Lei penal no tempo - Resumo
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Lei penal no tempo - Resumo


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Tempo do crime
Princípios da lei penal no tempo
Artigo 4º, CP: considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda 
que outro seja o momento do resultado; esse artigo demonstra que o Brasil adota a 
teoria da atividade, pois é no momento da atividade, da prática do ato que o indiví-
duo exterioriza a sua vontade e viola a lei. 
De acordo com a doutrina, existem outras teorias: a teoria do resultado (o crime é 
praticado no momento em que o resultado pretendido pelo agente é de fato obtido) 
e a teoriada ubiquidade ou teoria mista (o crime é praticado no momento da ação e 
do resultado, simultaneamente). 
Irretroatividade da lei penal: regra dominante em relação aos conflitos de leis pe-
nais no tempo; finalidade de proteger o indivíduo contra o próprio legislador; deriva 
do princípio da anterioridade da lei penal, que define que uma lei penal incrimina-
dora só pode ser aplicada a um fato concreto caso ela estivesse em vigor antes da 
prática do ato; limita-se às normas penais de caráter material, incluídas também as 
relativas às medidas de segurança.
Retroatividade e ultra atividade da lei mais benigna: se a lei anterior for mais 
favorável, ela vai ter ultra atividade e vai prevalecer mesmo já tendo sido revogada; 
se a lei posterior for mais benéfica, ela vai retroagir para alcançar os fatos cometidos 
antes da vigência.
Lei penal mais benéfica: amplia as garantias de liberdade do indivíduo, reduz as proi-
bições e as consequências negativas do crime ampliando o campo da licitude penal, 
abolindo tipos penais ou refletindo nas excludentes de criminalidade ou de culpabilida-
de; torna a pena mais branda ou comuta a pena em outra de menor severidade. 
Lei penal mais grave: representa um agravante aos direitos de liberdade; agrava as 
consequências penais diretas do crime, criminaliza condutas ou restringe a liberdade.
Lei penal no tempo
Direito Penal I
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Hipóteses de conflitos de leis penais no tempo
Lei intermediária e conjugação de leis
Abolitio Criminis: ocorre quando a lei nova deixa de considerar crime um fato que 
antes era tipificado como crime; a conduta deixa de ser ilícita por conta da lei nova; 
caso de lei penal posterior mais benéfica, que deve atingir inclusive fatos já julgados, 
mesmo em fase de execução. 
Novatio Legis incriminadora: considera crime um fato que antes não era incrimina-
do; é irretroativa e não pode ser aplicada a fatos praticados antes da vigência da lei, 
de acordo com a previsão do art. 5º inciso XXXIX, CF e do art. 1, CP.
Novatio Legis in pejus: define que uma lei posterior que de qualquer modo agravar 
a situação do sujeito não retroagirá (art. 5º, XL 40, CF); se houver conflito entre duas 
leis, a anterior, mais benéfica, e a posterior, mais severa, deve ser aplicada a mais be-
néfica; a lei anterior vai ser ultrativa, por ser mais benéfica, e a posterior, irretroativa, 
por ser mais grave. 
Novatio Legis in mellius: pode acontecer quando a lei nova dá um tratamento mais 
favorável ao sujeito, mesmo sem descriminalizar o ato; mesmo que a sentença con-
denatória se encontre na fase de execução, prevalece a lei mais benéfica, que de 
qualquer maneira favorece o agente, de acordo com o art. 2º do CP. 
Competência da autoridade judiciária que deve aplicar a lei mais benéfica.
A lei vai ser aplicada pelo juiz de primeiro grau quando o processo estiver em 
andamento, até a publicação da sentença. 
Quando o processo está em fase de recurso, a competência que examina a hipó-
tese de lei penal mais benéfica é o Tribunal ao qual se destina o recurso. 
Depois do trânsito em julgado, ou seja, na fase executória do processo, existem 
duas possibilidades: o entendimento majoritário da doutrina defende que com-
pete ao juiz da execução criminal, de acordo com a Súmula 611 do STF; o segun-
do entendimento defende que cabe ao Tribunal conhecer, decidir e aplicar por 
meio da revisão criminal.
Quando a lei mais favorável não é nem a lei do tempo do fato nem a última lei, a lei 
mais recente, mas sim uma lei intermediária, ou seja, uma lei que não estava em vigor 
nem no tempo do fato nem no momento de solução do caso.
Parte da doutrina diz que a lei intermediária não pode ser aplicada, já que ela não 
estava em vigor em nenhum momento essencial, ou seja, nem no momento do fato, 
nem do julgamento. 
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De acordo com os princípios gerais do Direito Penal intertemporal, a lei mais favo-
rável deve ser aplicada; assim, a lei posterior e a lei da época do fato, que são mais 
rigorosas, não podem ser aplicadas pelo princípio geral da irretroatividade. Por um 
princípio excepcional, só pode ser aplicada a lei intermediária, que é mais favorável. 
Essa lei então tem dupla extra atividade, ou seja, ela é ao mesmo tempo ultrativa e 
retroativa.
Possibilidade de conjugar os aspectos mais favoráveis da lei anterior com os aspec-
tos mais favoráveis da lei posterior: grande parte da doutrina se opõe a essa possibi-
lidade, já que isso representaria a criação de uma terceira lei, e o juiz estaria fazendo 
papel de legislador; alguns doutrinadores acreditam que isso seria possível, já que 
nunca vai existir uma lei completa, enquanto existem leis especialmente incomple-
tas, como as normas penais em branco. Outro argumento para esse caso é: se é 
permitido escolher um \u201ctodo\u201d mais favorável, nada impede que se possa selecionar 
parte de um todo e parte de outro todo, para atender a uma previsão constitucional 
(posicionamento do STF). \u2013 Comentei à respeito no próprio vídeo. Esse posiciona-
Leis excepcionais e temporárias
Retroatividade e lei processual
Leis que ficam em vigor por um tempo determinado: surgem com a finalidade de 
regular circunstâncias consideradas transitórias e especiais. 
Leis temporárias: tem vigência fixada pelo legislador. 
Leis excepcionais: vigem em situações de emergência.
art. 3º do CP: as leis temporárias e excepcionais tem ultra atividade; o fato de o ato 
ter sido praticado durante o prazo fixado pelo legislador, no caso das leis temporá-
rias, ou durante a situação de emergência, no caso das leis excepcionais, é elemento 
temporal do próprio fato típico, ou seja, é um elemento necessário para que determi-
nado ato fosse considerado crime. 
Exceção ao princípio da retroatividade da lei mais favorável (quando a lei anterior é 
uma lei temporal).
Lei processual: não está submetida ao princípio da extra atividade, ou seja, da ultra 
atividade ou da retroatividade da lei penal mais benéfica; uma lei processual nova 
deve ser aplicada de imediato, sem efeito retroativo. 
Normas híbridas (disciplinam matéria tanto de natureza penal quanto de natureza 
processual) também são alcançadas pelas irretroatividade. 
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Retroatividade das leis penais em branco
Dois casos para analisar a retroatividade das normas penais em branco: a norma penal 
incriminadora permanece, com a definição da conduta e a sanção, e o que muda é a 
norma complementadora; e a norma penal incriminadora é reformada ou revogada.
Em regra as mudanças se dão em relação à norma complementar; essas mudanças 
só influenciam quando elas afetam a norma penal incriminadora, seja em relação à 
descrição do crime, seja em relação à sanção; nesses casos, são válidas a retroativi-
dade e a ultra atividade da lei penal mais benéfica. 
As leis penais em branco não são revogadas em consequência da revogação dos seus 
complementos; elas se tornam inaplicáveis temporariamente, porque falta um ele-
mento importante para configurar a tipicidade; assim que surge uma nova norma 
integradora, elas recuperam a eficácia e a validez.
Jair
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