Poderes administrativos aula 04
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Poderes administrativos aula 04


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Teoria e exercícios comentados
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4. (Cespe - ATA/MIN/2013) A fixação do prazo de validade e a prorrogação de
um concurso público não se inserem no âmbito do poder discricionário da
administração.

Comentário: para entender este item, é necessário transcrever o conteúdo do

art. 12 da Lei 8.112/1990:

Art. 12. O concurso público terá validade de até 2 (dois ) anos,
podendo ser prorrogado uma única vez, por igual período.

1R\ufffdSULPHLUR\ufffdPRPHQWR\ufffd\ufffdD\ufffd/HL\ufffdSUHYr\ufffdTXH\ufffdR\ufffdFRQFXUVR\ufffdGHYH\ufffdWHU\ufffdYDOLGDGH\ufffdGH\ufffd³DWp´\ufffd
dois anos. Logo, a autoridade administrativa pode decidir se o concurso terá,

SRU\ufffdH[HPSOR\ufffd\ufffdYDOLGDGH\ufffdGH\ufffd³\ufffd\ufffd\ufffdGLDV´\ufffd\ufffd³VHLV\ufffdPHVHV´\ufffd\ufffd³XP\ufffdDQR´\ufffd\ufffdRX\ufffd\ufffdDWp\ufffdPHVPR\ufffd\ufffd
³GRLV\ufffdDQRV´\ufffd\ufffdEnfim, a decisão sobre o prazo de validade é discricionária.
Da mesma forma, a lei estabelece que o concurso pode ser prorrogado uma

única vez. Novamente, estamos diante do poder discricionário. Assim o item

está errado.

Gabarito: errado.

Poder hierárquico

A hierarquia é a relação de subordinação existente entre os vários
órgãos e agentes administrativos, com a distribuição de funções e a
gradação de autoridade de cada um.

É importante destacar que a hierarquia só ocorre dentro da mesma
pessoa jurídica, ou seja, não há hierarquia entre a administração direta e
indireta. Com efeito, também não se fala em hierarquia entre os Poderes
(Legislativo, Executivo e Judiciário) ou entre a Administração e os
administrados. Por fim, o poder hierárquico não se apresenta nos Poderes
Legislativo e Judiciário quando no exercício de suas funções típicas (legislar
e julgar, respectivamente). Porém, quando se tratar das atividades meio
(licitar, contratar, comprar, etc.), que se expressam pelo exercício da
função administrativa, aí o poder hierárquico também estará presente nos
órgãos do Judiciário e do Legislativo.

6HJXQGR\ufffd+HO\\ufffd/RSHV\ufffd0HLUHOOHV\ufffd\ufffdR\ufffdSRGHU\ufffdKLHUiUTXLFR\ufffd³é o de que dispõe
o Executivo para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar

e rever a atuação de seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação

entre os servidores do seu quadro de pessoal´\ufffd
Nesse contexto, o poder hierárquico tem por objetivo:

o dar ordens;

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o rever atos;
o avocar atribuições;
o delegar competências; e
o fiscalizar.

Temos como consequência lógica da hierarquia o poder de comando
realizado entre as instâncias superiores sobre as inferiores. Essas, por sua
vez, possuem o dever de obediência para com aqueles, devendo,
portanto, executar as tarefas em conformidade com as determinações
superiores. Dessa forma, pelo poder de dar ordens, os superiores fazem
determinações aos subordinados para praticar atos ou tomar determinadas
condutas no caso concreto.

Os subordinados se vinculam às determinações superiores, não lhes
cabendo avaliar a conveniência e oportunidade da decisão superior, mas
cumpri-las. Essa é a base para o desenvolvimento da função administrativa,
que pressupõe a existência de hierarquia. No entanto, os subordinados
podem se negar a cumprir ordens manifestamente ilegais. Isso
SRUTXH\ufffd D\ufffd SUySULD\ufffd &RQVWLWXLomR\ufffd )HGHUDO\ufffd HVWDEHOHFH\ufffd TXH\ufffd ³ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer algumD\ufffdFRLVD\ufffdVHQmR\ufffdHP\ufffdYLUWXGH\ufffdGH\ufffdOHL´\ufffd
(CF, art. 5º, II). Na esfera federal, o art. 116, IV, da Lei 8.112/1990,
estabelece que é dever do servidor ³cumprir as ordens superiores, exceto
quando manifestamente ilegais\ufffd´\ufffd$VVLP\ufffd\ufffdXP\ufffdVHUYLGRU\ufffdS~EOLFR\ufffdGHYH\ufffdVH\ufffd
negar, por exemplo, a cumprir uma ordem de destruir um bem público sem
nenhum motivo.

Lucas Rocha Furtado apresenta outras três

situações excepcionais que afastam ou, ao

menos, mitigam o dever de cumprir as ordens

dadas:

o quando a lei tiver conferido competência exclusiva para a prática
do ato ao órgão subordinado;
o quando se tratar de atividade de consultoria jurídica ou técnica,

uma vez que esses atos, que muitas vezes se pronunciam na forma
de pareceres, dependem do convencimento pessoal do agente que o
pratica e podem ensejar sua responsabilidade pessoal; em razão da
própria natureza consultiva desses órgãos, eles devem gozar de ampla
autonomia de atuação, o que afasta ou mitiga o dever de cumprir
ordens;

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o quando se tratar de órgão incumbido de adotar decisões
administrativas (por exemplo: o Conselho de Contribuintes da
Receita Federal se encontra subordinado administrativamente ao
superintendente da Receita, mas este não pode definir como as
decisões do Conselho devem ser adotadas)8.

A fiscalização corresponde ao acompanhamento permanente dos atos
dos subordinados com o intuito de mantê-los dentro dos padrões de
legalidade e legitimidade previstos para a atividade administrativa.

Como consequência da fiscalização, surge a competência para rever
atos, também chamada de poder de controle, que permite que o superior
hierárquico anule ou revogue os atos de seus subordinados. Dessa forma,
o poder hierárquico permite que um superior, de ofício ou por provocação,
anule os atos ilegais ou avalie a conveniência e oportunidade para revogar
os atos de seus subordinados. É cabível, ainda, realizar a convalidação
dos atos com defeitos sanáveis, desde que seja possível e conveniente.

Quanto à revogação é importante acrescentar algumas informações.
Primeiro que ela só é possível diante de atos válidos e discricionários.
Segundo que a própria revogação é um ato discricionário, isso porque cabe
à autoridade pública avaliar a conveniência e oportunidade de revogar um
ato administrativo válido. Por fim, não é possível revogar atos
administrativos que já tenham originado direito adquirido para o
administrado.

Uma vez que já estudamos a delegação e a avocação neste curso,
vamos apenas relembrar os seus aspectos mais importantes.

A delegação ocorre quando se confere a um terceiro atribuições que
originalmente competiam ao delegante. A delegação é um ato
discricionário, temporário e revogável a qualquer momento. Não se admite
a delegação de atos de natureza política, como o poder de sancionar uma
lei. Também não é possível a delegação de competência de um Poder ao
outro, salvo quando a Constituição Federal autorizar expressamente9.
Ademais, a delegação só alcança o exercício da competência, uma vez que
a sua titularidade é irrenunciável. Por fim, é possível delegar uma

8 Furtado, 2012, p. 576.
9 Hely Lopes Meirelles entende que não se pode delegar competências de um poder ao outro (2013, p. 131).
Porém, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (2011, p. 222) afirmam que é possível a delegação, desde que a
Constituição assim autorize expressamente (eles mencionam como exemplo o caso de leis delegadas, previstas
no art. 68 da Constituição Federal).

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