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Aulas sobre Kalecki - Jacques

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Professor Jacques Henrique Dias
Professora Dra. Maria de Fátima Garcia
Resenha sobre a obra do economista Michal Kalecki
A obra de Kalecki abrange as economias desenvolvidas capitalistas, as economias em desenvolvimento (chamadas mistas) e as economias socialistas. Seu ensaio sobre as economias em desenvolvimento (mistas) compreende 
Essays on developing countries
Crescimento e ciclo das economias capitalistas
Esses estudos ajudaram a moldar o pensamento da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe). Para as economias socialistas escreveu o livro Introdução da teoria do crescimento em economias socialista. Mas de fato sua grande atuação se dá em seus estudos (cerca de 50 trabalhos publicados entre 1927- 1932) sobre as dificuldades encontradas pelas economias capitalistas. Michal Kalecki se beneficiou do acesso privilegiado que tinha no que diz respeito aos preços uma vez trabalhando em um órgão de pesquisa do governo e estuda exaustivamente os oligopólios, chega à conclusão de que a livre concorrência representa uma idéia que não existe no mundo real, seus trabalhos fornecem grandes informações a respeito do grau de monopólio das economias, chamado Mark-up.
Nas economias capitalistas sua obra compreende:
Ensaios sobre a teoria das flutuações economias
Estudos de dinâmica econômica
Teoria da dinâmica econômica – ensaios sobre as mudanças cíclicas e em longo prazo das economias capitalistas (1954)* Neste trabalho ele estuda de forma conjunta ciclo e tendência das economias, fato que o torna diferenciado em relação a Keynes que somente havia se preocupado com os ciclos pelos quais passam as economias.
Crescimento e ciclo das economias capitalistas. 
Esboço de uma teoria do ciclo econômico. => destaca o papel crucial da demanda efetiva na dinâmica das economias capitalistas desenvolvidas.
Comércio Internacional e “exportações internas” (1933) => como sair da crise, análise crítica de um artigo de Rosa Luxemburgo (Setor privado exportando para o próprio governo como uma forma de sair da crise segundo a mesma)
De maneira resumida, em sua obra, Kalecki desenvolveu os resultados apresentados por Keynes para o papel da demanda efetiva em primeiro lugar (3 anos antes)
Pontos divergentes: Diagnóstico da crise de 1929: problema de demanda efetiva (Keynes) / realização da mais valia (Kalecki).
O nível de renda nacional não é determinado automaticamente pela capacidade de produção da economia segundo Kalecki – para tanto buscou explicar a realização das remunerações dos fatores de produção com o auxílio do fluxo funcional da renda, (lucros e salários). 
	
	
	
	
	
	
	
	
	Marx sugere que a realização da mais valia está relacionada aos gastos dos capitalistas com bens de consumo e com acumulação de capital. Segundo Miglioli, Kalecki contribui com a teoria marxista ao interpretar os esquemas de reprodução da mais-valia. Ele retoma o problema de realização conforme delimitado por Marx, como ponto de partida para a análise da dinâmica capitalista, pois o problema não esta nos gastos capitalistas com consumo, mas sim, com investimento, caso essa taxa de re-investimento não seja realizada, o investimento não será capaz de absorver a demanda, resultando em uma crise de demanda.
Michal Kalecki dividiu a economia em departamentos de tal forma a analisar a realização dos lucros (P) e salários (W) partindo do pressuposto de que os trabalhadores não possuem poupança, uma vez que seus recursos são totalmente gastos em consumo dado a remuneração dos salários ser proporcionalmente mais baixa que a remuneração dos lucros permitindo então somente uma renda de subsistência sem geração de poupança. Inicialmente para uma economia fechada e sem governo os departamentos são:
Matriz Departamental de Kalecki
	D1
	D2
	D3
	Σ
	P1
	P2
	P3
	P
	W1
	W2
	W3
	W
	I
	Cc
	Cw
	Y
Fonte: Elaboração do autor com base em livros didáticos da matéria
Seja um aumento no setor produtor de bens salários, o efeito líquido será uma redistribuição de lucros dadas as equações abaixo e levando em consideração que I e Cc permanecem constantes.
Cw = W1+W2+W3
Cw=P3+W3
P3=W1+W2 P1 e/ou P2 devem cair. (Redistribuição dos lucros entre os departamentos)
Esquema marxista de reprodução adaptado. Tal esquema é utilizado como forma de explicar a crise capitalista. Ele mostra que a variável fundamental para reprodução do lucro são os investimentos dos capitalistas, e é exatamente este fato ou a ausência dele, que ocasionará as crises no capitalismo.
	D1
	D2
	D3
	Σ
	P1
	P2
	P3
	P
	W1
	W2
	W3
	W
	I
	Cc
	Cw
	Y
Duas interpretações alternativas:
Para um dado período de tempo t os capitalistas dividem todo o lucro na compra de bens de investimento e de bens de consumo;
Para dado período de tempo t, os gastos dos capitalistas em investimento e em consumo somam-se para constituírem o lucro total.
Na alternativa 1 o P (lucro) é uma variável independente, na alternativa 2 ela é dependente, para Kalecki a alternativa que melhor explica o capitalismo é a segunda. Aparentemente o lucro depende do valor total da produção quanto maior a produção maior o lucro. Na realidade o lucro não depende de todo o valor da produção mas do valor da produção dos setores 1 e 2.
O lucro depende do valor das vendas dos bens de consumo e dos bens de investimento dos capitalistas. Se nós temos Cw crescendo por alguma razão qualquer então W1 e W2 irão crescer. Para que os lucros aumentem, é preciso que os gastos dos capitalistas com bens de consumo e bens de investimento aumentem.
Os capitalistas não podem decidir quanto lucro ganhar apenas decidem quanto gastar na produção de bens de consumo e de bens de investimento, quanto maiores os gastos maiores os lucros. Eles podem gastar mais ou menos em relação ao gasto dos períodos passados de acordo com a expansão ou retração da demanda. 
Pt = Cct + It
Pt+1=Cct+1 +It+1 
	No entanto se assim fosse, de acordo com as equações acima, os lucros seriam estacionários, ou seja, não sofreriam variação no longo prazo, se a economia está em expansão, eles gastam mais, do caso contrário gastam menos. 
Equação completa dos lucros
Removemos três hipóteses: economia fechada, não existe poupança dos trabalhadores, sem governo.
W+P = Cc+Cw + I+(X+M)+G -Impostos
P=Cc+(Cw-W)+I+(X+M)+G –Impostos (Excluem-se os impostos indiretos)
Quando os trabalham poupam os lucros declinam. Supõe-se que a poupança dos trabalhadores é pequena o suficiente para não ser levada em consideração. Quando os gastos dos capitalistas crescem o lucro cresce, dentro da equação completa todas as relações são positivas com exceção da poupança dos trabalhadores.
Se Cw cai, P3 cai, P cai, e P1+P2+P3 caem também, sendo W3 mantido constante.
Incorporando o setor exportador, como departamento, temos que P= P1+P2+P3+P4, W=W1+W2+W3+W4, Y=I+Cc+Cw+X, Cw= W1+W2+W3+W4, Cw= Cw1+Cw2+Cw3+Cw4, Cw=P3+W3 , logo, P3=W1+W2+W4.
Podemos tirar algumas relações a partir das equações acima:
Se X=P4+W4 e X aumenta, tal variação vai repercutir em W4 e em P4 levando a um aumento em P3 por meio dos salários dos setores W1+W2+W4, por fim aumentando o lucro total da economia.
Incorporando o setor governo, teremos agora 5 departamentos, voltando ao quadro acima:
	D1
	D2
	D3
	D4
	D5
	Σ
	P1
	P2
	P3
	P4
	P5
	P
	W1
	W2
	W3
	W4
	W5
	W
	I
	Cc
	Cw
	X
	D
	Y
P= P1+P2+P3+P4+P5, W=W1+W2+W3+W4+W5, Y=I+Cc+Cw+X+D, quanto maior o déficit do governo, maior a renda da economia, por meio do impacto gerado nos lucros dos demais setores como conseqüência dos gastos realizados pelo setor governo. O departamento D3 é referência para analisarmos a dinâmica dos gastos, uma vez que a poupança dos trabalhadores é irrelevante, de alguma forma as mudanças ocorridas nos demais setores tendem a impactar de uma forma significativa os gastos com bens de consumo no departamento 3, lembrando a relação apresentada, independente das hipóteses restritivas, de que o lucro do departamento 3 é dado pelos

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