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O que é ética   aulão 2016.02

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Fundamentos da Ética Clássica
Distorções nos sentidos sobre o que seja ética:
Organização administrativa;
Código de condutas que define hierarquias;
Forma de alienação. Ética ideológica;
Defesa humanitária dos direitos humanos contra a violência.
Café filosófico - ética no cotidiano com Mario Sérgio Cortella e Clóvis de barros filho (fonte: https://www.youtube.com/watch?v=eE9J4oHop0E)
Ética não é uma saber acabado;
Não é uma tabela pronta;
Ética é a possibilidade de escolher como queremos viver;
Inteligência compartilhada à serviço do aperfeiçoamento da convivência;
Nossa vivência humana muda, e a ética é a reflexão sobre estas mudanças buscando melhor aperfeiçoamento.
Ética é liberdade;
Liberdade é antropológica: o homem decide sobre sua conduta. ( Não escolher é, ainda, uma forma de escolha!);
O homem é um ser do “vir-a-ser”; 
A liberdade é um privilégio que causa angústia;
Escolher é atribuir valores, mas grupos diferentes exigem valores diferentes
Relatividade: minhas escolhas dependem das circunstancias;
Relativismo: achar que vale qualquer coisa;
Ética é de cada tempo, é de cada cultura, não é universal, não é indivudual.
A moral não depende de vigias, é o que você faz por princípios e sente vergonha quando não o faz;
Capacidade de deliberar, decidir e escolher a cada momento;
Caráter: aquilo que te marca, característiva
A ocasião faz o ladrão ou o ladrão faz a ocasião?
I - Ethos, Ética e Moral: definição e conceitos.
Ética é a Ciência da Moral
Para responder sobre, “o que é ética?”, primeiramente devemos nos ater ao significado de Ethos, costume, morada enquanto indicar nosso modo de ser no mundo, ou caráter. Esse modo de ser se constrói na medida em que a vida é organizada nas quatro relações fundamentais de todo ser humano, ou seja, si mesmo, o mundo, o outro e a transcendência. Desta forma de organizar a vida de si e com a alteridade é que vão surgindo os valores, as normas, os costumes de um povo, de uma sociedade, até mesmo de um indivíduo. O ethos é a base da moral e do próprio direito. 
Valores, normas e costumes são tão internalizados que muitos deles não precisamos fazer um esforço teórico para usar, parecem fazer parte de uma matriz de percepção humana adquirida ao longo da história do homem na terra. Ao mesmo tempo surgem novos costumes, normas e novos valores na medida em que sofre transformações o modo de ser do homem. Essas mudanças devem tender sempre para melhorar a vida do homem, caso contrário ocorre uma desarmonia nas relações. 
O segundo passo é entender o que é moral. Palavra que designa costumes ou regras que regem a nossa vida. Sua função é orientar o agir humano. Trata-se do que “é preciso fazer”. E como o ethos deve ser flexível e válida para o tempo e espaço. Deste modo entendemos porque a sociedade medieval tinha uma moral que a representava, e que não se aplica mais aos dias atuais e vice-versa. 
Moral do latim mores significa costumes, sistema de normas, princípios e valões segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos e entre as comunidades. Tais normas são dotadas de caráter histórico, social e cultural, buscam ser estabelecida entre pares de modo que, sejam acatadas livremente , por uma convicção íntima e não de maneira mecânica, externa e impessoal.
É primário confundir moral com legalismo, como também simplório dar-lhe apenas um sentido personalista, “a minha moral”, já que se trata de costumes de da convivência entre alteres. Toda sociedade e mesmo indivíduo tem uma moral, mesmo que diga que “não tem moral”, isto já se constitui em uma. A moral deve ser construída a partir do ethos. Isso é extremamente necessário para que a moral não seja baseada em contra valores, como por exemplo o fato de se aceitar como “normal” condutas baseadas na “esperteza”, no “jeitinho”, na “troca de favores”. Para que a moral não caia nesta armadilha ela deve ser ética.
As normas morais são as dotadas de caráter histórico e social sejam adotadas livremente por convicção íntima (de uma maneira mecânica ou por coerção, de que natureza seja não é norma moral) de fonte externa e impessoal. 
Uma lei injusta fere a moral. Mas devemos salvaguardar as diferenças étnicas e sociais. “Não matar”, “direito à vida”, etc, são temas sempre aquecem as discursões éticas, pois, apesar da relatividade de culturas e costumes há máximas morais universais como.
	Agir moral
	De acordo às regras da sociedade.
	Agir imoral
	Transgressão das regras com conhecimento de causa.
	Agir amoral
	Transgressão às regras sem conhecimento de causa.
Exemplo para análise: 
Reportagem foi ao ar em 07/12/2014.
Um assunto da maior importância: o direito à vida. Você acha certo matar crianças recém-nascidas por causa de alguma deficiência física?
Pois saiba que isso acontece no Brasil e não é crime. A Constituição, nossa lei maior, assegura a grupos indígenas o direito à prática do infanticídio, o assassinato de bebês que nascem com algum problema grave de saúde.
Para os índios, isso é um gesto de amor, uma forma de proteger o recém-nascido, mas tem gente que discorda.
Um projeto de lei que pretende erradicar o infanticídio já foi aprovado em duas comissões na Câmara Federal e agora vai para votação no plenário.
Do outro lado, os antropólogos defendem a não interferência na cultura dos índios. Os repórteres do Fantástico foram investigar essa questão sobre a qual pouco se fala. E descobriram que a morte desses recém-nascidos mudou para pior o mapa da violência no Brasil.
A cidade mais violenta do Brasil fica no interior do estado de Roraima. Chama-se Caracaraí e tem só 19 mil habitantes.
De acordo com o último Mapa da Violência, do Ministério da Justiça, em um ano, 42 pessoas foram assassinadas por lá. Entre elas, 37 índios, todos recém-nascidos, mortos pelas próprias mães, pouco depois do primeiro choro.
(...) Os agentes de saúde que trabalham lá disseram, sem gravar, que naquela noite aconteceu mais um homicídio infantil, o infanticídio.
O infanticídio indígena é um ato sem testemunha. As mulheres vão sozinhas para a floresta. Lá, depois do parto, examinam a criança. Se ela tiver alguma deficiência, a mãe volta sozinha para a aldeia.
A prática acontece em pelos menos 13 etnias indígenas do Brasil, principalmente nas tribos isoladas, como os suruwahas, ianomâmis e kamaiurás. Cada etnia tem uma crença que leva a mãe a matar o bebê recém-nascido.
Criança com deficiência física, gêmeos, filho de mãe solteira ou fruto de adultério podem ser vistos como amaldiçoados dependendo da tribo e acabam sendo envenenados, enterrados ou abandonados na selva. Uma tradição comum antes mesmo de o homem branco chegar por lá, mas que fica geralmente escondida no meio da floresta.
O tema infanticídio ressurge agora por ter se destacado no Mapa da Violência 2014, elaborado com os dados de dois anos atrás.
O autor do levantamento feito para o Ministério da Justiça, o pesquisador Júlio Jacobo, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, não tinha ideia da prática.
“E aí, então, comecei a pesquisar efetivamente com as certidões de óbito. Registravam que crianças de cor ou raça indígena, de 0 a 6 dias de idade. E começamos a ver que realmente era uma cultura indígena meio não falada, meio oculta”, diz o pesquisador.
(...) “E aí um dia minha mãe cansou de me carregar e deu para o meu pai. Quando foi na hora de atravessar o rio, meu pai começou a ameaçar que eu não servia para nada, que eu merecia ser morto. A minha mãe escutou isso e gritou que não era para ele fazer isso comigo”. (...)
 “A minha mãe sentou do meu lado e disse: ‘Meu filho, tu lembra daquele tempo que aconteceu?’. Eu falei: ‘Lembro’. Aí ela perguntou: ‘Você tem raiva dele?’. ‘Eu, não. Eu gosto do meu pai’. Isso é cultura de vocês. Quem sabe vocês estavam fazendo o certo e eu não estava sofrendo mais”, (...)
“Como é que é carregar um deficiente físico nas costas sem cadeiras de rodas? No meio do mato?”, comenta a irmã de Pituko.
A irmã de Pituko explica: