Aulas de Nefrologia MED PUCPR
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Aulas de Nefrologia MED PUCPR


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4º PERÍODO 
 
NEFROLOGIA 
 
4º PERÍODO TAYNARA LOPES 
 
NEFROLOGIA 1 
 
AULA 1 
NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA RENAL 
 Basicamente o rim é dividido em córtex e medula. Em termos anatômicos, o córtex é 
importante porque contém os glomérulos e a medula é importante porque contém os túbulos 
renais. Existem glomérulos também na porção justamedular e medular, mas a maioria está na 
região cortical. 
 
Essa anatomia se faz útil na prática quando está indicada biópsia para investigação de 
glomerulopatia: a agulha coletora deve ser posicionada no córtex, portanto não pode ser 
afundada demais dentro do órgão na hora da coleta. Além disso, o que ajuda a diferenciar 
doença renal aguda de crônica é quão espessado está o córtex e o tamanho do rim. O córtex 
tem, em geral, cerca de 8 a 10 mm e um afilamento nessa espessura indica que a doença já 
está instalada há muito tempo, ou seja, é crônica (se desenvolveu um mecanismo de 
fibrose). Essa avaliação do tamanho e da espessura é feita por ultrassom. 
 
A unidade funcional do rim é o néfron, composto por: corpúsculo renal (cápsula de 
Bowman e glomérulo), túbulo contorcido proximal (S1, S2 e S3 \u2013 é diferente a distribuição dos 
transportadores), alça de Henle (três segmentos: descendente e ascendente), túbulo contorcido 
distal e parte do ducto coletor. 
O corpúsculo renal é um enovelado de 
capilares provenientes de arteríola 
aferente, que se ramifica em capilares 
glomerulares (chamados de tufo 
glomerular), os quais formam a arteríola 
eferente, na saída do glomérulo. Essa 
porção do néfron é responsável pela 
ultrafiltração plasmática, o inicio da 
formação da urina a partir do plasma. 
Essa rede capilar se projeta dentro de 
uma câmara que está delimitada por 
uma cápsula, chamada de Bowman, a 
qual possui uma abertura comunicando 
a câmara diretamente com o túbulo 
contorcido proximal. Além dos capilares, 
possui composição de tecido conjuntivo; 
existem três principais tipos de células 
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NEFROLOGIA 2 
 
que o compõem: (1) endotelial (2) mesangial (fica em uma região central, 
produzindo e secretando substâncias vasoativas e matriz mesangial, que é um 
arcabouço de tecido conjuntivo onde repousam as estruturas glomerulares. Serve de 
suporte estrutural, modula a filtração glomerular por regulação do fluxo sanguíneo 
nos capilares e tem capacidades musculares de contração e relaxamento) e (3) 
epitelial visceral (também chamada de podócito \u2013 fica por fora do capilar). Parte da 
estrutura glomerular é especializada e responsável por formar a barreira, ou 
membrana de filtração glomerular \u2013 ela é importante porque impede a passagem 
dos solutos de alto peso molecular (como, por exemplo, as proteínas). 
\uf076 Barreira de filtração glomerular. É composta por elementos que fazem a 
separação do que está dentro da luz do capilar glomerular com o que está fora 
(no espaço urinário). Esses elementos são o endotélio do vaso (porção mais 
interna, continuação direta do endotélio da arteríola aferente \u2013 formam uma 
lâmina fenestrada \u2013 são altamente permeáveis), o podócito que o envolve (camada 
mais externa, constitui o folheto visceral da cápsula de Bowman) e a membrana 
basal (é contínua e constitui a camada média. Não há evidência morfológica de 
que existam poros na membrana basal. Possui locais fixos de cargas negativas 
capazes de influenciar na filtração de macromoléculas \u2013 permite a passagem de 
moléculas de acordo com sua carga elétrica e seu tamanho). 
 
As células mesangiais não são parte da barreira de filtração. 
 
 
 
 
Quando se tem o aparecimento de proteínas no exame parcial de urina, o que não 
é normal, ou seja, proteinúria, a lesão deve estar relacionada à barreira de 
filtração, seja no endotélio, no podócito, na membrana basal, ou até mesmo nos 
três juntos. Do mesmo modo, tem-se hematúria no exame de urina também, 
considerado como patológico. Ambos ocorrem por defeitos que propiciam o 
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NEFROLOGIA 3 
 
aumento da permeabilidade dessa barreira de filtração, o que permite a passagem 
dessas substâncias pelos poros por onde não deveriam passar. 
O endotélio glomerular é marcante; é fenestrado, com muitos poros que permitem 
a passagem de substâncias, desde que tenham propriedades encaixadas nas 
exigidas: tamanho e carga elétrica \u2013 ou seja, esses poros são permeáveis, mas de 
forma seletiva. A carga da barreira de filtração é negativa, propiciando, então, a 
passagem de substâncias com carga positiva. 
Os podócito têm interdigitações chamadas de pedicelos, os quais formam uma 
estrutura que se assemelha a um zíper; a parte externa abraça a alça capilar 
glomerular. A preservação dessas estruturas é importante, pois há diafragmas 
dessas fendas que são responsáveis pela seletividade da barreira de filtração 
glomerular. 
Tendo dois solutos de mesmo tamanho, será mais permeável o que for carregado 
positivamente. 
 
O rim é estudado por microscopia óptica e eletrônica; esta última permite a visualização da 
microarquitetura celular do órgão, fornece mais detalhes estruturais. 
 
ETAPAS DA FILTRAÇÃO PARA FORMAÇÃO DA URINA 
 Se a gente urinasse tudo que é filtrado pelos nossos rins, esse volume equivaleria a 180 
litros por dia. Ou seja, sem os túbulos, essa quantidade de urina seria excretada. Portanto, a 
regulação da quantidade liberada de líquidos e a reabsorção de substâncias, que controla o 
volume urinário, são feitas pelos túbulos nefróticos. 
Existem forças que determinam a formação da urina \u2013 as forças de Starling fazem com 
que a substância ou o líquido passe do espaço de dentro da alça capilar para o espaço urinário; é 
uma combinação entre a pressão hidrostática e a pressão oncótica e a filtração é o resultado da 
diferença dessas forças opostas. 
De dentro da alça capilar para o espaço de Bowman é a pressão hidrostática que mais atua. 
Dentro do vaso estão as proteínas, que determinam a pressão coloidosmótica. A própria 
característica dessa membrana de filtração, que pode estar alterada em situações patológicas, 
determina a capacidade de filtração do glomérulo. 
Aumenta-se a pressão hidrostática dentro da cápsula quando há obstrução e isso faz com 
que o volume urinário produzido seja menor. Paciente em choque hemorrágico ou com 
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NEFROLOGIA 4 
 
hipotensão vai ter seu volume urinário diminuído também porque existe menor pressão de 
perfusão na arteríola aferente, diminuindo a pressão hidrostática do capilar. 
A pressão arterial varia ao longo do dia, mesmo em condições normais \u2013 portanto, o rim 
tem mecanismos de autorregulação que impedem alta variação da pressão e perfusão renal para 
que não existam surtos renais significativos. Esse mecanismo, simplificando, é uma variação na 
vasoconstrição e na vasodilatação das arteríolas aferente e eferente. Isso primariamente muda as 
forças de Starling para manter a formação de urina e perfusão renal, mesmo em condições de 
variação da pressão. Para esse controle de autorregulação, o aparelho justaglomerular tem 
importante função: é a porção de íntimo contato entre o túbulo contorcido distal e a arteríola 
aferente que contém a mácula densa, responsável pela produção do sistema renina-
angiotensina. O principal fator autorregulador é a secreção de substâncias vasoativas, 
principalmente renina, que vão alterar a resistência das arteríolas glomerulares. Entretanto, para 
que o aparelho justaglomerular secrete mais ou menos renina e interfira no fluxo sanguíneo 
glomerular, ele tem que saber o que precisa fazer, ou seja, precisa ter um mecanismo de feedback 
que comunique ao túbulo distal o