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Manual de Inventário de Centrais Hidroelétricas

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os efeitos cumulativos e sinérgicos na avaliação. O índice de impacto socioambiental positivo 
de uma alternativa é composto pela agregação dos índices relativos a cada um dos aspectos, de modo 
a expressar o impacto socioambiental positivo total sobre a área de estudo, de acordo com os procedi-
mentos defi nidos no item 5.8.3, devendo ser utilizado para a escolha fi nal da alternativa de divisão de 
queda. 
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CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
Impactos Cumulativos e Sinérgicos 
Cumulatividade e sinergia são causadas pela combinação de uma ou mais ações antrópicas com outra(s) 
passada(s), presente(s) ou futura(s) potencializando alterações ao meio ambiente. Os impactos cumu-
lativos resultam da interação aditiva dessas alterações em um dado espaço ao longo do tempo. Os 
impactos são considerados sinérgicos quando o resultado destas interações acarretam uma alteração em 
um dado espaço diferente da simples soma das alterações. 
Os impactos cumulativos e sinérgicos devem considerar prioritariamente aquelas alterações de na-
tureza permanente, já que os impactos temporários extinguem-se ao longo do tempo, reduzindo a 
cumulatividade.
2.3.7 Avaliação Ambiental Integrada
A alternativa de divisão de queda selecionada nos Estudos Finais deverá ser objeto de uma Avaliação 
Ambiental Integrada com o objetivo de destacar os efeitos cumulativos e sinérgicos resultantes dos 
impactos socioambientais negativos e positivos ocasionados pelo conjunto de aproveitamentos que a 
compõem, identifi cados durante a elaboração dos Estudos Preliminares e incorporados na seleção da 
alternativa nos Estudos Finais. Esta avaliação busca identifi car as áreas de fragilidade e de potencia-
lidade da bacia estudada e deverá envolver a elaboração dos cenários futuros de desenvolvimento da 
bacia, conforme descrito no item 6.5. Como resultado, deverão ser elaboradas diretrizes a serem in-
corporadas nos futuros estudos socioambientais dos aproveitamentos hidroelétricos, visando subsidiar 
o processo de licenciamento ambiental, bem como as recomendações para a implantação dos futuros 
aproveitamentos.
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CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.4 CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DE LOCAIS 
BARRÁVEIS
Na pesquisa dos possíveis locais barráveis, devem ser observados com especial interesse todos os trechos 
em corredeiras e quedas de água, além de todos os locais que apresentem estreitamentos acentuados do 
vale. Igualmente, deverão receber atenção as limitações impostas pelas condicionantes físicas e restri-
ções socioambientais.
Em cada eixo de barragem deve-se determinar o maior nível de água que o reservatório pode atingir.
Esses locais devem ser caracterizados em plantas e perfi s dos rios, que servirão de base para a for-
mulação das possíveis alternativas de divisão de queda. Os critérios a serem adotados em cada caso 
dependerão da avaliação técnica dos parâmetros topográfi cos, geológicos, geotécnicos, hidrológicos e 
socioambientais.
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CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.5 CRITÉRIOS DE ARRANJOS
Cada sítio escolhido para uma usina hidroelétrica é único, com condições topográfi cas, geológicas 
e hidrológicas particulares. Assim como nenhum local é igual a qualquer outro, a concepção de um 
determinado arranjo é uma arte, normalmente resultado de um processo iterativo, onde várias opções 
são concebidas, dimensionadas e orçadas para chegar à melhor solução. Por defi nição, o melhor arranjo 
para um determinado aproveitamento hidroelétrico é aquele que consegue posicionar todos os ele-
mentos do empreendimento de maneira a combinar a segurança requerida pelo projeto e as facilidades 
de operação e manutenção com o custo global mais baixo. Entretanto, com o objetivo de padronizar, 
onde for possível, as soluções desenvolvidas para diferentes locais, procura-se defi nir um conjunto de 
critérios básicos que representam a maioria das soluções utilizadas no Brasil. A principal recomendação 
em Estudos de Inventário é a adoção de arranjos conservadores que se mantenham robustos.
Elementos do Arranjo Geral
Inicialmente é importante listar os vários elementos que podem compor o arranjo geral de um apro-
veitamento hidroelétrico:
Barragem – É uma estrutura em solo ou concreto construída no vale do rio, da ombreira de uma 
margem para a da outra, com o objetivo de elevar o nível de água do rio até o nível máximo normal 
do reservatório.
Dique – É uma estrutura usualmente em solo que fecha eventuais selas topográfi cas, a fi m de evitar 
fugas da água do reservatório. 
Sistema de desvio do rio – Em geral, fi ca localizado junto à barragem com o objetivo de desviar as 
águas do rio por meio de canal, galerias, adufas, túneis ou mesmo estrangulamento do leito do rio de 
modo a permitir a construção das estruturas localizadas no leito do rio a seco.
Circuito de geração – Constituído por canais, tomadas d’água, condutos ou túneis de adução de baixa 
pressão, eventuais chaminés de equilíbrio ou câmaras de carga, condutos ou túneis forçados de alta 
pressão, casa de força externa ou subterrânea e canal ou túneis de fuga. O circuito de geração tem por 
fi nalidade aduzir a água para a transformação de energia mecânica em energia elétrica.
Estrutura de vertimento – Composto de canal de aproximação, vertedor com ou sem controle (com-
portas), dissipador de energia e canal de restituição. Como no caso do circuito de geração, as obras 
das estruturas de vertimento podem fi car localizadas junto ou distante da barragem, dependendo das 
características particulares do sítio em estudo.
Descarregador de fundo – Estrutura dotada de comportas ou válvulas para liberar as águas para ju-
sante da barragem.
Sistema de transposição de desnível – São estruturas que permitem a transposição de cargas ou 
passageiros transportados pela via navegável, superando o desnível decorrente da implantação da 
barragem.
Sistema de transposição de fauna aquática migratória – São estruturas que permitem a transposição 
da fauna aquática, superando o desnível decorrente da implantação da barragem. 
Barragem
A localização do eixo da barragem e do circuito de geração é um dos critérios mais importantes para a 
escolha do arranjo mais econômico em rios que tem desníveis concentrados, como saltos, cachoeiras 
ou corredeiras. Em geral, nestes casos, o eixo da barragem deve fi car localizado à montante da queda 
concentrada de maneira a reduzir a altura e, portanto, o custo da barragem. 
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CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
Tipos de barragem – No nível dos Estudos de Inventário, as alternativas para o tipo de barragem a ser 
escolhido dependem muito da topografi a do sítio e das condições geotécnicas das fundações do eixo, 
além da disponibilidade dos materiais naturais de construção perto da obra. Como nessa fase são ha-
bitualmente executados sondagens a trado, poços de inspeção e eventualmente, sondagens geofísicas, 
as informações geotécnicas disponíveis sobre as reais condições das fundações são muito limitadas. Por 
esta razão, devem ser previstos arranjos com barragens tradicionais, não devendo, portanto, ser empre-
gados outros tipos de barragens, tais como de concreto em arco, abóbadas ou contraforte. As barragens 
de enrocamento com face de concreto podem ser consideradas desde que não existam dúvidas sobre a 
qualidade das fundações em rocha sã para as fundações do plinto.
Parâmetros geomecânicos da fundação – Como critério geológico mais importante, em princípio, 
as fundações da barragem devem ter parâmetros geomecânicos iguais ou melhores do que os mesmos 
parâmetros do maciço da barragem. Seguindo este critério, barragens de concreto, convencional ou 
compactado a rolo, por exemplo, não devem ser fundadas em solo ou rocha