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Manual de Inventário de Centrais Hidroelétricas

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decomposta, mas somente 
em rocha sã de boa qualidade. Da mesma forma, as barragens de enrocamento podem ter fundações 
em rocha alterada com condições de suporte adequadas.
Permeabilidade da fundação – Quanto à permeabilidade das fundações, normalmente para os aterros 
em solo homogêneo é necessário prever a construção de uma trincheira de vedação atingindo um ho-
rizonte impermeável na fundação. Para as barragens de enrocamento, com núcleo de argila central ou 
inclinado, essa trincheira deve ser uma continuação do núcleo, descendo até atingir o topo da rocha sã.
Balanceamento de materiais – Outro critério geotécnico importante é o que busca o balanceamento 
entre as escavações requeridas para as estruturas e os volumes de rocha e solo para os aterros e para os 
materiais destinados à utilização como agregados na composição do concreto. Como, entretanto, este 
equilíbrio depende do fl uxo real de construção, pode haver necessidade de estocagem intermediária ou 
utilização de jazidas adicionais.
Estes fatores provocam acréscimos de custo que distorcem as estimativas originais. Por esta razão é 
recomendável que se procure arranjos fl exíveis, prevendo uma perda na utilização do material das 
escavações requeridas da ordem de 10% a 20%, conforme o tamanho da obra. A necessidade de movi-
mentação desse material de uma margem para outra deve ser igualmente considerada.
Aspectos construtivos – Um outro critério geotécnico importante é o que diz respeito à viabilidade 
construtiva da barragem. Como exemplo disso, barragens de aterro homogêneo ou de enrocamento, 
com núcleo de argila, não devem ser previstas em regiões onde existe a possibilidade de chuvas ao longo 
de todo ano.
Desvio do Rio
O sistema de desvio do rio deve ser projetado com capacidade para escoar a cheia de projeto. A sua 
escolha depende das características do arranjo, como tipo, altura e comprimento da barragem, tipo do 
vertedouro, que são concebidos em função da topografi a particular do sítio, além da ordem de grande-
za da vazão de projeto e das condições geológicas da região.
Geralmente, a defi nição do sistema de desvio está na escolha do tipo de estrutura para escoar a cheia 
prevista (item 4.1.2) para a 2a fase do desvio. A 1a fase do desvio, quando necessária, é composta de 
ensecadeiras que servem para a construção da estrutura da 2a fase.
Desvio do rio por adufas é, em geral, a solução mais econômica e por isso a preferível. Construídas 
na barragem de concreto ou na ogiva do vertedouro, as adufas são características de vales largos. 
Tipicamente, em uma primeira etapa, o rio é estrangulado por uma ensecadeira longitudinal, a 
de 1a fase, que enseca uma seção do rio para permitir a construção da barragem ou vertedouro onde 
serão instaladas as adufas. Em uma segunda etapa, após completar a parte necessária da estrutura de 
desvio, o rio é desviado para as adufas fechando-se o estrangulamento do rio com ensecadeiras de 2a 
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CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
fase, enquanto se completam as obras, barragem e/ou vertedouro neste novo trecho ensecado. Em que 
pese a logística complicada, o uso de estrutura defi nitiva para desvio e a diminuição no cronograma 
compensam a colocação e remoção de ensecadeiras.
Arranjos com vertedouros de encosta são associados a desvio por túneis, sendo concebidos em vales 
estreitos. Os túneis, juntamente com os canais de aproximação e restituição são construídos, em geral, 
sem necessidade de ensecadeiras. Uma vez terminada a sua construção, o leito do rio é fechado e é 
iniciada a construção da barragem. No caso de barragens com estrutura de desvio através de túneis, é 
interessante verifi car a viabilidade econômica de utilização destes como descarregadores de fundo, com 
o objetivo de reduzir os custos na construção do sistema de vertimento.
 
Figura 2.5.01 – Arranjo típico em vale estreito (UHE Foz do Areia-
Governador Bento Munhoz da Rocha).
 
Galerias são, em regra geral, recomendadas para locais com vazões de projeto baixas e quando houver 
espaço na parte baixa da ombreira para serem construídas a seco ou sem condições geológicas de se 
fazer túneis.
 
Figura 2.5.02 – Arranjo 
típico da UHE Picada.
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CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
Um caso particular de arranjo em vale largo e com barragem baixa, quando a altura da ogiva do verte-
douro é insufi ciente para ter instalada adufas, é fazer o desvio em duas fases mas com desvio de 2a fase 
por sobre ogivas, arrasadas ou não, do vertedouro.
Figura 2.5.03 – Arranjo típico em vale 
aberto (UHE Tucuruí).
Estruturas de Vertimento
As estruturas de vertimento devem ser projetadas para escoar a cheia de projeto (item 4.1.2) sem so-
bre-elevação do nível de água máximo normal do reservatório e o amortecimento do pico da cheia. 
Esta restrição é atenuada na fase de viabilidade quando estiverem disponíveis mais informações sobre 
os reservatórios, as cheias e suas possibilidades de laminação. Os vertedores devem ser, sempre que 
possível, de superfície livre ou controlados por comportas tipo segmento. Normalmente não devem ser 
considerados vertedores de emergência, tipo fusível ou outros, visando reduzir a capacidade requerida 
dos órgãos de descarga da cheia. Estas restrições são revistas na fase de viabilidade, quando estiverem 
disponíveis mais e melhores informações sobre a topografi a do reservatório e do local das estruturas, 
das cheias e das condições geológicas das fundações. Quando há espaço, emprega-se vertedouro com 
ogiva alta e, em caso contrário, vertedouro de encosta. 
Para arranjos com trechos de vazão reduzida entre a barragem e o canal de fuga devem ser previstos 
descarregadores ou válvulas de fundo para garantir as vazões ecológicas ou sanitárias. A utilização de 
descarregadores de fundo somente deve ser considerada se condicionamentos de jusante requererem 
descargas em condições que não possam ser atendidas pelo vertedor de superfície.
Circuito de Geração
O circuito de geração deve ser desenvolvido de maneira a localizar a casa de força ou canal de fuga à 
jusante da queda concentrada de modo a aproveitar ao máximo a queda no aproveitamento. A seguir, 
procura-se reduzir o comprimento total do circuito de maneira a encontrar a solução mais prática e 
econômica. De muita importância é a necessidade de reduzir a extensão do trecho sujeito às pressões 
mais altas, uma vez que o custo por metro destes trechos é, em geral, muito elevado, seja em condutos 
forçados na superfície ou em túneis forçados. Nos Estudos de Inventário, onde não há maiores infor-
mações disponíveis sobre as reais condições geotécnicas do subsolo, devem ser evitadas obras subterrâ-
neas de vulto, como túneis de adução longos, chaminés de equilíbrio subterrâneas, condutos forçados 
em túnel e casas de força subterrâneas.
Sistema para Transposição de Desnível
Quando os estudos indicarem que o rio é propício à navegação, os dispositivos de transposição de 
desnível devem ser previstos, desde o início dos estudos, observando os critérios da área de transportes 
sobre o arranjo.
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Sistema de Transposição de Fauna Aquática Migratória
Quando os estudos indicarem que há necessidade de estruturas de transposição de fauna aquática mi-
gratória, essas devem ser previstas no arranjo.
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CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.6 PARÂMETROS ECONÔMICOS
Os parâmetros econômicos utilizados nos Estudos de Inventário são apresentados a seguir:
Data Base dos Orçamentos
É a data à qual são referidos os valores monetários adotados nos orçamentos.
Vida Útil das Instalações
É o tempo, em anos, da vida econômica útil das usinas hidroelétricas, normalmente, considerada como 
igual a 50 anos.
Taxa de