadora, é realizada por quem\u201d? Por professores, pedagogos, 
educadores, agentes culturais, todos aqueles que se empenham nessa atitude didática. 
\u201cOutrossim\u201d \u2013 acrescentaria outrem \u2013, \u201cser um Didata-Artista da Tradução, enquanto 
transcriador, implica que tipo de compromisso\u201d? Implica, primeiramente, produzir-se 
como um competente e consistente escrileitor de conceitos, perceptos, funções e 
afectos; pois, do contrário, a seguir, não conseguirá traduzi-los da Arte, da Filosofia e da 
Ciência para a Educação; permanecendo no nível da aplicação ou do decalque, segundo 
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o senso comum, a opinião, os estereótipos, os preconceitos, as idéias feitas, os valores 
consagrados. 
Conceitualização 
Enunciadas as principais inflexões deste livro, vamos acompanhar, mais de 
perto, o seu ponto de vista e correlatas linhas saídas de linhas. Toda Didática-Artista da 
Tradução é crítica, visto que os seus processos são de pesquisa, criação e inovação. Por 
meio da Arte Menor e do Planejamento da Desnaturação, essa Didática constitui um 
campo artistador de variações múltiplas, que produz ondas e espirais; compõe linhas de 
vida e devires reais; promove fugas ativas e desterritorializações afirmativas. Didática-
Tradução que é pragmática, por privilegiar a ação operatória de perceptos, afectos, 
funções e conceitos, a partir de obras já realizadas, que outros autores criaram, em 
outros planos, tempos, espaços. Portanto, Didática que honra as criações desses autores 
e obras, como suas efetivas condições de possibilidade, necessárias para a própria 
elaboração e execução; e, ao mesmo tempo, como o seu privilegiado campo de 
experimentação para exercitar possibilidades de criar os próprios perceptos, afectos, 
funções e conceitos. 
Ao fissurar certezas e verdades herdadas (ou mesmo auto-produzidas), a 
Didática-Tradução age nas dimensões ética e estética, potencializando, para a Educação, 
os fluxos desejantes que se insinuam entre os blocos epistêmicos e sensíveis da 
Filosofia, da Arte e da Ciência. Eminentemente heterogênea, maquina suas composições 
contra a homogênese, atribuindo primado à fluidez criadora, em detrimento das normas 
formais. Embora suscetível a regimes de ações estáveis, é Didática que se considera um 
sistema aberto, distante do equilíbrio e do apaziguamento; e, mesmo quando estabiliza 
suas ações, bifurca-se e ingressa em novos regimes