O funcionamento da máquina administrativa - Resumo
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O Estado é uma cção, de modo que sua vontade é externada por meio dos agentes
públicos, que exercem função estatal.
Agentes públicos
E quanto aos atos que esses agentes putativos praticam? A doutrina ensina que
eles devem ser convalidados frente a terceiros de boa-fé, ou seja, referendados/
mantidos. O fundamento para isso é a boa-fé do terceiro, assim como a teoria
da aparência, já que o agente aparentava ser servidor estatal.
Da mesma forma, o Estado vai ter responsabilidade pelos atos desse agente
putativo quando forem causados danos.
quanto aos agentes necessários, a doutrina tem falado em atos convalidados
frente a terceiros de boa-fé, mas não em responsabilidade do Estado pelos
eventuais danos causados.
Agentes putativos e agentes necessários: estes dois são chamados de agentes pú-
blicos de fato, porque não possuem vínculo jurídico formal com o Estado. Ou seja,
são particulares, mas que desempenham função pública em sentido amplo, ou seja,
atendem ao interesse público, mas sem terem sido investidos em um cargo, por exem-
plo. A diferença entre eles é que os necessários atuam em situações emergenciais/
excepcionais, como alguém que presta socorro em um acidente, enquanto que os
putativos parecem servidores na sua forma de agir, mas não o são.
Agentes políticos: são agentes que participam da vida política do Estado, ou seja,
participam de decisões fundamentais na condução da sociedade. O vínculo que
mantêm com o Estado é de natureza política. Delimitar os agentes políticos tem
aplicação prática jurídica, por exemplo, em relação ao enunciado de súmula vinculante
13, que fala sobre nepotismo, pois o STF decidiu que esse entendimento não se
aplica aos agentes políticos.
Agentes honorícos: são livremente designados por sua notória especialidade/
conhecimento em determinado tema. Em regra, não são remunerados e a prestação
de seus serviços é temporária. Normalmente compõem comissões técnicas.
Particulares em colaboração: não ocupam cargo ou emprego público, mas exercem
função estatal de forma temporária. É o exemplo dos mesários, concessionários e
permissionários de serviço público, etc.
O funcionamento da máquina administrativa
Direito Administrativo
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Servidores estatais ou servidores públicos em sentido amplo: possuem vínculo
jurídico formal com o Estado, vínculo prossional, atuando com habitualidade e
onerosidade (são remunerados).
Servidor público em sentido estrito: atuam na Administração Direta, autarquias
e fundações públicas de direito público sob o regime estatutário. No âmbito
federal o estatuto do servidor é a Lei 8.112/90, mas cada ente federativo vai ter
seu próprio estatuto.
Servidores de pessoas de direito privado: atuam nas empresas públicas, sociedades
de economia mista e fundações públicas de direito privado, mas sob o regime da CLT,
de modo que são chamados também de empregados públicos.
Temporários: são aqueles previstos no art. 37, IX, CRFB para “atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público”.
I.
II.
III.
Emprego público x cargo público x função pública
Servidores públicos em sentido estrito
Regime estatutário
Empregos públicos: são regidos pela CLT.
Cargos públicos: são ocupados por servidores estatutários (regidos pelos estatutos,
que são previstos em cada esfera federativa) das pessoas de direito público, tendo
toda sua conguração (funções, remunerações, denominação, etc) prevista em lei. Em
regra, são criados por lei.
Pluralidade normativa: cada esfera de governo (União, estados, DF e municípios) tem
autonomia para criar seus próprios estatutos para reger seus servidores (CRFB, art. 18
normas de direito administrativo se inserem na autonomia política dos entes).
CRFB, art. 61, §1º, II, ‘c’: são de iniciativa privativa do chefe do Executivo as leis que
disponham sobre “servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico,
provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria”.
A título exemplicativo, temos a lei 1.698/90 para o estado do RJ e a lei 8.112/90 no
âmbito federal. Também devemos lembrar que alguns servidores, como os militares e os
magistrados, por exemplo, têm regimes próprios previstos nas respectivas leis orgânicas.
Funções públicas: podem se referir de um modo geral ao conjunto legal de atribui-
ções dos agentes públicos, mas aqui nesse contexto estamos usando como refe rênci a
a encargos de direção, chea ou assessoramento. Ou seja, são as funções de conança,
que se diferem dos cargos em comissão porque as funções de conança s ão neces sa-
riamente preenchidas por servidores de cargos efetivos, ao passo que os cargos em
comissão podem ser assumidos por qualquer pessoa, servidor ou não.
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Vínculo entre o agente e a Administração Pública: aqui não um contrato, mas
sim um termo de posse, e depois de empossado ele se submete/se vincula às normas
do estatuto que rege o ente no qual ele trabalha, ou seja, ele se submete à lei, e não
a um contrato de trabalho. Dessa forma, diz-se que o vínculo é legal.
Justiça competente para julgar os agentes públicos nesse caso: a competência é
da justiça comum, sendo que para servidores estaduais e municipais será a justiça
estadual, ao passo que para servidores federais será a justiça federal.
Unicidade normativa: os empregados públicos se submetem à CLT, e a CRFB estabelece,
no art. 22, I, que a competência para legislar sobre direito do trabalho é privativa da União.
Daí dizer que nesse regime trabalhista ou celetista o que existe é unicidade normativa, ou
seja, unidade na produção normativa.
Pluralidade normativa: assim como vimos no caso do regime estatutário, aqui os entes
possuem autonomia para elaborarem suas próprias leis regulamentadoras da contratação
temporária. Ex.: no estado do RJ temos a lei 4.599/05, ao passo que no âmbito federal temos
a lei 8.745/93.
Vínculo: o vínculo que se estabelece entre o poder público e o agente é de natureza
contratual (contrato de trabalho).
Justiça competente para julgar os agentes públicos nesse caso: Justiça Trabalhista,
de acordo com o art. 114, I da CRFB).
Regime celetista
Regime especial
Atenção: importante lembrar, inicialmente, que não se trata apenas da aplicação das
regras da CLT; também são aplicados os princípios e regras que se aplicam aos agentes
públicos, como, por exemplo, o ingresso por concurso público, etc.
Esse é o regime dos agentes contratados por tempo determinado, ou seja, os temporários.
Nesse caso não exigência de concurso público para a contratação, mas que se observar
o que dispõe o art. 37, IX da CRFB: casos de excepcional interesse público e necessidade
temporária (ou seja, não podem ser contratados para desenvolver atividades corriqueiras
do ente, por ex.), com a óbvia necessidade de motivação do ato de contratação. Porém – e
aí entram os princípios que estudamos nas primeiras aulas – a Administração Pública não
pode contratá-los sem observar o princípio da impessoalidade, de modo que deverá ser
realizado um procedimento simplicado. Art. 3º da lei 8.745/93.
Como essa é uma exceção na forma de contratar da Administração Pública, deve haver
previsão legal de quando caberá a contratação.
Observação: em âmbito federal existe a Lei 9.962/00, que é aplicável às entidades públicas
federais: “disciplina o regime do emprego público”.