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Curso de Direito
Direito Civil I 
I semestre 2011
DOS BENS 
Prof. Dr. Victor Hugo Tejerina Velázquez
DOS BENS
Os bens são coisas materiais ou imateriais, passíveis de
serem objeto de apropriação e desde que sejam escassos, ou
seja, tenham um valor em dinheiro. Aos olhos do Direito são
estudados em um duplo aspecto: tanto "maléfico" porque eles
podem ser fontes de danos, portanto, de responsabilidade,
quanto "benéfico", por ser, para os indivíduos, fontes de
vantagens: e serem objeto de direitos individuais. Este
segundo aspecto faz com que sejam chamados bens (V. Jean
Carbonnier. Les Biens, pág. 91 e ss.).
Nem todas as coisas são bens: só aquelas objeto de
apropriação. (Não são bens: as coisas comuns: o ar, a água, o
mar, etc.). Em sentido inverso, nem todos os bens são coisas,
no sentido material. Há bens incorpóreos.
Assim: os bens são coisas materiais ou imateriais que tem 
valor econômico e que podem servir de objeto de uma relação 
jurídica (A. Alvim).
Os Bens(espécie): têm valor econômico (patrimonial). São 
coisas (gênero): são raros, escassos, são úteis.
Bens: dizem relação a apropriação, dando origem a um
vínculo jurídico que é o domínio. São as coisas que
proporcionam ao homem alguma utilidade sendo suscetíveis
de apropriação, constituindo então seu patrimônio.
Compreendem: 1) não só os bens corpóreos, como 2) os
incorpóreos, ou ainda 3) como as criações intelectuais
(propriedade literária, artística, científica). Sendo que os fatos
humanos, as "prestações" de dar, fazer, não fazer, também
são considerados, pelo Direito, como suscetíveis de constituir
objeto de relação jurídica.
Caracteres: 1) idoneidade para satisfazer um interesse
econômico, excluindo-se da noção de bens:
1.1. os elementos morais da personalidade como a) a vida, b)
a honra, c) o nome, d) a liberdade, etc.
2) gestão econômica autônoma: constitui uma entidade
econômica distinta. Deve, o bem, constituir uma autonomia
econômica. Ex., se for o bem corpóreo: a sua individualidade
resulta da sua delimitação no espaço. Mas esse assunto não
é absoluto, precipuamente, no que concerne a energias
produzidas por uma coisa como a eletricidade. É preciso
distinguir: a energia inseparável do bem que a produz,
daquela que, não obstante produzida por certo bem, assume
autonomia própria que permite uma utilização e um valor
econômico, como se dá com o gás e a eletricidade.
3) subordinação jurídica a seu titular, por si só é bem jurídico
aquele dotado de uma existência autônoma capaz de ser
subordinada ao domínio do homem.
Classificação dos bens (Arts. 79-103 CC):
1. Bens considerados em si mesmos (CC): sem
qualquer relação com outros bens ou com seu titular,
atendo-se sua mobilidade, fungibilidade,
consuntibilidade (móveis, imóveis, bens fungíveis,
infungíveis, bens consumíveis e inconsumíveis, bens
divisíveis e indivisíveis, etc. )
2. Bens reciprocamente considerados (CC) (principais
e acessórios; em relação aos outros)
3. Bens públicos (CC) e privados (em relação ao titular
do domínio)
4. Bens no comércio e fora do comércio (quanto a
suscetibilidade de serem negociados), embora o CC
de 2002 não tenha reiterado este preceito, não exclui
a possibilidade de existência.
1. Bens considerados em si mesmos
1.1. Bens corpóreos e incorpóreos
1.1.1. Corpóreos: que tem existência material: uma
jóia, uma casa, um livro.
1.1.2. Incorpóreos: não têm existência tangível e são 
relativos aos direitos que as pessoas (físicas ou 
jurídicas) têm sobre as coisas, sobre o produto do 
seu intelecto ou contra outra pessoa, apresentando 
valor econômico, trata-se dos direitos reais, autorais 
obrigacionais.
1.2. Bens móveis e imóveis: corresponderia à antiga
classificação: res mancipi e res nec mancipi (embora
a comparação o seja em termos, já que não se sabe
qual foi o critério que levou aos romanos a fazer
semelhante distinção. (V. nesse sentido Schulz, F. Derecho
Romano Clásico).
pessoa, apresentando valor econômico, trata-se dos 
direitos reais, obrigacionais, autorais.
1.2. Bens móveis e imóveis (Arts. 79-84 CC):
corresponderia à antiga classificação: res mancipi e
res nec mancipi (embora a comparação o seja em
termos, já que não se sabe qual foi o critério que
levou os romanos a fazer semelhante distinção. (V.
nesse sentido SCHULZ, F. Derecho Romano Clásico).
1.2.1. Bens imóveis: aqueles que não se podem
transportar, sem destruição de um lugar para outro
(Clóvis); aqueles que não podem ser removidos sem
alteração da sua substância (O. Gomes). Aubry et Rau
(Cours de Droit Civil Français) dizem: "Les choses
corporelles sont meubles ou immeubles, selon
qu'elles peu vent ou non se transporter d'un
lieu à un outre, sans charger de nature".
1.2.2. Bens móveis: os que não têm deterioração na
substância ou na forma, podem ser transportados de
um lugar para outro por força própria ou estranha,
\u201csem alteração da substância ou da destinação
econômico-social\u201d. (Art. 82 CC).
1.2.2.1. por força própria: semoventes: animais
1.2.2.2. por força estranha: mercadorias, moedas, 
títulos da dívida pública, ações de companhias, etc.
O Código Civil considera como bens móveis, as
energias (elétrica, por exemplo) que tenham valor
econômico (art. 83).
Lembra-se que os direitos (bens incorpóreos) podem
ser divididos em imobiliários e mobiliários.
Imobiliários: porque só podem recair sobre bens
imóveis: direitos reais de servidão, uso, habitação,
enfiteuse, usufruto (que pode ser mobiliário ou
imobiliário segundo a natureza dos bens). A
importância desta divisão é grande, pois:
a) todos os direitos reais sobre imóveis 
\u201c...constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, 
só se adquirem com o registro no Cartório de 
Registro de Imóveis dos referidos títulos\u201d (arts. 1.245 
a 1.247), salvo os casos expressos no Código- como 
por exemplo, o usufruto proveniente de usucapião 
(Art 1.391), bem como o usufruto dos bens dos filhos 
considerado inerente ao exercício do poder familiar
(Art. 1.689) em que não há necessidade do registro 
para sua aquisição. Transfere-se o domínio, entre 
vivos, com o registro do título no Registro de Imóveis. 
Há de presumir-se que enquanto não se registrar o 
título traslativo de direito de propriedade continua a 
figurar como proprietário o alienante, como enquanto 
não se promover a invalidade e respectivo 
cancelamento do registro o adquirente há de 
continuar sendo havido como dono do imóvel. 
Concomitantemente, os efeitos da perda da 
propriedade imóvel por alienação ou por renúncia 
"serão subordinados ao registro do título transmissivo, 
ou do ato renunciativo no Registro de Imóveis" (Art. 
1.275, Parágrafo único, correspondente ao 589 § 1o, 
C.C. de 1916).
Classificação no Código Civil:
Bens imóveis: 1. Imóveis pela sua natureza (4.3.1.): 
nos termos do Art. 1.229, a propriedade do solo 
abrange a do espaço aéreo e subsolo 
correspondentes, em altura e profundidade úteis ao 
seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a 
atividades que sejam realizadas, por terceiros, a uma 
altura ou profundidade tais, que não tenha ele 
interesse legítimo em impedi-las.
a) Nos termos do art. 1.229, a propriedade quanto a 
altura e profundidade abrange na medida em que 
são úteis ao seu exercício.
Exceções:
a) D. 24643 modif. D.L. 852/38: Código de Águas: art. 145:" 
as quedas e outras fontes de energia hidroelétrica são bens 
imóveis considerados como coisas distintas do solo em que 
se encontram, assim a propriedade superficial não abrange à 
água, o álveo do curso no trecho em que se ache a queda de 
água nem a respectiva energia hidráulica para efeitos de