A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
18 pág.
O que é ética   aulão 2016.02

Pré-visualização | Página 4 de 6

e o pai de seus atos, assim como de seus filhos" (Ibid). De fato, ''só para quem tem em si mesmo seu próprio princípio, o agir ou o não agir depende de si mesmo" (Ibid., III, 1, 1110 a 17); assim o homem "é o princípio de seus atos" (Ibid., III, 3, 1112 b 15-16). 
Kant quis conciliar a L. humana, como poder de autodeterminação, com o determinismo natural que, para ele, constitui a racionalidade da natureza; por isso considerou a L. como númeno, pois aquilo que, de um ponto de vista (dos fenômenos), pode ser considerado necessidade, de outro ponto de vista (do númeno), pode ser considerado L. Mas o conceito de L. não sofreu inovação alguma com esse artifício kantiano. Esse mesmo conceito é expresso por Fichte: "A absoluta atividade também é denominada L. A L. é a representação sensível da auto-atividade"
Podemos resumir a relação entre liberdade e obrigação como construtoras do agir moral, pois ele deve ser livre, mas ao mesmo tempo comprometido com princípios e valores:
Liberdade vinculada ao livre-arbítrio é escolha. (visão da filosofia da Tradição)
Liberdade desvinculada do livre-arbítrio é criação pessoal. (visão da filosofia Moderma)
Fatores básicos do comportamento moral:
responsabilidade: sobre o agir consciente;
livre-arbítrio: agir segundo regras;
necessidade: de pautar o comportamento com normas;
vontade: querer agir seguindo as normas assentidas, portanto sem violar a liberdade ou o livre-arbítrio.
Em resumo, o comportamento moral é livre, pois é uma escolha, mas também é uma obrigação uma vez que é a necessidade de um cumprimento. Todos temos consciência psicológica, mas a consciência moral é formada ao longo da vida, segundo a reavaliação dos atos. Moral não é inata!
A questão do Alheamento
Alheamento é a capacidade que temos de tornar o outro um estranho por meio do distanciamento, onde a hostilidade (que é ainda uma demonstração de sentimento, mesmo que negativo) é substituída pela desqualificação do sujeito como ser moral.
Em estado de alheamento não assentimos o semelhante como:
Um criador potencial de normas;
Um parceiro na obediência às leis partilhadas e consentidas livremente;
Alguém que deva ser respeitado em sua integridade física e moral.
Em suma, é como se o “outro” não existisse. Há diversas formas de se desqualificar o outro, neste nível de interação as mais diversas formas de agressão e violência ( física, psicológica, moral, afetiva etc.) não são mais percebidas como tal, uma vez que o que se julga o outro como uma ausência de ser, ou “ um nada”.
O alheamento fere diretamente um princípio básico da moral que é a da dignidade da Pessoa ética.
Pessoa x Indivíduo:
Pessoa é a expressão adequada com o qual o sujeito, ou o “eu” se exprime, ou se diz a “si mesmo”. É a expressão acabada do “eu sou”, ou identidade. Só a pessoa pode fazer escolhas livres, conscientes, e, portanto morais. Este conceito difere do conceito de indivíduo, membro de uma espécio e sujeito à classificações. 
O conceito, pessoa, tem-se uma compreensão filosófica, irredutível a um denominador comum e classificatório do simples indivíduo de uma espécie. O alheamento esvazia a noção de pessoa. Pessoa é interioridade espiritual e intelectiva, enquanto que indivíduo é exterioridade corporal.
Pessoa é sinônimo de Sujeito Moral.
Autonomia X Heteronomia
Podemos aceitar uma regra com que não concordamos, obedecer passivamente por conformismo ou medo das consequências, ou seja, por repressão de uma outra pessoa. Chamamos essa situação de Heteronomia.
À heteronomia opõe-se a Autonomia, que é autodeterminação.
O conceito de autonomia integra a construção de Kant do imperativo categórico, designando a independência da vontade em relação a todo desejo ou objeto de desejo e a sua capacidade de determinar-se em conformidade com uma lei própria, que é a da razão.
Para Kant, portanto, a autonomia da vontade é a propriedade mediante a qual a vontade constitui uma lei por si mesma. Se uma pessoa ou instituição é determinada por algo alheio à sua vontade, devido a uma coação externa, passa para o campo da dependência, da heteronomia.
Na verdade há um conflito entre a autonomia de vontade e a heteronomia dos valores. A autonomia são as leis autodeterminadas do agente moral e a heteronomia são as leis externas impostas pelos pares. O conflito se resolve quando o agente moral reconhece estes valores como sendo sua própria escolha. Este confronto é necessário pois a moral “do indivíduo”, se assim poderíamos dizer, deve levar em conta a moral social, pois em última análise as regras só fazem sentido para a vida social, vivem e subsistem por cauda da visa em sociedade, portanto a moral, a ação ética, é sempre social.
Mas a moral pode se transformar em violência quando ela é politizada e ganha formas de ideologia. O agente moral assume tal moral não como autonomia, sem poder exercer sua condição de sujeito moral, mas como imposição de uma ação por meio de um outro par, um grupo e mesmo pelo estado e sociedade.
A moral sempre deve ser reavaliada e nunca considerada como absoluta. Este é o papel norteador da Ética sobre a moral, criticá-la, por à prova da razão e reflexão, discuti-la, fazê-la avançar e se transformar ao longo dos tempos, fazendo permanecer e fazendo perecer. Isto não diminuiu a moral ou a torna relativa, pelo contrário é papel da ética torna-la palatável e de acordo com o tempo presente. Mas aqui também mora um perigo!
 Leitura crítica - O problema da ética como ideologia
Uma ideologia perversa
MARILENA CHAUI
Embora "ta ethé" e "mores" signifiquem o mesmo, ou seja, costumes e modos de agir de uma sociedade, entretanto, no singular "ethos" é o caráter ou temperamento individual que deve ser educado para os valores da sociedade, e "ética" é aquela parte da filosofia que se dedica à análise dos próprios valores e das condutas humanas, indagando sobre seu sentido, sua origem, seus fundamentos e finalidades. Sob essa perspectiva geral, a ética procura definir, antes de mais nada, a figura do agente ético e de suas ações e o conjunto de noções (ou valores) que balizam o campo de uma ação que se considere ética. 
O agente ético é pensado como sujeito ético, isto é, como um ser racional e consciente que sabe o que faz, como um ser livre que decide e escolhe o que faz e como um ser responsável que responde pelo que faz. A ação ética é balizada pelas ideias de bem e mal, justo e injusto, virtude e vício. 
Assim, uma ação só será ética se consciente, livre e responsável e será virtuosa se realizada em conformidade com o bom e o justo. A ação ética só é virtuosa se for livre e só o será se for autônoma, isto é, se resultar de uma decisão interior do próprio agente e não de uma pressão externa. Evidentemente, isso leva a perceber que há um conflito entre a autonomia da vontade do agente ético (a decisão emana apenas do interior do sujeito) e a heteronomia dos valores morais de sua sociedade (os valores são dados externos ao sujeito). 
Esse conflito só pode ser resolvido se o agente reconhecer os valores de sua sociedade como se tivessem sido instituídos por ele, como se ele pudesse ser o autor desses valores ou das normas morais, pois, nesse caso, ele será autônomo, agindo como se tivesse dado a si mesmo sua própria lei de ação.
Enfim, a ação só é ética se realizar a natureza racional, livre e responsável do sujeito e se este respeitar a racionalidade, liberdade e responsabilidade dos outros agentes, de sorte que a subjetividade ética é uma intersubjetividade socialmente determinada.
Sob essa perspectiva, ética e violência são opostas, uma vez que violência significa: 
1) tudo o que age usando a força para ir contra a natureza de algum ser (é desnaturar); 
2) todo ato de força contra a espontaneidade, a vontade e a liberdade de alguém (é coagir, constranger, torturar, brutalizar); 
3) todo ato de violação da natureza de alguém ou de alguma coisa valorizada positivamente por uma sociedade (é violar); 
4) todo ato de transgressão contra