A atuação do Estado - Resumo
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A atuação do Estado - Resumo


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Poderes são prerrogativas para atuação da Administração Pública, que deve se dar em função
do interesse público. Ou seja, os poderes são usados para persecução das nalidades estatais.
que os poderes devem ser usados para alcançar as nalidades estatais, em prol do interesse
público, surge a necessidade de falarmos em abuso de poder.
Pode ocorrer em duas modalidades: excesso de poder ou desvio de poder/nalidade.
Poderes administrativos
Abuso de poder
Poder de polícia
Desvio de poder: ocorre quando o agente se afasta da nalidade do ato, a qual deve
ser sempre o interesse público. Exemplo: agente público que remove determinado
servidor por questões pessoais, de perseguição.
Art. 78 do Código Tributário Nacional: atividade da administração pública que, limitan-
do ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou absten-
ção de fato, em razão de interesse público.
Atenção: algumas doutrinas inserem a discricionariedade e vinculação como poderes
da administração também, mas esses institutos já foram estudados quando vimos
atos administrativos.
Excesso de poder: ocorre quando o agente atua fora dos limites de sua competência
legalmente prevista. Exemplo: quando o policial usa força em situação desnecessária
ou em intensidade desproporcional para conter determinada situação.
Como o excesso de poder atinge o elemento da competência do ato administrativo,
pode ocorrer a convalidação desse ato - quando se tratar de competência quanto
à pessoa que o praticou e não estivermos diante de uma competência exclusiva,
nem de uma competência quanto à matéria.
os atos praticados com desvio de poder/nalidade não podem ser convalidados.
A atuação do Estado
Direito Administrativo
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Tem fundamento, tradicionalmente, na supremacia do interesse público sobre o
privado. Mas Rafael Carvalho Rezende Oliveira1, caminhando no mesmo sentido que
Marçal Justen Filho, traz uma nova visão sobre isso: ele arma que na verdade,
com a constitucionalização do direito administrativo, o que fundamentaria o poder
de polícia seria a proteção e promoção dos direitos fundamentais.
Adotando o sentindo amplo do poder de polícia, ou seja, o que inclui também a
atividade legislativa, podemos dizer que ele é composto por algumas fases, que são
chamadas pelos doutrinadores de ‘ciclo de polícia’:
Limites ao poder de polícia:
Respeito às normas, ao ordenamento jurídico como um todo;
Agir com razoabilidade e proporcionalidade.
Exemplo 1: licença para dirigir, conferida pelo DETRAN. Trata-se de ato
vinculado, porque após a pessoa ter passado no exame, a Administração
tem que lhe dar a licença.
Exemplo 2: autorização para porte de arma. Trata-se, nesse caso, de ato
discricionário, a partir do qual o Estado dá o consentimento ao particular,
mas de acordo com a análise de conveniência e oportunidade.
Ordem: a norma cria condições e restrições para as ações privadas.
Consentimento: é o consentimento estatal com a ação do particular, nos casos
em que é exigido. Aqui o que se observa é um exercício preventivo do poder de
polícia. Nesse ponto temos a licença e a autorização.
Fiscalização: é através da scalização que o Estado averigua se as condições e
restrições trazidas pela norma estão sendo cumpridas pelo particular, ou se ele
está agindo dentro dos limites da autorização ou licença que lhe foi concedida.
Ou seja, é pela scalização que a administração averigua o cumprimento das
fases anteriores.
Sanção: se for vericado, através da scalização, que está havendo descumprimento
por parte do particular, a administração irá sancioná-lo. Ou seja, aqui temos o exercí-
cio repressivo do poder de polícia. Como exemplo, a administração pode interditar
um determinado estabelecimento comercial que não esteja cumprindo as normas
estipuladas para seu regular funcionamento.
Observação: alguns exemplos de atuação do poder de polícia: a polícia sanitária (pensem
lá nos agentes da ANVISA scalizando os restaurantes) e a ambiental.
1 Curso de Direito Administrativo. 2013, Ed. Forense. Página 245
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Atributos do poder de polícia
Discricionariedade: fala-se nela porque o administrador teria uma certa margem
de escolha sobre, por ex., qual a sanção aplicável quando a lei cominar mais de
uma. Mas nem sempre haverá essa discricionariedade, pois existem vezes que se o
administrado tiver cumprido todos os requisitos da lei, necessariamente o Estado
terá o direito. Ex.: licença para dirigir, como vimos.
Coercibilidade: quando dos atos emanarem ordens, os administrados necessaria-
mente têm que cumprir, e nisso consiste a coercibilidade dos atos de polícia.
Autoexecutoriedade: já falamos desse atributo quando falamos dos atos adminis-
trativos, mas vale a pena repetir: é aquela característica que permite que a Adminis-
tração faça valer seus atos sem precisar buscar o judiciário para tanto. Ex.: construção
particular em local de proteção ambiental; o Estado não precisa ajuizar uma ação com
vistas a obstaculizar a construção, ele vai lá e toma as medidas necessárias por si só.
Observação 1: a lei 9.873/99 (lei federal), estabelece prescrição de 5 anos para as ações pu-
nitivas, sendo certo, no entanto, que se a infração também constituir crime irá prescrever no
tempo previsto para o tipo penal.
Observação 2: apesar de divergências, tem-se entendido na doutrina e na jurisprudência
predominantes que o poder de polícia não pode ser delegado aos particulares, mas sim
algumas atividades acessórias a ele, como a de cobrança, por exemplo. O STF, inclusive,
decidiu que não seria possível o exercício de scalização de prossões por entidade
privadas, por delegação2.
2 Informativo de jurisprudência do STF nº 289. ADI 1.717/DF, julgado em 28/03/2003.
Poder hierárquico
Quando há hierarquia, há subordinação; e isso vai ser sempre internamente a uma
mesma pessoa jurídica, pois quando não há hierarquia o que existe é vinculação.
Em decorrência do poder hierárquico, os agentes estão subordinados de forma vertical, as-
sim como os órgãos estão subordinados também dentro da estrutura ao qual pertencem.
Também está atrelada a esse poder a prerrogativa de rever os atos dos subordinados.
Inerentes a esse poder hierárquico estão: a possibilidade de emanar ordens aos subor-
dinados que deverão ser cumpridas a menos que manifestamente ilegais, scaliza-los,
aplicar sanções (veremos no poder disciplinar) e delegar e avocar competências.